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Quicumque Vult

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“Architecture is not building. […] It is important to make the distinction, because otherwise architecture disappears into the miasma of technical concerns that is construction.[…] Architecture is a cultural artefact: it uses human ingenuity and creativity to transform the needs of everyday life, the raw materials around us and the undefined spaces we inhabit into structures that mirror who we are […] and how we want to define ourselves.” Aaron Betsky - At home in Sprawl: Selected Essays on Architecture 2011 (hoje no Público)

À P. e david, ao Pinguim e déjan

Five o'Logy

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“Quase todos os dias, chovesse ou fizesse sol, estivesse quente ou frio, saía para dar um passeio pela cidade – sempre sem destino, simplesmente indo até onde as suas pernas o levassem. […] Nova Iorque era um espaço inesgotável, um labirinto de passos intermináveis; mas independentemente de se ter familiarizado com as vizinhanças e ruas, ficava sempre com a sensação de estar perdido. Perdido não apenas na cidade, mas também dentro de si. Sempre que dava um passeio, sentia-se como se se deixasse a si próprio para trás e, entregando-se ao movimento das ruas, reduzido a um olho que vê, conseguia escapar à obrigação de pensar, e isto, mais de qualquer outra coisa, trazia-lhe uma certa paz, um salutar vazio interior. […]

Ao caminhar sem destino, todos os lugares se tornavam semelhantes, deixando de ter importância o sítio onde se encontrava. Nos seus melhores passeios, conseguia atingir o sentimento de que não estava em sítio algum. Nova Iorque era esse nenhures que havia construído à sua…

Passe Pas

Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
Aos heróis que o não são.
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!

Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
Que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
Entre o sangue vertido
E o sonho desfeito.

Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
De traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
Que na tua tragédia se redime.

Não passarão!
Arde a seara, mas dum simples grão
Nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação,
Não morre um povo!

Não passarão!
Seja qual for a fúria da agressão,
As forças que te querem jugular
Não poderão passar
Sobre a dor infinita desse não
Que a terra inteira ouviu
E repetiu:
Não passarão!

Alguns Poemas Ibéricos (1952) -  Miguel Torga 
Há oito anos | À Mãe, à Avó

Danza delle Ore

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Ao Valkírio e sua Diva | Daqui a duas semanas

"Raymond Pouilliart annote l’édition Garnier-Flammarion et propose une genèse à Angelo, tyran de Padoue p. 277 : «Une des feuilles de feuilles paginées, écrite en 1830, porte la mention suivante: Sabina Muchental – le même homme aimé par deux filles, une courtisane et une dévote». À ce point de départ assez ténu, Raymond Pouilliart rappelle la vogue de Venise chez les romantiques et l’admiration que porte Victor Hugo à Shakespeare. Othello de Shakespeare se déroule à Venise, la mort de Roméo est provoquée par la fausse mort de Juliette comme la mort de la Tisbe est provoquée par la fausse mort de Catarina. Une oeuvre de Musset, publiée autour de 1833, a pu influencer Hugo: dans André del Santo, l’artiste se suicide pour laisser vivre heureux son rival et la femme qu’il aime comme la Tisbe se laisse tuer pour laisser Rodolfo et Catarina.
Victor Hugo trouvera dans L’histoire de la République de Venise de Daru, publiée en 1819 et réédit…

Synaxis 212

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The Translation from Malta to Gatchina of a Portion of the Life-Creating Cross of the Lord, together with the Philermos Icon of the Mother of God, and the right hand of Saint John the Baptist took place in the year 1799. These holy things were preserved on the island of Malta by the Knights of the Catholic Order of St John of Jerusalem. In 1798, when the French seized the island, the Maltese knights turned to Russia for defense and protection. On October 12, 1799 they offered these ancient symbols to the emperor Paul I, who at this time was at Gatchina. In the autumn of 1799 the holy items were transferred to St Petersburg and placed in the Winter Palace within the church dedicated to the Icon of the Savior Not-Made-by-Hands. The Feast for this event was established in 1800.

By ancient tradition, the Philermia Icon of the Mother of God was painted by the holy Evangelist Luke. From Jerusalem it was transferred to Constantinople, where it was situated in the Blachernae c…

Don't Speak

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«A minha segunda irmã afastou então as pernas, dobrou-se pela cintura, e largou a correr, descrevendo um círculo completo. Os seus membros eram flexíveis como o ramo do salgueiro, os seus passos serpentes ondulando entre espigas finas. Era uma noite sem vento, porém de um frio penetrante, mas a minha irmã trazia apenas roupa fresca. A Mãe olhava pasmada; o corpo da minha irmã desenvolvera-se depressa depois de ela comer a enguia; tinha os seios como duas peras, graciosamente torneados, e viria a perpetuar, sem dúvida, a tradição gloriosa das mulheres Shangguan, todas com peito grande e anca larga. Depois do círculo completo a correr, nem sequer estava ofegante, mantendo uma postura inalterada».
Mo Yan - Peito Grande, Ancas Largas (Lisboa: Ulisseia, 2007)

Hong gao Liang by Yimou Zhang

sestércimos

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Horas serenas del ocaso breve, cuando la mar se abraza con el cielo y se despierta el inmortal anhelo que al fundirse la lumbre, lumbre bebe.
Copos perdidos de encendida nieve, las estrellas se posan en el suelo de la noche celeste, y su consuelo nos dan piadosas con su brillo leve.
Como en concha sutil perla perdida, lágrima de las olas gemebundas, entre el cielo y la mar sobrecogida
el alma cuaja luces moribundas y recoge en el lecho de su vida el poso de sus penas más profundas.

La mar ciñe a la noche en su regazo y la noche a la mar; la luna, ausente; se besan en los ojos y en la frente; los besos dejan misterioso trazo.
Derrítense después en un abrazo, tiritan las estrellas con ardiente pasión de mero amor y el alma siente que noche y mar se enredan en su lazo.
Y se baña en la obscura lejanía de su germen eterno, de su origen, cuando con ella Dios amanecía,
y aunque los necios sabios leyes fijen, ve la piedad del alma la anarquía y que leyes no son las que nos rigen. 

Busco guer…

Lonerism

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Fecho a casa antes de nos dirigirmos pelas vias termais até à escondida aldeia atrás da terra fria, completando a tournée nacional no maior parque protegido. Esperávamos as mudanças na coloração mas adiantámo-nos às estações e assim, por sucessões de cumes obtusos e vales profundos, caminhamos entre as aldeias desoladas - da casa da edra à barragem da serra serrada, pejada de hélices e por sobre as rochas arredondadas; e de dine, onde acaba a estrada da fronteira entrecortada, por carreiros de ermos estreitos, cruzando topografias vamos até às festividades do rosário em fresulfe (onde me perco do grupo sem alcançar as fráguas do tuela, mas regressando ao cruzeiro para buscá-los atrás dos fornos de cal).

As vistas são soberbas, a linha dos montes talhados pelas cristas quartzíticas, os lameiros secos mas verdes de onde se soltam os choupos e freixos a amarelecer, troncos largos violentados de castanheiros e nogueiras, árvores de fruto a latejar junto aos muros das hortas. Ainda as rec…

ReGeneration

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I
Herois do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memoria,
Oh patria ergue-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões
marchar, marchar!

II
Desfralda a invicta bandeira,
À luz viva do teu céo!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu!
Beija o teu sólo jucundo
O Oceano, a rugir de amor;
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões
marchar, marchar!

III
Saudai o sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do resurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injurias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões
marchar, marchar!

(repete a …

Semibreve

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