Latte Ossessioni
[...] O Horácio prepara o cafezinho. Desde que o governo suspendeu a verba pra o cafezinho, que este é custeado pelos funcionários. Custa um tostão. Naziazeno não quer café. Já tomou um há pouco. Ele se dirige para a sua carteira. Na sala, pequena, trabalham mais dois: o primeiro escriturário e o datilógrafo. Ambos muito quietos. O primeiro escriturário confere contas. É um serviço que faz há muito tempo. Dispõe de grande prática. Faz cálculos, usa tinta encarnada, bate muitos carimbos. Depois, quando tem já um grupo de contas respeitável, ergue-se e repassa-as uma a uma (com todas as suas ‘primeiras’, ‘segundas’ e ‘terceiras vias’ nos dedos – que ele a cada passo molha nos lábios com um certo ruído). O datilógrafo, quando não está ‘batendo’, lê um livro, aberto dentro da gavetinha ao lado. Naziazeno interroga o datilógrafo: — O diretor saiu? O funcionário levanta os olhos do livro, relanceia-os lentamente pela janela, pousa-os no escriturário: — Está na Secretaria – respond...