Silver Place
Com o homem começa o invisível. O que se diz é o que se esconde, os olhos giram para bem longe da sua fome. O homem enche a sua fome de poemas, os seus poemas de sonhos de amor, os seus sonhos de amor de coisas impossíveis, como a eternidade ou o lugar perfeito onde nos deitaremos a ouvir o pensamento dos pássaros, a água que corre aflita com medo de ser pouca no chão tanto, com a loucura do mundo a crescer no nosso sexo, no nosso pensamento, com o mundo a crescer vibrante a cada instante, por dentro de nós, em nós, por fora de nós, sem parar, sem memória, sempre, sem fim, sem infinito, para lá das coisas que nos vencem, para lá do sonho, nesse lugar além de tudo quanto pode ser dito, de tudo quanto foi dito, além da história do que somos, da vida que vivemos, todos, incluindo os mortos, os que ainda não nasceram, os que se vendem, por dinheiro ou excesso de tristeza, os que acreditam na vida, na beleza, na utilidade prática da arte, na invencibilidade do amo...