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A mostrar mensagens de março, 2017

Hunted Manz

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Cada vez é mais difícil escrever sobre o que os outros escrevem, cada dia é mais complicado apartar do monturo alguma coisa que possa ter ainda préstimo. A literatura é agora, como ciclicamente aconteceu noutras épocas, hangar de desperdícios onde se acumulam dejectos, miudezas, ossos podres. Atrás da cerca espreitam trapeiros na mira de selecionarem o mais facilmente transacionável. Tudo o que a maioria aplaude ou rejeita conforme o condicionamento. Coisas fáceis que poderão apreender sem investimento, o que traduz nenhuma suspeita ou interrogação sobre a ordem do mundo. Mensagens sempre mais pobres diluindo-se em formas sempre mais básicas. Cultura de semi-analfabetos para semi-analfabetos batendo nas costas em sinistro jogo de espelhos. A pouco e pouco a rasura irá completar-se na ausência de escolhos, tesoura gigante aparando as desordens do medianíssimo contorno. Evita-se assim o perigo de rupturas ou derramamentos e poder-se-á depositar, sem temor, a desminada cultura nas mãosd...

varṇa-saṅkaraḥ

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Krishna & Arjuna O Krishna, I do not desire the victory, kingdom, or the happiness accruing it. Of what avail will be a kingdom, pleasures, or even life itself, when the very persons for whom we covet them, are standing before us for battle? Teachers, fathers, sons, grandfathers, maternal uncles, grandsons, fathers-in-law, grand-nephews, brothers-in-law, and other kinsmen are present here, staking their lives and riches. O Madhusudan, I do not wish to slay them, even if they attack me. If we kill the sons of Dhritarasthra, O Janardan, what satisfaction will we derive from the dominion over the three worlds, what to speak of this Earth? O Maintainer of all living entities, what pleasure will we derive from killing the sons of Dhritarasthra? Even though they may be aggressors, sin will certainly come upon us if we slay them. Hence, it does not behoove us to kill our own cousins, the sons of Dhritarashtra, and friends. O Madhav (Krishna), how can we hope to be happy by...

Belle Personne

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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo. Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado [sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Toda a gente qu...

Pleasure

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Get what I want And still it's a mysterious thing that I want So when I get it I make sense of a mysterious thing 'Cause I've taken flight on such a serious wing I, and you are the same and Either fiction or dreaming We know enough to admit We know enough to admit We know enough to admit It's my pleasure And your pleasure It's my pleasure And your pleasure Oh, an echo calls up the line An indication of time Our togetherness That is how we evolved We became our needs Ages up inside Escaping similar pain Dreaming safe and secure Generations in line Old and then the youth Come to meet or fade A chromosomal raid Built by what we got built for As much as what we avoid So the mystery lifts We know enough to admit We know enough to admit It's my pleasure And your pleasure It's my pleasure And your pleasure That's the same That's what we're here for! Pleasure, it's my pleasure It's my pleasure, it's my pleasure That's what we...

Bassin d'un Faune

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A indústria do luxo, o comércio de objectos antigos e de colecção, a criação de fundações e de museus, as artes e a cultura, a patrimonialização e o turismo: tudo isto faz parte dessa economia que tende a criar “ bassins ” – bolsas – de enriquecimento (por exemplo, lugares onde há uma concentração de edifícios de culto, por vezes uma cidade inteira). Em certos casos, essas bolsas são induzidas por aquilo a a que Boltanski e Esquerre chamam “patrimonialização provocada”. Foi o que aconteceu em Bilbau, uma cidade outrora industrial, resgatada para a arte contemporânea e para o turismo cultural através da implantação do museu Guggenheim, projectado pelo arquitecto Frank Gehry. Esta nova economia que injecta valor mas não produz nada explica que os profissionais da cultura tenham duplicado nas últimas duas décadas, informam os autores do livro; e explica também o funcionamento do sistema contemporâneo do mercado da arte e das exposições. Boltanski e Esquerre dedicam um bom número d...

Treny Chess

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All Heraclitus' tears, all threnodies And plaintive dirges of Simonides, All keens and slow airs in the world, all griefs, Wrung hands, wet eyes, laments and epitaphs, All, all assemble, come from every quarter, Help me to mourn my small girl, my dear daughter, Whom cruel Death tore up with such wild force Out of my life, it left me no recourse. So the snake, when he finds a hidden nest Of fledgling nightingales, rears and strikes fast Repeatedly, while the poor mother bird Tries to distract him with a fierce, absurd Fluttering — but in vain! the venomous tongue Darts, and she must retreat on ruffled wing. "You weep in vain," my friends will say. But then, What is not in vain, by God, in lives of men? All is in vain! We play at blindman's buff Until hard edges break into our path. Man's life is error. Where, then, is relief? In shedding tears or wrestling down my grief?[ Lament 1 from Jan Kochanowski 's Laments Kochanowski with dead ...

Atonement Cleft

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Que espécie de animal transformaria a sua vida em palavras? A que propósito esta expiação? - e contudo, ao escrever palavras como estas, estou também a viver. Anda isto tudo perto dos sinais uivados dos glutões, essa modulada cantata das selvas? ou, quando não estou contigo tento criar-te em palavras, estarei simplesmente a servir-me de ti, como de um rio ou de uma guerra? E como me servi de rios, como me servi de guerras para fugir de escrever sobre a pior coisa de todas - não os crimes dos outros, nem mesmo a nossa própria morte, mas não sermos capazes de desejar a nossa liberdade com tal paixão que ulmeiros com moléstia, rios doentes, massacres parecessem meros emblemas dessa profanação de nós próprias? VII What kind of beast would turn its life into words? What atonement is this all about? —and yet, writing words like these, I'm also living. Is all this close to the wolverines’ howled signals, that modulated cantata of the wild? or, when away ...

Parecer Exangue

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Está um dia branco e enevoado e a auto-estrada sobe em direcção a um céu exangue. Há quatro faixas que vão para norte e nós rolamos na terceira e há carros à frente e atrás e de ambos os lados, embora não demasiados e não demasiado próximos. Quando chegamos ao alto da subida, algo acontece e os carros começam a avançar vagarosamente, dir-se-ia que alheios à vontade dos condutores, deslizando em silêncio, suavemente, na superfície horizontal. Tudo é lento e enevoado e exangue e tudo acontece em torno do verbo parecer . Todos os carros, incluindo o nosso, parecem fluir num movimento dissociado, dando a impressão ou ostentando essa aparência, e a auto-estrada corre num sussurro branco. De repente, essa atmosfera dissipa-se. O ruído e a pressa e a confusão regressam e tornamos a envergar a nossa vida, sentindo aquele peso doloroso no peito. Ela encarou aqueles dias como os primeiros depois do regresso. Nos primeiros dias depois do regresso, reabasteceu a despensa e borrifou ...

soul strength

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The strength of a woman is her kindhearted ways that she forever displays. It’s her loving confident smile that takes you to the highest place with the glimpse of determination shone upon her face. The strength of a woman is the amazing ability to withstand pain bring life into this world even if the man does not want to entertain. It’s the ability to raise her child on her own when the man left her all alone to support them until they are grown. The strength of a woman is the intrinsic style to protect like a child without being hostile. It’s the humble heart she shows that warms a soul when your spirits feeling low. The strength of a woman knows how to restrain her tongue when insults are being flung. It’s the lovely expression she conveys with the eyes and respect for herself...she does not denies. The strength of a woman is the devoted traits she has standing by her man side when problems arise. It’s her inspirational words she gives her mate making h...

Civil Union

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Não sou ilhéu desta ilha segunda nem tempestade aqui me reteve não é o mar que me torna ilhéu nem mesmo sei se essa natureza é ou será alguma vez minha segunda pele talvez fosse preciso rasgar a carne (aqui ou em qualquer outra parte) descer mais fundo sem rumo ser ou não daqui não é destino somos todos apátridas se um corpo não se une ao nosso e funda um lugar o meu sortilégio é apenas este ser corpo noutro corpo aqui eu ser ilha nele e ele em mim. Adormeceste para fugir ao passado e tive vontade de te morder a boca inebriar-me com o seu sabor a laranjas da toscânia onde passeámos em sonhos que foram meus e que tomaste emprestados certas noites num quarto de hotel fechado por cortinas desbotadas pelo sol adormeci e sonhei que tudo isto se passou exactamente assim e acrescentei-lhe campos de madressilvas e becos sem saída e luzes amarelas que faziam tudo parecer dolorosamente verdadeiro como o sangue a escorrer de forma acidental do teu polegar direito a únic...

Vie Impudent

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“Finding yourself in a hole, at the bottom of a hole, in almost total solitude, and discovering that only writing can save you. To be without the slightest subject for a book, the slightest idea for a book, is to find yourself, once again, before a book. A vast emptiness. A possible book. Before nothing. Before something like living, naked writing, like something terrible, terrible to overcome.” ― Writing (1993) “Years after the war, after marriages, children, divorces, books, he came to Paris with his wife. He phoned her. It's me. She recognized him at once from the voice. He said, I just wanted to hear your voice. She said, it's me, hello. He was nervous, afraid, as before. His voice suddenly trembled. And with the trembling, suddenly, she heard again the voice of China. He knew she'd begun writing books, he'd heard about it through her mother whom he'd met again in Saigon. And about her younger brother, and he'd been grieved for her. Then he didn't k...

Elf's Theory

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El duende es un poder y no un obrar, es un luchar y no un pensar. Yo he oído decir a un viejo maestro guitarrista: “El duende no está en la garganta; el duende sube por dentro desde la planta de los pies.” Es decir, no es cuestión de facultad, sino de verdadero estilo vivo; es decir, de sangre; es decir, de viejísima cultura, de creación en acto. Ángel y musa vienen de fuera; el ángel da luces y la musa da formas ( Hesíodo aprendió de ellas). Pan de oro o pliegue de túnicas, el poeta recibe normas en su bosquecillo de laureles. En cambio, al duende hay que despertarlo en las últimas habitaciones de la sangre. La verdadera lucha es con el duende. Para buscar al duende no hay mapa ni ejercicio. Solo se sabe que quema la sangre como un trópico de vidrios, que agota, que rechaza toda la dulce geometría aprendida, que rompe los estilos, que se apoya en el dolor humano que no tiene consuelo[...] La llegada del duende presupone siempre un cambio radical en todas las fo...