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Avidyā

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«Do mesmo modo, uma “duração de vida”, aparentemente iniciada no momento do nascimento e extinta no momento da morte, designa na realidade um processo de contínua metamorfose em que constantemente inúmeras células morrem e nascem, sendo uma pura abstracção distinguir entre vida e morte num processo onde todos os organismos a cada instante se transformam em interdependência. É nesse sentido que o mesmo autor considera que os votos de Feliz Aniversário mais correctamente seriam de “Feliz Continuação”, recordando com humor que, apesar de as células continuamente nascerem e morrerem, não celebram “nascimentos” nem “funerais”. Cortar ou cristalizar a tessitura dinâmica, metamórfica e entrelaçada do real em id-entidades supostamente permanentes, distintas e isoladas é nesta perspectiva o fruto da avidya, a ignorância, geradora das duas emoções básicas, o apego e a aversão, que estão na origem de todo o sofrimento e conflitos internos e externos. Em termos histórico-civilizacionais, discrim…

Brynhildr

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Unchained Munu við ofstríðalls til lengikonur ok karlarkvikvir fæðask;við skulum okkrumaldri slítaSigurðr saman.Sökkstu, gýgjar kyn.
Helreið Brynhildar
Dritter Aufzug

Little Annie

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browning

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«After its publication in 1952 in her short story collection The Apple Tree, "The Birds" became one of Daphne du Maurier's most celebrated works. The story presents an unrelenting portrait of terror and a compelling analogy of the atmosphere of fear generated in America and Europe during the Cold War years.


Covering only a few days in the life of a family living on the Cornish coast of England, "The Birds" examines what would happen if animals traditionally regarded as symbols of peace and freedom began to ruthlessly attack humans. The story opens in the middle of the night when farm worker Nat Hocken wakes to an insistent tapping at his window. Du Maurier quickly increases the tension and horror as Nat's family suffers several vicious attacks by hordes of swarming birds, seemingly bent on destruction.


Richard Kelly, in his article on du Maurier for Twayne 's English Authors Series Online notes, "by limiting the focus of her story upon N…

Clarabóia

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“Com o quadro na mala do carro, circulei pela cidade, sem rumo, a pensar algumas destas coisas que viria escrever depois, deixando fugir outras que talvez importassem tanto como estas (tanto, tão pouco, ou tão muito como elas. Nota justificada de quem agora começa a aprender estas escritas: por que será que se diz tão pouco e não se diz tão muito?). A cidade, esta, qualquer, é uma coisa estranha. Forma-se por três razões, povoa-se de mil pessoas (ou milhares, ou milhões) e mantém-se formada quando as razões não existem (outras que entretanto surgiram formariam uma cidade diferente). Povoa-se a cidade, digo, de uns tantos muitos milhares ou de uns tantos poucos milhões de pessoas e consegue a proeza de manter junta, globalmente falando, essa população e de por muitos meios diferentes não permitir que ela se una. É como se a cidade se defendesse de quem a habita. As vontades juntas dos habitantes formam, sem que eles se apercebam, uma vontade diferente que passa a governá-los e que cui…

Spectral Split

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«Já era noite quando ela acabou de falar. Os dois ficaram olhando a lua que nascia.
"Muitas coisas do que me disse, se contradizem entre si", disse ele.
"Cada guerreiro saberá usar a estratégia certa no momento em que precisa", respondeu a mulher.
Ela levantou-se "Adeus", disse. "Você sabia que os sinos no fundo do mar não eram uma lenda; mas só foi capaz de escutá-los quando percebeu que o vento, as gaivotas, o barulho das folhas da palmeira, tudo aquilo era parte do badalar dos sinos".
"Da mesma maneira, o guerreiro da luz sabe que tudo à sua volta - suas vitórias, suas derrotas, seu entusiasmo, seu desânimo - faz parte do seu bom combate. E usa o instrumento que está ao seu alcance, para viver a sua lenda pessoal".
"Quem é você?", ele perguntou.
Mas a mulher já se afastava, caminhando sobre as ondas do mar.»
Epílogo MGL

Vincens

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Sobre os painéis

"No tempo da ocupação da Península Ibérica pelos mouros, estes ordenaram que todas as igrejas fossem convertidas em mesquitas muçulmanas. Os cristãos de Valência quiseram pôr a salvo o corpo do mártir S. Vicente, que estava guardado numa igreja. As Astúrias eram a única região cristã da península. Para levar o corpo para as Astúrias, fizeram-se ao mar. Como as águas estavam turbulentas, foram forçados a aproximar-se da costa. Perguntaram então ao mestre da embarcação que terra tão bonita era aquela. O mestre respondeu-lhes que era o Algarve. Pouco depois o barco encalhou e forçou-os a passar a noite naquele lugar. Na manhã seguinte, quando se preparavam para retomar viagem, avistaram um navio pirata. O mestre da embarcação propôs-lhes afastar-se com o navio para evitar a abordagem dos corsários, enquanto os cristãos se escondiam na praia com a sua relíquia. Depois viria buscá-los. O barco nunca mais voltou e os cristãos ficaram naquele lugar. Construíram um

Panis et Circenses

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar

Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer


Mnemosyne Atlas

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Entrevista ao comissário da exposição Atlas "Como levar o mundo às costas?" de Aby M. Warburg no MNCARS
Após o jantar pré_bissa´s birthday, vou ao salto e, juntando os catitas, seguimos para a festa no teatro do bairro – com um calendário azteca a mover os dias, dá-se finalmente o encontro marcado há quinze anos nessa primeira página entre o guerreiro da luz e o seu dom supremo; agarrados àquele amor adiado, entramos na construção ilimitada do sonho, dali para o coração do príncipe em carro parado até à madrugada da noite do fim. Acompanhamo-nos pela consoada e antes do réveillon ainda conheço os abraços, cafés e cais corroídos, os shows opostos do margem sul e mister gay, as vidas que se conjugaram, a barraca onde vivem as violetas, igreja e coreto sem piedade, as doenças que nos assaltam e os tascos das proximidades. Mas lembrado ao altar, nos ateliers e jardins, avistado das janelas da cerca do palácio, eis então que surge o silêncio impenetrável do sentido das coisas…



Re…

Destino

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Quer o destino que eu não creia no destino
Não consigo dominar E o meu fado é nem ter fado nenhum
Este estado de ansiedade Cantá-lo bem sem sequer o ter sentido
A pressa de chegar Senti-lo como ninguém, mas não ter sentido algum
P’ra não chegar tarde
Ai que tristeza, esta minha alegria
Não sei de que é que eu fujo Ai que alegria, esta tão grande tristeza
Será desta solidão Esperar que um dia eu não espere mais um dia
Mas porque é que eu recuso Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente
Quem quer dar-me a mão
Ai que saudade
Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar Que eu tenho de ter saudade
Porque até aqui eu só Saudades de ter alguém
Quero quem Que aqui está e não existe
Quem eu nunca vi Sentir-me triste
 Porque eu só quero quem Só por me sentir tão bem
Quem não conheci E alegre sentir-me bem
Porque eu só quero quem Só por eu andar tão triste
Quem eu nunca vi
Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse"
Esta insatisfação E lamentasse não ter mais nenhum…