Avidyā
«Do mesmo modo, uma “duração de vida”, aparentemente iniciada no momento do nascimento e extinta no momento da morte, designa na realidade um processo de contínua metamorfose em que constantemente inúmeras células morrem e nascem, sendo uma pura abstracção distinguir entre vida e morte num processo onde todos os organismos a cada instante se transformam em interdependência. É nesse sentido que o mesmo autor considera que os votos de Feliz Aniversário mais correctamente seriam de “Feliz Continuação”, recordando com humor que, apesar de as células continuamente nascerem e morrerem, não celebram “nascimentos” nem “funerais”. Cortar ou cristalizar a tessitura dinâmica, metamórfica e entrelaçada do real em id-entidades supostamente permanentes, distintas e isoladas é nesta perspectiva o fruto da avidya, a ignorância, geradora das duas emoções básicas, o apego e a aversão, que estão na origem de todo o sofrimento e conflitos internos e externos. Em termos histórico-civilizacionais, discrim…