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A mostrar mensagens de março, 2015

Faster

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“Flevit super illam” (He wept over it) by Enrique Simonet , 1892 Faster than fairies, faster than witches, Bridges and houses, hedges and ditches; And charging along like troops in a battle All through the meadows the horses and cattle: All of the sights of the hill and the plain Fly as thick as driving rain; And ever again, in the wink of an eye, Painted stations whistle by. Here is a child who clambers and scrambles, All by himself and gathering brambles; Here is a tramp who stands and gazes; And here is the green for stringing the daisies! Here is a cart runaway in the road Lumping along with man and load; And here is a mill, and there is a river: Each a glimpse and gone forever! From a Railway Carriage - Robert Louis Stevenson

about a boyfriend

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Não te digo porque é que eu nunca vou deixar de amar O que eu quiser de ti hei-de guardar Tudo que eu não quiser não vou deixar de aproveitar E quanto ao meu juízo tanto se lhe dá tu fazeres boa cara fazeres cara má Não insistas no que me faz ficar perto de ti o que me faz chorar e rir em ti e ficar bem por fora daqui Não importa enquanto ao meu juízo tanto se lhe faz saber ao que é que vens saber o que te traz se queres mesmo saber Não te sei dizer meu Amor meu Amor meu Amor Deixa lá podia ser pior do que aqui estar e o que eu quero dizer não o vás pensar antes de eu te dizer podes-te enganar Onde eu me quero meter onde couber é o lugar doa a quem doer há-de passar se queres mesmo saber Não te sei dizer meu Amor meu Amor meu Amor 1-UIK Project

Basic Instinct

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O instinto é simpatia. Se esta simpatia pudesse alargar o seu objecto e também reflectir sobre si mesma, dar-nos-ia a chave das operações vitais - do mesmo modo que a inteligência, desenvolvida e reeducada, nos introduz na matéria. Porque, não é de mais repeti-lo, a inteligência e o instinto estão orientados em dois sentidos opostos: aquela para a matéria inerte, este para a vida. A inteligência, por meio da ciência, que é obra sua, desvendar-nos-á cada vez mais completamente o segredo das operações físicas; da vida apenas nos dá, e não pretende aliás dar-nos outra coisa, uma tradução em termos de inércia. Gira em derredor, obtendo de fora o maior número de visões do objecto que chama até si, em vez de entrar nele. Mas é ao interior mesmo da vida que nos conduzirá a intuição, quero dizer o instinto tornado desinteressado, consciente de si mesmo, capaz de reflectir sobre o seu objecto e de o alargar indefinidamente. Que um esforço deste género não é impossível, é o que demonstra já...

Necro Logos

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O sentido da literatura, no meio dos muitos que tenha ou não tenha, é que ela mantém, purificadas das ameaças da confusão, as linhas de força que configuram a equação da consciência e do acto, com suas tensões e fracturas, suas ambivalências e ambiguidades, suas rudes trajectórias de choque e fuga. O autor é o criador de um símbolo heróico: a sua própria vida. Mas, quando cria esse símbolo, está a elaborar um sistema sensível e sensibilizador, convicto e convincente, de sinais e apelos destinados a colocar o símbolo à altura de uma presença ainda mais viva que aquela matéria desordenada onde teve origem. O valor da escrita reside no facto de, em si mesma, tecer-se ela como símbolo, urdir ela própria a sua dignidade de símbolo. A escrita representa-se a si, e a sua razão está em que dá razão às inspirações reais que evoca. E produz uma tensão muito mais fundamental do que a realidade. É nessa tensão real criada em escrita que a realidade se faz. O ofuscante poder da escrita é que ela ...

Orpheu

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Eu não sou eu nem sou o outro, Sou qualquer coisa de intermédio: Pilar da ponte de tédio Que vai de mim para o Outro. Lisboa—Fevereiro de 1914 Thracian Girl Carrying the Head of Orpheus on His Lyre by Gustave Moreau (1865) Esta inconstancia de mim próprio em vibração É que me ha de transpôr às zonas intermédias, E seguirei entre cristais de inquietação, A retinir, a ondular... Soltas as rédeas, Meus sonhos, leões de fogo e pasmo domados a tirar A tôrre d'ouro que era o carro da minh'Alma, Transviarão pelo deserto, muribundos de Luar - E eu só me lembrarei num baloiçar de palma... Nos oásis, depois, hão de se abismar gumes, A atmosfera ha de ser outra, noutros planos: As rãs hão de coaxar-me em roucos tons humanos Vomitando a minha carne que comeram entre estrumes... Há sempre um grande Arco ao fundo dos meus olhos... A cada passo a minha alma é outra cruz, E o meu coração gira: é uma roda de côres... Não sei aonde vou, nem vejo o que persigo......

Külliye

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Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor. Escola é o lugar que se faz amigos. Não se trata só de prédios, salas, quadros, Programas, horários, conceitos... Escola é sobretudo, gente Gente que trabalha, que estuda Que alegra, se conhece, se estima. O Diretor é gente, O coordenador é gente, O professor é gente, O aluno é gente, Cada funcionário é gente. E a escola será cada vez melhor Na medida em que cada um se comporte Como colega, amigo, irmão. Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados” Nada de conviver com as pessoas e depois, Descobrir que não tem amizade a ninguém. Nada de ser como tijolo que forma a parede, Indiferente, frio, só. Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar, É também criar laços de amizade, É criar ambiente de camaradagem, É conviver, é se “amarrar nela”! Ora é lógico... Numa escola assim vai ser fácil!Estudar, trabalhar, crescer, Fazer amigos, educar-se, ser feliz. É...

Peculiar Ants

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Italian village workers making hats (1880) - Peter Severin Krøyer, one of the Skagens Painters On my cutting board, I discovered them, the tiniest of ants, roaming dots of lead. At first, they were too few to classify, hiding under crumbs, these scavengers of leftovers. Admiring their labor, I immediately granted them citizenship, these tailgaters of a kitchen's routines. In Miami, I had no stove, working far from my home. My wife was a midnight call to San Bernardino. While searching for crumbs, especially for the taste of apricot jelly, they fell into a line across my cutting board; I saw it again, saw the line my sixth-grade teacher drew on the board, pointing to each end. While he planted himself on his desk, he leaned his face toward us, telling us in a low voice: "You don't see it yet, you're too young still, but that line in front of you continues infinitely on either side. And if there is the slightest slope in that line, either ...

Carrie & Lowell

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"I believe that music is a spiritual language. My everyday self is pretty mundane and boring, but when I'm making music it allows for me to communicate a kind of transcendence that I can't communicate otherwise. I find in music there's a space and a language I can use to express things in ways I can't describe conversationally." "You know, I don't think my music is important, I don't think it's changing the world, I don't think it's art. I just think it's music. It is what it is. My music is just about story telling. I don't have much to say, and I'm not trying to change anyone's mind. I'm just singing through conviction about what I love and what I care about, starting with the very small." Sufjan Stevens

Gate Direction

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«O animal humano, como os outros animais, está adaptado para uma certa luta pela vida e quando, graças à sua riqueza, o homo sapiens pode satisfazer todos os seus desejos sem esforço, a simples ausência de esforço na sua vida afasta dele um elemento essencial de felicidade. O homem que adquire facilmente as coisas pelas quais sente apenas um desejo moderado, conclui que a realização do desejo não dá felicidade. Se tem disposição para a filosofia, conclui que a vida humana é essencialmente desprezível, pois o homem que tem tudo o que precisa ainda assim é infeliz. Esquece-se de que privar-se dalgumas das coisas que precisa é parte indispensável da felicidade.» Bertrand Russell - A Conquista da Felicidade, 1952 (Guimarães Editores)

Hyperion's Fate

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You walk up there in the light,      On floors like velvet, blissful spirits,          Shining winds divine              Touch you lightly                  As a harper touches holy                       Strings with her fingers.    Fateless as babes asleep        They breathe, the celestials.          Chastely kept In a simple bud,             For them the spirit                  Flowers eternal,                 ...

Poiesis

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Hoje um melro atravessou o pátio. Vi-o a passear tranquilo e a petiscar as migalhas dos vizinhos junto ao janelão da sala. Viu-me e saltou para o muro, revirou a cabeça e depois de algum tempo voltou, o atrevido, e continuou a picar e a mirar-me. Fez-me sorrir e lembrar que as noites mirabolantes com todos os envolvidos neste processo levaram-me a esgotar os recursos exteriores, agora só há mim, mim em autopoiese sem rede, sem fuga. Dos concertos e jantares em borderline, aos afters de reencontros sossegados com idas à biblioteca e universidade, testando a capacidade do lar em que a explosão de energia se fez sentir e o núcleo acalmou. São excessos de tudo: humidade, chuva, medo que concidem com as ausências estelares, de ordenamento e licenças (sem trabalho e a esgotar o rendimento) de onde resultam travagens bruscas, buscas por alimento, trânsito de estupefacientes e o sugo do corpo agarrado à roupa; começa aquela moinha dos dentes, o pingo no nariz, o frio nas têmporas ...