Surface Albedo
Dormindo a sono solto, Em seu leito de areia, Exposta ao sol ardente que a beijava, Formosa dama aos olhos se mostrava De quantos a supunham ser sereia... Dormia só!? Sonhava!? Era, pois, esta a ideia Que qualquer dos mirones projectava; E que, de quando em vez, Ela um sorriso dava, Como quem sonha, e a sonhar vive... Uma odisseia. De súbito, estremunhada, Acordou a jovem dama Espreguiçando o corpo como em cama De cetim, fofa, Que o prazer entende... Então, ousado, a sós, Perguntei eu com quem sonhava... Fitou-me, rindo, e respondeu: - Com todos os encantos de Esposende! Em Suave-Mar - Boanerges Cunha (1972) [...] Esposende tinha duas almas: a do sul, que era piscatória, e a do norte, que era banhista. Uma era feita de gente natural e misteriosa, com dramas e alegrias rápidas, como se um vento cínico e audaz, vindo de muito longe, talhasse a sua história. A alma do sul já existia quando o reizinho D. Sebastião jogava às laranjas com os seus cortesãos — e as comia. Porque o prínci...