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A mostrar mensagens de junho, 2016

Nacht Wacht

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Rembrandt van Rijn - De Nachtwacht (1642) Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão, puxaste-me para os teus olhos transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua, ainda apanhámos o crepúsculo. As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar diferente inundava a cidade. Sentei-me nos degraus do cais, em silêncio. Lembro-me do som dos teus passos, uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas, e a tua figura luminosa atravessando a praça até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é, o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali, continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha essa doente sensação que me deixaste como amada recordação.   in "A Partilha dos Mitos" Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a manhã da minha noite. É verdade que te podia dizer: «Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem, sermos o que sempre fomos, mudar...

Átimo Sempre

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O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu na noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta lá. José Saramago - Viagem a Portugal (1984) Mais do que saber, isto é o que pressinto: que entre o nevoeiro algo se oculta e que apenas o pode ver quem sabe exactamente ao que vem; que é preciso estar vigilante para surpreender o momento instantâneo em que, entre a nuvem espessa, todas as coisas ocultas se fazem visíveis, apenas um átimo antes que tudo se dissolva e o sol toque, enfim, as águas. Aqui venho,pois, um dia atrás do outro e aqui me deixo estar à espera que o túnel branco se instale sobre ...

Anyone Else

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You're a part time lover and a full time friend The monkey on your back is the latest trend I don't see what anyone can see, in anyone else But you Here is the church and here is the steeple We sure are cute for two ugly people I don't see what anyone can see, in anyone else But you We both have shiny happy fits of rage I want more fans, you want more stage I don't see what anyone can see, in anyone else But you You are always trying to keep it real, and I'm in love with how you feel I don't see what anyone can see, in anyone else But you I kiss you on the brain in the shadow of a train I kiss you all starry eyed, my body's swinging from side to side I don't see what anyone can see, in anyone else But you The pebbles forgive me, the trees forgive me So why can't you forgive me? I don't see what anyone can see, in anyone else But you Du du du du du du dudu Du du du du du du dudu Du du du du du du dudu du I don...

Dong_Gara

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Egídio Santos - Braga 1991 A Sibila é mais do que um personagem. Tem sido estudada à luz do materialismo histórico e do feminismo mais obstinado; foi vista como iluminada, como Nemésis vingativa, como complexada, como histérica, como simples mulher descarnada dos seus afectos e tardiamente reconciliada com o amor, o sexo e o drama que tudo isso envolve. Mas o que não foi dito é que a Sibila é uma experiência viva e, portanto, um mito. Ela vive a sua própria experiência, e para isso tem de romper todos os seus laços, excepto os que a ligam ao seu povo. Não cede à razão, ao tempo privado que significa um amigo ou um amante; que significa mesmo a majestosa e doce sombra paterna. Ela está preparada para a experiência, que é uma purificação através do elemento mítico: o laço com a terra. Alfred Rethel - Nemesis (1837) Nunca é oportuno falar de nós. Penso muitas vezes que adiamos continuamente as nossas contas com a própria vida; adiamos o nosso retrato, e só rara...

please to serve

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Santo António de Lisboa , Auto-retrato de Aurélia de Souza (13 de junho de 1866 | 29 de maio de 1922) Toda naturaleza es un anhelo de servicio. Sirve la nube, sirve el viento, sirve el surco. Donde haya un árbol que plantar, plántalo tú; Donde haya un error que enmendar, enmiéndalo tú; Donde haya un esfuerzo que todos esquivan, acéptalo tú. Sé el que aparta la piedra del camino, el odio entre los corazones y las dificultades del problema. Hay una alegría del ser sano y la de ser justo, pero hay, sobre todo, la hermosa, la inmensa alegría de servir. Qué triste sería el mundo si todo estuviera hecho, si no hubiera un rosal que plantar, una empresa que emprender. Que no te llamen solamente los trabajos fáciles Es tan bello hacer lo que otros esquivan! Pero no caigas en el error de que sólo se hace mérito con los grandes trabajos; hay pequeños servicios que son buenos servicios: ordenar una mesa, ordenar unos libros, peinar una niña. Aquel que critic...

Palavra

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Hearts of the Revolutionaries: Passage of the Planets of the Future (1955) - Joseph Beuys Alto estou a teu lado no verão deitado Alto no esplendor de possuir-te e trocarmos silenciosamente os frutos mais fundos da morte Como se navegasse um rio por dentro e na tua fragilidade encontrasse a minha força Um caminho rigoroso de silêncio Fuga in 'Mesa do Amor' (1970) Peço a paz e o silêncio A paz dos frutos e a música de suas sementes abertas ao vento Peço a paz e meus pulsos traçam na chuva um rosto e um pão Peço a paz silenciosamente a paz a madrugada em cada ovo aberto aos passos leves da morte A paz peço a paz apenas o repouso da luta no barro das mãos uma língua sensível ao sabor do vinho a paz clara a paz quotidiana dos actos que nos cobrem de lama e sol Peço a paz e o silêncio in "Jardins de Guerra" (1966) O problema não é meter o mundo no poema; alimentá-lo de luz, planetas, vegetação. Nem tão-po...

Table de Chevet

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I Was Made To Love Magic A manhã com as suas proibições na tua fala. A claridade estava a crescer numa cama que já se tinha atravessado no escuro como uma nave enfileirando para a guerra. Eu não tinha ficado para conhecer a vista das tuas janelas: imaginava um pátio riscado por ervas mas não cheguei a levantar as persianas. Talvez fosse um sítio ao qual não se pudesse regressar porque quando falávamos os nossos olhos não coincidiam com nenhuma palavra. Teria gostado de te levar comigo outra vez mas era difícil recuperar as razões para o desejo. E no caso de nos ter acontecido uma mudança, onde é que havíamos de procurar os seus indícios? Estavas a dar de comer aos peixes e eu só falava em livros. in 'Música Antológica & Onze Cidades' (1997) Morangos No começo do amor, quando as cidades nos eram desconhecidas, de que nos serviria a certeza da morte se podíamos correr de ponta a ponta a veia eléctrica da noite e acabar na praia a comer ...

舞踏

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The spirit was gone from her body Forever had always been inside That shell had always been intertwined And now were disintwined It's hard to understand «No princípio lembro-me: estava ao colo de alguém. Havia um terreiro, uma casa ao fundo, ou no meio, isolada. Nem árvores, nem arbustos, só um corvo esgravatava, na terra vermelha, como um borrão saltitante. E o sol. Meio-dia, talvez. Porque a luz vinha de todos os lados, e na casa não se distinguia um refúgio, uma sombra: desenho trémulo, sem protuberâncias nem reentrâncias que, de vez em quando, um golpe de vento parecia arrastar. — É ali. A minha chegada são estas palavras, com a sua clareza, ditas por ninguém. Voz sem corpo que soava um pouco atrás de mim, voz sem nome, sem sexo. Voz que afastava as coisas. Que me começou a perseguir, que me continuou a perseguir, que ainda me persegue. Voz que estará, no instante da minha morte, a dizer-me: — é ali. Eu tinha nove meses e não deveria lembrar-me. ...