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A mostrar mensagens de abril, 2012

April Fool

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Come be my April Fool Come you're the only one Come on your rusted bike Come we'll break all the rules We'll ride like writers ride Neither rich nor broke We'll race through alleyways In our tattered cloaks so Come be my April Fool Come we'll break all the rules We'll burn all of our poems Add to God's debris We'll pray to all of our saints Icons of mystery We'll tramp through the mire When our souls feel dead With laughter we'll inspire Then back to life again Come you're the only one Come be my April Fool Come come Be my April Fool We'll break all the rules Patti Smith

Rice Hand

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Manifesto da Rede Soneto XVII No te amo como si fueras rosa de sal, topacio O flecha de claveles que propagan el fuego: Te amo como se aman ciertas cosas oscuras, Secretamente, entre la sombra y el alma. Te amo como la planta que no florece y lleva Dentro de si, escondida, la luz de aquellas flores, Y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo El apretado aroma que ascendio de la tierra. Te amo sin saber como, ni cuando, ni de donde, Te amo directamente sin problemas ni orgullo: Asi te amo porque no se amar de otra manera, Sino asi de este modo en que no soy ni eres, Tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mia, Tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño. Pablo Neruda , Cien Sonetos de Amor (1959) Amanhã

Measure for Measure

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“E disse-lhes: Atendei ao que ides ouvir. Com a medida com que medirdes, vos medirão a vós, e ser-vos-á ainda acrescentada. Porque, ao que tem, ser-lhe-á dado; e ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.” Evangelho de S. Marcos (4.24-25) Regresso das compras semanais de supermercados sem escolha nem consumidores, transporto-me por sistemas cada vez mais fechados e, a abarrotar em traçados parados, vias livres de comércio quase a serem portajadas de múltiplas fronteiras. Com a chegada da nova miséria, somos todos gregos e, a modos de pirataria, repito a porta larga e seu repasto frente à extinta sede da banda dos guises; na ausência do calor fraterno, (pre)sinto a mesma vocação do professor mattoso como um vírus a espalhar-se pelas criaturas transgressoras que se massacram e só penso na fuga pelo caminho da verdade – vou por estrada luminosa e coralina, de carne, sonho e bruma, vencendo as barreiras desta lógica partidária. “Ao contrário do que a generalidad...

Double Negative (艾未未)

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  Never Sorry "No último século, a construção industrial foi a mais importante e funcional atividade da humanidade. Mas, quando este tipo de atividade teve início, ninguém falava no seu valor artístico. A um nível muito alto, a indústria é a nossa religião. Ela foi a maior missão levada a cabo pela humanidade nos últimos 200 anos. Mas há várias centenas de anos tudo era muito diferente.  Daí que, se falarmos deste tipo de construções da perspectiva da civilização, elas adquirem grande valor [ transformação de grandes unidades industriais de Pequim em centros de arte ]. Infelizmente, pouca gente pensa assim. E não falo só do povo chinês. Digo que o homem é um animal de vistas curtas. É um animal que deita abaixo a ponte depois de ter atravessado o rio. Chama exaustivamente a atenção para aquilo de que precisa mas, quando já não precisa disso, muda a sua decisão. São características intrínsecas ao ser humano que tanto valem para a China como para o resto do mundo. Só di...

Ocupy (All)Street

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"Sobre la libertad o esclavitud de negros africanos e indígenas americanos es significativa una marcada diferencia en las declaraciones papales. En el siglo quince diversas bulas y decretos papales - Dudum cum ad nos (1436) y Rex Regum (1443), de Eugenio IV, Divino amore communiti (1452) y Romanus Pontifex, (1455), de Nicolás V, Inter caetera (1456) de Calixto III y Aeterni Regis (1481) de Sixto IV -, letras apostólicas de cruzada, algunas, de conquista evangelizadora otras, avalaron y legitimaron la servidumbre forzada de los africanos negros llevada a cabo por la corona portuguesa. Por el contrario, la bula Inter caetera (1493) de Alejandro VI insiste en la conversión de los nativos americanos, suponiendo su libertad, y la Sublimis Deus (1537) de Pablo III proclama esa condición y amenaza con la excomunión a quien los esclavice. Como español y hombre de iglesia, por consiguiente, Las Casas se sentía firmemente compelido a protestar a viva voce contra la esclavitud in...

Macht Frei

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[…] Valadares ( surpreendido ) – Que se passa? Há algum problema? Três já fazem comissão… Jerónimo ( com serenidade que cobre uma exaltação profunda ) – Está uma revolução na rua. Que é que o jornal vai fazer? Quando é que começam a ir originais para dentro? ( Toda a gente se põe de pé, estupefacta. Torres e Cláudia simulam o melhor que podem. De todos os lados rompem exclamações, e as pessoas aproximam-se do centro. Os três tipógrafos estão sereníssimos ) Valadares – O quê? Uma revolução? ( Olha para os jornalistas, desconcertado. ) Vocês não… Que raio quer isto dizer? Se é brincadeira, fiquem sabendo… Josefina – É capaz de ser outro boato. Afonso – Não é boato. É verdade. Jerónimo, Damião – O que é que o jornal vai fazer? Valadares – Esperem lá, esperem lá… Deixem-me pensar. Como foi que vocês tiveram conhecimento? Quem foi que lhes disse? Damião – Soubemos. Quem foi, ou donde foi, não interessa. Não é boato, nem brincadeira. É verdade. E a sério. Fonse...

Then Farewell

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Quis saber quem sou O que faço aqui Quem me abandonou De quem me esqueci Perguntei por mim Quis saber de nós Mas o mar Não me traz Tua voz. Em silêncio, amor Em tristeza e fim Eu te sinto, em flor Eu te sofro, em mim Eu te lembro, assim Partir é morrer Como amar É ganhar E perder. Tu vieste em flor Eu te desfolhei Tu te deste em amor Eu nada te dei Em teu corpo, amor Eu adormeci Morri nele E ao morrer Renasci. E depois do amor E depois de nós O dizer adeus O ficarmos sós Teu lugar a mais Tua ausência em mim Tua paz Que perdi Minha dor Que aprendi. De novo vieste em flor Te desfolhei... E depois do amor E depois de nós O adeus O ficarmos sós. Retirado daqui

Credo (Sub)version

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De pé, cantar, que vamos triunfar Avançam já bandeiras de unidade Já vão crescendo brados de vitória E tu verás teu canto e bandeira, florescer A luz de um rubro amanhecer, Milhões de braços fazendo a nova história. De pé, marchar, que o povo vai triunfar Agora já ninguém nos vencerá Nada pode quebrar nossa vontade E num clamor mil vozes de combate nascerão Dirão, canção de liberdade; Será melhor a vida que virá. E agora, o povo ergue-se e luta Com voz de gigante, gritando avante O povo unido jamais será vencido O povo está forjando a unidade De norte a sul, na mina e no trigal Somos do campo, da aldeia e da cidade Lutamos unidos pelo nosso ideal, sulcando Rios de luz, paz e fraternidade Aurora rubra serás realidade De pé, cantar, que o povo vai triunfar Milhões de punhos impõem a verdade De aço são, ardente batalhão E as suas mãos levando a justiça e a razão Mulher, com fogo e com valor Estás aqui junto ao trabalhador. E agora, o povo ergue-se e ...

Euro Bond

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"A Europa tem larguíssima responsabilidade no tipo de soluções encontradas, invariavelmente tardias. E quando toma as decisões, já está desajustada das necessidades. É uma permanente corrida atrás das realidades." "Temos uma enorme crise de qualidade de lideranças e do ponto de vista económico, a Europa é mais ultraliberal do que os EUA. Percebe-se no Parlamento Europeu a violência do conflito ideológico, ao mesmo tempo que cresce a olhos vistos o criticismo e mecanismos de egoísmo brutais." Faleceu a uma semana de cumprir 54. Paz!

Future Throne

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Sem Limites Apenas para um jantar, pensado e repetido, mas agora de aniversário com estreia da filha catita, revisitar os casais e trazê-los à realidade que cada novo tempo se vai traduzindo na calma do sentir (espero que serenidade); pelas ruas que fazem o antigo passeio de santa apolónia ao cais do sodré, com reparo na inscrição do celeiro real, por baixo da oliveira em frente à casa pronta a usar, a iluminação da conceição velha, as linhas do eléctrico a serem limpas para completar a nova praça, um arsenal abandonado de lojas fechadas e vandalizadas e todas as linhas suburbanas feitas com a lentidão do passeio marítimo e exemplar dos espaços actuais. Encontro na paróquia natal com a festa do coro, visitamos a piramidal exposição da dádiva forçada de obras como forma dos artistas pagarem os seus impostos, recebemos bijuteria e naperons na quermesse, atravessamos o jardim na foz da ribeira de barcarena com patos, peixes e controle biofelino de outras pragas, a primeira estação ...

In(ter)vention

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"Arribo, ahora, al inefable centro de mi relato; empieza, aqui, mi desesperación de escritor. Todo lenguaje es un alfabeto de símbolos cuyo ejercicio presupone un pasado que los interlocutores comparten; ¿cómo transmitir a los otros el infinito Aleph, que mi temerosa memoria apenas abarca? Los místicos, en análogo trance, prodigan los emblemas: para significar la divinidad, un persa habla de un pájaro que de algún modo es todos los pájaros; Alanus de Insulis, de una esfera cuyo centro está en todas partes y la circunferência en ninguna; Ezequiel, de un ángel de cuatro caras que a un tiempo se dirige al Oriente y al Occidente, al Norte y al Sur. (No en vano rememoro esas inconcebibles analogias; alguna relación tienen com el Aleph.) Quizás los dioses no me negarían el hallazgo de una imagen equivalente, pero este informe quedaría contaminado de literatura, de falsedad. Por lo demás, el problema central es irresoluble: la enumeración, siquiera parcial, de un conjunto infinito. En es...

Itchy Issues

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"Daqui a bocado partimos. Estamos outra vez perto da frente, e as granadas dá-lhes outra vez para aparecerem. Chove, não faz lá muito frio e o jipe não anda bem. Vamos descer e continuar a pé. Parece que já lhes cheira que isto vai acabar. Não sei como é que o vêem, mas cá por mim gostava de safar-me o melhor possível. Ainda há sítios onde a gente apanha uns apertões. Não se pode prever o que nos espera. Dentro de quinze dias tenho outra licença e já escrevi à Jacqueline para esperar por mim. Talvez seja asneira, pois a gente não deve deixar-se prender. Continuo de pé em cima da mina. Esta manhã saímos em patrulha e eu ia em último lugar, como é costume; todos lhe passaram ao lado mas senti o estalido debaixo do pé e parei logo. Só rebentam quando se tira o pé. Joguei aos outros o que trazia nos bolsos e disse-lhes para se irem embora. Estou sozinho. Devia esperar que voltassem, mas disse-lhes para não virem; e podia experimentar atirar-me para o chão, de barriga p...

Spirit's House

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«Escrevo, ela escreveu, que a memória é frágil e o trânsito de uma vida é muito breve e sucede tudo tão depressa que não conseguimos ver a relação entre os acontecimentos, não podemos medir a consequência dos actos, acreditamos na ficção do tempo, no presente, no passado e no futuro, mas também pode ser que tudo aconteça simultaneamente...»   Jeremy Irons quer salvar Lisboa «A minha avó escreveu durante cinquenta anos nos seus cadernos de anotar a vida. Guardados por alguns espíritos cúmplices, salvaram-se por milagre da pira infame onde morreram tantos outros papéis da família. Tenho-os aqui, a meus pés, atados com fitas de cores, separados por acontecimentos e não por ordem cronológica, tal como ela os deixou antes de se ir embora. Clara escreveu-os para que me servissem agora para resgatar as coisas do passado e sobreviver ao meu próprio espanto. O primeiro é um caderno com delicada caligrafia infantil. Começa assim "Barrabás chegou à família por via marítima......

Sinestesic Lab

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Despachar-me para deixar o carro onde sempre e subir a colina com estações sobre A cidade em vistas deslumbrantes, entendido agora (neste plano de sudoeste) os precisos posicionamentos de todos os referentes edificados; pelo calvário matinal escuto ao alto os actos dos santos na capela cercada, torneando-a de palavras e trazendo dois pequenos e jovens ramos de plátano e carvalho, recém-quebrados pela ventania. E dali sopro forte nos afazeres e redundo na outra, entre o futuro mercado, a casa sarmento, o posto fechado e conventos das domínicas, igreja da misericórdia e após pausa esclarecedora, ficam de fora as celebrações da fortaleza rumo à fábrica asa com o laboratório de curadoria como a pintura que vi a iniciar, posta em concreto nas estruturas e paredes que formam a tenda de projeção – a minha fronteira é um muro interminável de pontos – entre espaços para ateliers e estendais a descoberto, leio num baloiço interior e subo no elevador industrial para o piso da exposição ...

Notti Bianche

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“Li esta carta diversas vezes. As lágrimas toldavam-me os olhos. Por fim, caiu-me das mãos e escondi o rosto. - Meu menino! Eh, meu menino! – disse Matriona. - Que foi, velhota? - Já tirei a teia de aranha do tecto. Agora até já te podes casar, se quiseres convidar amigos, tudo irá ficar em ordem. Fitei Matriona. Era uma mulher ainda cheia de vivacidade, uma velha jovem; mas, não sei porquê, pareceu-me de súbito com o olhar baço, com rugas no rosto, curvada, estragada. Não sei porquê, subitamente, pareceu-me que o quarto envelhecera como Matriona. Paredes e soalho estavam sem cor, tudo ficara turvo e obscuro; pareceu-me que as teias de aranha se tinham multiplicado. Não sei porquê, ao olhar através da janela pareceu-me que, por seu turno, o prédio em frente também escurecera, que o reboco das suas colunas se esboroava e caía, que as cornijas tinham enegrecido e aberto fendas e que as paredes, de um amarelo carregado e gritante, tinham perdido a cor. Ou, então, um raio de...

Both Selves

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«A narração da história de vida não é, com efeito, uma mera narração histórica da vida mais ou menos objectiva. Da mesma forma que a selecção que no quarto de arrumos fazemos das nossas recordações e das nossas marcas no passado não é feita em função do passado para melhor o compreendermos, mas em função do presente para melhor o transformarmos, também aquele que narra a sua história de vida seleciona e articula as suas experiências em função de um presente ou  em função dos traços ainda difusos de um projecto. É esta dimensão projectual que importa aprofundar na interpretação e análise das histórias de vida. Como assinala Michel Fabre , embora esta análise não mude a história, pode mudar “a relação do sujeito com a sua história: ela permite evitar as ilusões do fatalismo e da omnipresença da liberdade e da responsabilidade individual”, se se inscrever no “registo da expressividade”, e instaurar uma dialética entre o passado e o futuro imprescindível para o indivíduo, para além d...

perdre précieux

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"Mas uma coisa é iluminar o passado ou reactivá-lo, fazendo-o dialogar com o presente. Outra é a simulação. A replicação. A estilização superficial. De todas as áreas criativas, aquela onde existe maior consciência da emergência de uma verdadeira indústria da nostalgia talvez seja a da música popular, pela sua força disseminadora e pela velocidade com que apreende o que se passa à volta, ao mesmo tempo reflectindo e impulsionando o sentir premente dos tempos actuais.[...] É isso que Simon Reynolds, jornalista e ensaísta inglês a viver em Los Angeles, proclama em Retromania : pop culture's addiction to its own past , obra em que explora a obsessão actual pela história da cultura popular. "Graças à Internet, o passado está disponível para todos. No caso da música popular é fácil escutar tudo, ou quase tudo, o que foi gravado, o que contribui para que nunca deixemos verdadeiramente de lado o passado", dizia-nos aquando do lançamento do livro."Dessa forma é difí...

Alchimia Argentea

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Al despedirse del Astrólogo, éste le dijo: -Véngase el miércoles a las cinco. A la noche tendremos reunión. No se olvide de comprarse un traje de confección mientras le hacen los otros. No falte, que estará el Buscador de Oro, el Rufián y otros. Cambiaremos ideas y acuérdese de que tengo mucho interés en la cuestión de los gases asfixiantes. Hágase un proyecto para fábrica reducida de cloro y fosgeno. Ah, y a ver si puede averiguar qué diablo es el gas mostaza. Destruye cualquier substancia que no esté protegida por un impermeable empapado en aceite. - El fogeno es oxicloruro de carbono. - No pierda tiempo, Endorsain. Una fábrica chica. Que puede servir de escuela de química revolucionaria. Recuerde que nuestras actividades se pueden dividir en três partes. El Buscador de Oro estará encargado de lo relacionado com la colonia, usted com las industrias, Haffner com los prostíbulos. Ahora que tenemos dinero no hay que perder tiempo. Es necesario que trabaje. ¿Qué me dice usted si ...

Züri - Beograd

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Aix, 26 de Maio de 1904 Mas insisto sempre no seguinte: o pintor deve dedicar-se inteiramente ao estudo da natureza e esforçar-se para produzir quadros que sejam lições. As conversas sobre arte são quase inúteis. O trabalho que leva à realização de um progresso no nosso ofício é uma compensação suficiente por não sermos compreendidos pelos imbecis. O literato exprime-se com abstrações, ao passo que o pintor concreto o faz por meio do desenho e da cor, as suas sensações, as suas percepções. Não somos nem escrupulosos demais, nem sinceros demais, nem submissos demais à natureza; mas somos mais ou menos senhores do nosso modelo e sobretudo dos nossos meios de expressão. Penetrar o que se tem diante de si e perseverar em se exprimir o mais logicamente possível. “Jeune garçon au gilet rouge” (1888-89) Aix, 23 de Dezembro de 1904 Aqui está, sem contestação possível - tenho plena certeza: no nosso órgão visual produz-se uma sensação óptica que nos faz classif...

Exquisit Denial

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"Esse reconhecimento consiste em uma anamnese. Para se dar a ilusão de solidez e preservar-se do espectro da dissolução e da barbárie, o mundo pré-moderno tenta se esquecer das origens líquidas e flamejantes dos seus precários cristais e toma o poema como mais sagrado do que a poesia. É esse o fetichismo primordial. Só os grandes poetas, bem mais próximos da Loucura e do Caos e do Oceano e do Abismo do Céu e da Ira, jamais se esqueceram da verdade que se reconhece na modernidade. Em outras palavras, todo artista criativo sempre foi e é moderno. Conversamente, moderno é o ponto de vista da criatividade. Ora o artista não evita nem procura mas produz o novo: e não o produz a partir de positividade, pertença ou contemporaneidade alguma, ainda que recém-nascida, mas do que antes nem sequer se constituíra em presença, isto é, a partir da absoluta negação. Do seu ponto de vista, a novidade não passa de uma expressão abstrata da singularidade que discrimina e distingue s...

Passover

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The Last Supper - A Study of the Painting by Leonardo Da Vinci "Não posso dizer que a comunicação com os Fonsteins tenha cessado. Exceptuando Jerusalém, não tivemos mais nenhuma. Esperei durante trinta anos voltar a vê-los. Eram excelentes pessoas. Admirava Harry. Sólido e corajoso, aquele Harry! Quanto a Sorella, era uma mulher com grandes dotes de inteligência e, nestes tempos democráticos, quer se tenha ou não consciência disso, estamos continuamente à procura de tipos mais elevados. Toda a gente sabe o que significa produtos-tipo e peças permutáveis, compreende a acção dos glaciares na acção social, sabe o que é aplanar as elevações, limar as irregularidades. Não vou ser maçador com isso. Sorella era invulgar (ou, como diz um dos meus netos, «sai do vulgar»). Claro, por isso, queria vê-la mais. Mas não vi nada. Ela ficava no armazém das intenções. Ia dar-me com os Fonsteins - escrever-lhes, telefonar-lhes, convidá-los para o Dia de Acção de Graças ou para o Na...

Sweetest Taboo

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"A vida nem sempre é fácil, meus amigos! Em Julho de 2006, ocorre uma pequena calamidade. A rodagem do filme, prevista para o mês seguinte, é adiada para data incerta. Falta dinheiro à produção para um argumento exigente, a ser rodado no interior de Portugal durante as festas de Agosto, e opções de casting ao realizador. Rapidamente recuperado do choque, este decide partir para o terreno com uma câmara de 16 mm e uma equipa composta por cinco elementos – pequena mas brava! – e filmar tudo aquilo que lhe parecesse digno de registo, comprometendo-se a reformular a ficção em conformidade. Esta história e as que se lhe seguiram poderão encontrá-las no filme; embora, por amor à verdade, se deva reconhecer que as aparências iludem e que certos realizadores têm uma propensão genética para a mistificação. Documentário? Ficção? A meio deste filme vemos uma ponte: a ponte romana de Coja sobre o rio Alva, da qual se atira Paulo “Moleiro”. Sem querer parecer Confúc...

Gratia Plena

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Tlaloc - Teotihuacan Mural Art: Assessing the Accuracy of its Interpretations "Todas as civilizações meso-americanas acreditavam na existência de um mundo sobrenatural, um reino do Além-mundo ao qual tinham acesso as almas dos defuntos. Um fresco encontrado num túmulo em Teotihuacan, que foi durante vários séculos centro de culto ao Deus da Chuva e da Fertilidade – mostra o «Paraíso de Tlaloc», em cujo centro se pavoneia a divindade. Este paraíso é concebido como um mundo aquático destinado a acolher as almas dos guerreiros." Escrita Maia – Retrato de uma civilização através dos seus símbolos (por Maria Longhena     - traduzido do italiano por Vítor Manuel Gomes dos Santos) Pg. 147 Mondadori Arte 2012 Bosnian War Despertar ameno pelo ar arrefecido, mãe adormecida e a calma do cartaz azul com mensagem explícita: “deixe aqui a sua marca”; a senhora (possivelmente empregada doméstica) de calças rosa aguarda que alguém abra a porta do jardim. Pouca gente n...

Drained Flesh

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Glen Hague E saí do aeroporto do antigo primeiro-ministro (que, vivendo a sua história de amor sem preconceitos, morreu assassinado), transportado por casais amigos, surpreendendo a guis no seu pré-aniversário com a ajuda da ambra na bagageira, surpreendido pelo tempo oposto da costa sul. Antes o museu com a cúpula local do convento, galeria, atelier, bateria e fábrica, palmeiras descabeçadas; depois um arroz vermelho de lingueirão com ovas e carapauzinhos fritos na ilha, uma sesta ao entardecer pelas horas de espera debaixo do trovejamento e do apartamento renovado, chegada dos familiares e jantar no porto da quarteira que prepara as provas do seu triatlo. Amanhecer no quarto enamorado com criança a parabenizar, discussões fraternas e rali por entre as grades e via portajada, com percurso na margem esquerda do arade, a piscatória Ferragudo que avista a nova metrópole e banquete moderno como integrante de pequena praia entre arribas e estacas, fazendo parte dos seus co...