Shelter Inquisition
Se deu-me Amor a dor e tal sufoco, do fino cravo a história e a vida breve, secou a flor e a mim mantém-me em febre sem fim que me sustenha por suposto. Detém-me o passo, obscurece o rosto desta que teve (em tempos) olhar leve! De tudo que irradia a alma despede pairando na vigília do sol posto. O que me espreita? Só ranço e desgosto! Fechada nesta cela que a luz despe, a voz confusa, o sentimento tonto, fixo a memória que não desvanece, percorro o dom inebriado e solto que (mesmo morto) ainda não falece. Soneto Enclausurado Velho sofá de taquara da casa da Curuzu, em cujas varas circula antiga emoção! Lugar de aguardas o obscuro, de acolhê-lo nos túneis e nas veias. Passeia nos seus ocos de bambu (trafega em mim ainda) a vida subterrânea, a da saia de godê — vincada de afagos do namoro vigiado, engomada de pudor. Ah que saudade desse assento onde conheci o meu primeiro prazer de baixo! Vida Cava A maçã na mesa: pomo de discórdia. Abuso da minha inteligência porque quero conhecê-la com...