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A mostrar mensagens de 2020

Dubro Rebel

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Cai o sol nas ramadas. O sol, esse Van Gogh desumano... E telas amarelas, calcinadas, Fremem nos olhos como um desengano. A cor da vida foi além de mais! Lume e poeira, sem que o verde possa Refrescar os craveiros e os tendais De uma paisagem mais secreta e nossa. Apenas uma fímbria namorada, Vermelha e roxa, se desenha ao fundo O mosto de uma eterna madrugada Que vem do incêndio refrescar o mundo. Douro in "Diário I" Suor, rio, doçura. (No princípio era o homem ...) De cachão em cachão, O mosto vai correndo No seu leito de pedra. Correndo e reflectindo A bifronte paisagem marginal. Correndo como corre Um doirado caudal De sofrimento. Correndo, sem saber Se avança ou se recua. Correndo, sem correr, O desespero nunca desagua ... Corre, caudal sagrado, Na dura gratidão dos homens e dos montes! Vem de longe e vai longe a tua inquietação... Corre, magoado, De cachão em cachão, A refractar olímpicos socalcos De doçura Quente. E deixa na paisagem calcinada A imagem desenhada Dum ve...

Prestidigitation

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Afinal o que importa não é a literatura nem a crítica de arte nem a câmara escura   Afinal o que importa não é bem o negócio nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio   Afinal o que importa não é ser novo e galante - ele há tanta maneira de compor uma estante   Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício e cair verticalmente no vício   Não é verdade rapaz? E amanhã há bola antes de haver cinema madame blanche e parola Que afinal o que importa não é haver gente com fome porque assim como assim ainda há muita gente que come   Que afinal o que importa é não ter medo de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente: Gerente! Este leite está azedo!   Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo   No riso admirável de quem sabe e gosta ter lavados e muitos dentes brancos à mostra Pastelaria Uma corda. Uma garganta. Duas dores. O Infinito Um...

Drama Symptoms

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"Não vai ser fácil esquecer o que está a acontecer. Estamos numa zona de transição. Não só afecta o estilo de vida, como a imaginação. Como Albert Camus descreveu em A Peste , num primeiro momento, a pandemia é experienciada com medo, mas também como euforia, uma excitação sombria que nos mantém juntos. As expectativas são idênticas: um regresso rápido à chamada vida normal. Mas o tempo vai passando e, numa segunda onda pandémica, como a de agora, os laços vão sendo quebrados. Há mais impaciência e depressão. As expectativas vão sendo frustradas. E surge revolta, agressividade, totalitarismos. Nos últimos dias, no horizonte, surgiu a vacina. Que tanto pode funcionar física e psicologicamente de forma benigna, como agravar a situação actual se não se cumprirem esperanças, entretanto activadas. O mesmo acontece com o mundo digital onde nos temos movimentado. É unânime a ideia de que as nossas relações serão cada vez mais intermediadas pela tecnologia. Talvez. Mas surgirão também vag...

Λακε Δαίμων

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«Le socialisme se propose comme un progrès, et jamais peut-être on ne tenta un plus hardi retour au passé le plus reculé. Jamais, en effet, les doctrines socialistes n’ont été plus près de leur avènement que chez les nations théocratiques de l’antiquité. Quand la loi indienne fait sortir du dieu Brahma la société toute constituée, de sa tête les prêtres, les guerriers de ses bras, de ses cuisses les agriculteurs, et de ses pieds les esclaves, elle fait tout ce que rêvent plusieurs modernes. Elle fait l’apothéose de l’État, la classification des hommes par un pouvoir supérieur qui juge souverainement de leur capacité et de leurs œuvres, l’organisation du travail sous une discipline qui ne laisse place ni à la concurrence, ni à la misère, ni à tous les désordres de la liberté personnelle.  C’était la condition de tout l’Orient, avec cette conséquence qu’en détruisant la liberté des personnes on supprimait la propriété qui en est l’ouvrage, et en même temps le rempart. La législation ...

Corona Vibes

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[...] Agora, um novo vírus da família dos coronavírus está entre nós. A sua propagação inicial ocorreu a partir da China desde o final de 2019. Foi contido em vários países através de medidas de confinamento, distanciamento social e uso de máscara, e só nos resta esperar que, continuando com a aplicação dos mesmos meios de protecção, os esperados recrudescimentos subsequentes não suplantem as primeiras vagas nos vários sítios do planeta. A nossa vida mudou. A economia está a ressentir-se. A política passou a ter outras prioridades. A ciência virou-se para um novo foco. À ética foram colocados novos desafios. À arte impôs-se um novo tema. A religião foi afectada. Passados mais de seis meses sobre o começo da epidemia causada pelo novo coronavírus, que em 11 de Março de 2020 se tornou em pandemia, sabemos hoje muito mais sobre a doença do que no seu início. Os primeiros casos reportados na China em Dezembro de 2019 pareciam pneumonias, tendo sido considerados pneumonias atípicas. Vendo b...

Ubiquitous Ponderous

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I watch the woods for deer as if I’m armed. I watch the woods for deer who never come. I know the hes and shes in autumn rendezvous in orchards stained with fallen apples’ scent. I drive my car this way to work so I may let the crows in corn believe it’s me their caws are meant to warn, and snakes who turn in warm and secret caves they know me too. They know the boy who lives inside me still won’t go away. The deer are ghosts who slip between the light through trees, so you may only hear the snap of branches in the thicket beyond hope. I watch the woods for deer, as if I’m armed. My Autumn Leaves Never mind what you think. The old man did not rush Recklessly into the coop the last minute. The chickens hardly stirred For the easy way he sang to them. Red sun is burning out Past slag heaps of the mill. The old man Touches the blade of his killing knife With his fat thumb. I’m in the backyard on a quilt Spread out under the heavy dark plums He cooks for his whiskey. He walks among the hen...

Moist Emergency

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A emergência é o melhor aliado das atividades que requerem rapidez e pouca visibilidade para prosperarem - e a Europa não tem qualquer plano para travar as operações de branqueamento de capitais e o boom dos empréstimos usurários desencadeados pela pandemia. As máfias estão a aproveitar-se da crise para movimentarem mais rapidamente o seu capital. Os controlos diminuíram. É uma verdade não reconhecida: a luta contra o branqueamento de capitais consegue funcionar num contexto económico positivo e saudável, mas, quando falta dinheiro, quando o consumo entra numa espiral interminável de crise, o dinheiro serve sempre, sem olhar à sua origem. Quando falta o pão, não se pergunta de que forno sai, se é legal ou ilegal. É uma regra antiga e bem conhecida das máfias. Pensar que as organizações criminosas são apenas um problema italiano é o mesmo que pensar que um vírus pode ser um fenómeno local e permanecer imóvel num sítio, fechado na sua bolha. O que acontece nestas circunstâncias com o di...

Suspended Pragmatism

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 (...) Contamos os mortos, em conferências de imprensa. Os recuperados, os infectados. Os números. E, curiosamente, num tempo em que a nossa vida parece meia suspensa - sem o barulho e o contacto de outros tempos, sem desvarios nem danças, com um medo de que tudo entre em colapso, o dinheiro, o emprego, a saúde, com todos à espera do fim disto -, a voragem acentuou-se, os dados, as notícias, os estudos. A pandemia consumiu tudo. O mundo inteiro engolido. O pequeno vírus microscópico engoliu-nos. As notícias são a pandemia, as conversas são a pandemia, os medos são a pandemia, as regras são a pandemia, as transgressões são a pandemia, e tentamos acompanhar tudo como se estivéssemos a ver, às apalpadelas no escuro. (...) Vou menos aos restaurantes, aos cafés, às esplanadas, vou menos ao cabeleireiro, às lojas, não vou a bares, não falo com bêbados com oráculos enigmáticos, não conheço estranhos que me intrigam, não danço, ando menos de transportes públicos, convivo muito menos com to...

Contagious Madness

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Falta de ar nos gemidos dos "ais" A febre, seus fantasmas, seus terrores Sem pressa, passo a passo, mais e mais A besta avança pelos corredores O médico caminha com cautela Estuda as artimanhas do inimigo A enfermeira brava vence o medo Pouco lhe importa a extensão do perigo O mundo está zerando ao Deus dará O povo não se entrega é cabra cega É lá e cá sem lei, sem mais aviso Só sei que é preciso acreditar Fazemos todos parte desta história Mesmo que os tontos blefem com a morte Num jogo de verdades e mentiras Um jogo duplo de azar e sorte A ciência abre as suas asas A esperança à frente como um guia Com São João na reza, a pajelança A intervenção de Xangô na magia Neste canto aqui da poesia Casa da fantasia e da razão Abre-se a porta e entra um novo dia Pela janela a dentro um coração A voz de um bardo a bordo da alvorada O sol da aurora secando o pulmão Ano passado se eu morri na estrada Vai que esse ano não morro mais não É pra montar no lombo da toada Desembarcar do trem ...

Calamity Jay

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They used to call her a trigger happy bitch grippin’ one no no two ivory handled revolvers gettin’ buck-rowdy like Wild Bill lickin’ up the last drops of red liquor in saloons and this gal she got the sepia skin she ain’t beauty queen she ain’t Oakley girl with a western show like a damned act grinnin’ at Cody blowin’ kisses like magic and tuhdah no sir-not her-this gal-she got some dirt on her boots got some grit in her teeth and she patrols the whole frontier peelin’ back scabs from her tiny bruised knuckles before she cracks them pop poppoppop ohhh right on the nose goddamn you motherfuckers don’t tussle with her fringes don’t rub trouble on her coonskin cap she will clench her six shooters in her fists like oooh-yeahyeahyeah-uhuh and squishy explosions of heads splatter when she squeezes out that bangbangbang it makes her grin like shit her mama said she used to be the sweetest thing martha jane pink cheeks blonde curls yes sir the cutest shin kickin’ spit spatterin’ lil’ lady of t...

Survival Tide

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When you and I, like all things kind or cruel, The garnered days and light evasive hours, Are gone again to be a part of flowers And tears and tides, in life's divine renewal, If some grey eve to certain eyes should wear A deeper radiance than mere light can give, Some silent page abruptly flush and live, May it not be that you and I are there? Survival - Edith Wharton Not, I’ll not, carrion comfort, Despair, not feast on thee; Not untwist — slack they may be — these last strands of man In me ór, most weary, cry I can no more. I can; Can something, hope, wish day come, not choose not to be. But ah, but O thou terrible, why wouldst thou rude on me Thy wring-world right foot rock? lay a lionlimb against me? scan With darksome devouring eyes my bruisèd bones? and fan, O in turns of tempest, me heaped there; me frantic to avoid thee and flee? Why? That my chaff might fly; my grain lie, sheer and clear. Nay in all that toil, that coil, since (seems) I kissed the rod, Hand rather, my hea...

Dedans Dehors

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Que l’apparition du visage dans le miroir soit accueillie par une mimique de jubilation, loin de mettre en mouvement, comme le pense Lacan, la dialectique de l’identification à l’autre, marque en fait le point culminant d’un long processus de projection dont le but est de constituer dans sa différence le visage de l’autre auquel le sujet s’est d’abord identifié. « L’assomption jubilatoire » acquiert alors une triple signification : elle est achèvement de la coupure primordiale du dedans et de dehors ; elle est dépassement de l’inquiétante étrangeté primitivement liée à la perception du double ; elle est confirmation du primat absolu de cette même perception. (...)  L’opposition corps réel – corps imaginaire ne renvoie pas à des entités séparées mais à deux fonctions qui correspondent à l’absence et à la présence d’un imaginaire que médiatise la projection. Par conséquent, ce sont deux manières d’appréhender comme une et multiple, la même réalité soustraite au dualisme psyché-soma....

Averno

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Nos fins do outono uma rapariga deitou fogo a um trigal. O outono fora muito seco; o campo ardeu como palha. Depois não sobrou nada. Se o atravessávamos, não víamos nada. Nada havia para colher, para cheirar. Os cavalos não compreendem – Onde está o campo, parecem dizer. Como tu ou eu a perguntar onde está a nossa casa. Ninguém sabe responder-lhes. Não sobra nada; resta-nos esperar, a bem do lavrador, que o seguro pague. É como perder um ano de vida. Em que perderias um ano da tua vida? Mais tarde regressas ao velho lugar – só restam cinzas: negrume e vazio. Pensas: como pude viver aqui? Mas na altura era diferente, mesmo no último verão. A terra agia como se nada de mal pudesse acontecer-lhe. Um único fósforo foi quanto bastou. Mas no momento certo – teve de ser no momento certo. O campo crestado, seco – a morte já a postos por assim dizer. Paisagem #3* - Louise Glück *Terceira parte do poema “Landscape”, de Averno (2006), traduzido por Rui Pires Cabral.  Publicado no n.º 12 da re...

Mutatis Mutandis

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In a day, sometimes I feel so much love for the world, I think my heart is bursting. Sometimes, I feel so scared, I want to shrink myself even further. I think that’s what happened to us gods and goddesses. Like the dinosaurs, we realized that it’s too dangerous to be so large. So we kept shrinking ourselves to what we are now. We might get even smaller. I see the sign in the engineers making smaller gadgets, smaller and smaller. Pretty soon, our fingers will be too large to operate them. So what are we doing? I trust in the human wisdom. We are incredibly intelligent beings. So we might know something without thinking that we know…. Well, even my best friend didn’t know until now that I was thinking of crazy things like this. “New Works of Yoko Ono” , Carnegie Recital Hall, Nova Iorque (21 março, 1965); Foto: Minoru Niizuma I usually stay away from being carried away, But one day I saw a silver horse. I thought he might take me to that somewhere high, I thought he might take me to th...

Practical Possum's

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  The Naming of Cats is a difficult matter,      It isn’t just one of your holiday games; You may think at first I’m as mad as a hatter When I tell you, a cat must have THREE DIFFERENT NAMES. First of all, there’s the name that the family use daily,      Such as Peter, Augustus, Alonzo, or James, Such as Victor or Jonathan, George or Bill Bailey—      All of them sensible everyday names. There are fancier names if you think they sound sweeter,      Some for the gentlemen, some for the dames: Such as Plato, Admetus, Electra, Demeter—      But all of them sensible everyday names, But I tell you, a cat needs a name that’s particular,      A name that’s peculiar, and more dignified, Else how can he keep up his tail perpendicular,      Or spread out his whiskers, or cherish his pride? Of names of this kind, I can give you a quorum,      Such as Munkustrap, Quaxo, or Co...

Krāsu Lauks

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Untitled (Black on Grey), 1970 The romantics were prompted to seek exotic subjects and to travel to far off places. They failed to realize that, though the transcendental must involve the strange and unfamiliar, not everything strange or unfamiliar is transcendental. The unfriendliness of society to his activity is difficult for the artists to accept. Yet this very hostility can act as a lever for true liberation... Both the sense of community and of security depend on the familiar. Free of them, transcendental experiences become possible. I think of my pictures as dramas; the shapes in the pictures are the performers. They have been created from the need for a group of actors who are able to move dramatically without embarrassment and execute gestures without shame. Neither the action nor the actors can be anticipated, or described in advance. They begin a an unknown adventure in an unknown space.. .Ideas and plans that existed in the mind at the start were simply the doorway throu...

Postwar Contention

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Jean Piaget (Neuchâtel, 9 de Agosto de 1896 - Genebra, 16 de Setembro de 1980) “Para começar, Mons. Ricœur disse que a própria noção de coordenação de valores tem um significado e que, por conseguinte, construir uma sabedoria significa pensar; devemos, pois, voltar ao problema “kantiano”: o que é o homem? Saber, fazer e esperar. Creio que posso acompanhar, do princípio ao fim, o que Ricœur afirma, no sentido de eu nada mais ter querido dizer, quando disse que a filosofia não é um conhecimento, mas uma sabedoria — ou seja, que ela vai para além dele. Existe uma parte de conhecimento, mas, quando dizemos Saber, Fazer, Esperar, há mais do que conhecimento, há uma parte de decisão e há uma parte de compromisso. A sabedoria é esta mistura de decisão, por um lado, e de conhecimento, por outro, mas de conhecimento indispensável, sem o qual já não seria filosofia, mas sim crença pura e simples, subjectivismo mais ou menos total. Se há filosofia, é claro que há...

Jãonado

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Não se aprende grande coisa com a idade. Talvez a ser mais simples, a escrever com menos adjectivos. Demoro-me a escutar um rumor. Pode ser o prelúdio tímido ainda do cantar de um pássaro, uma gota de água na torneira mal fechada, a anunciação do tão amado aroma dos primeiros lilazes. Seja o que for, é o que me retém aqui, me sustenta, impede de ser uma qualquer vibração da cal, simples acorde solar, um nó de luz negra prestes a explodir. Não se aprende grande coisa com a idade Aqui onde o exílio dói como agulhas fundas, esperarei por ti até que todas as coisas sejam mudas. Até que uma pedra irrompa e floresça. Até que um pássaro me saia da garganta e no silêncio desapareça. Espera Cala-te, a luz arde entre os lábios, e o amor não contempla, sempre o amor procura, tacteia no escuro, essa perna é tua?, esse braço?, subo por ti de ramo em ramo, respiro rente á tua boca, abre-se a alma à lingua, morreria agor...

aequi noctium

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“It occurred to her, sadly, and not for the first time, that as you grew older you became busier, and time went faster and faster, the months pushing each other rudely out of the way, and the years slipping off the calendar and into the past. Once, there had been time. Time to stand, or sit, and just look at daffodils. Or to abandon housekeeping, on the spur of the moment, walk out of the back door and up the hill, into the lark-song emptiness of a summer morning.” “Death is nothing at all. It does not count. I have only slipped away into the next room. Nothing has happened. Everything remains exactly as it was. I am I, and you are you, and the old life that we lived so fondly together is untouched, unchanged. Whatever we were to each other, that we are still. Call me by the old familiar name. Speak of me in the easy way which you always used.” “Grief is a funny thing because you don't have to carry it with you for the rest of your life. After a bit you set it dow...

Apká Whitaker

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Uma nuvem se aproxima do cartão postal Feito um convidado que ninguém quer receber Mas quando ele vem não quer mais sair No sorriso debochado, estaciona ali Ouviram do Ipiranga, quem foi que ouviu? Eu não vi Estava a sombra de um coqueiro num céu azul anil E o tempo fechou e ninguém viu Derrubando a rima fez-se então frio no Brasil Parem de forçar o verão, oh Parem de forçar o verão «A sigla para “Música Popular Brasileira” é perfeita. O problema é o que associam a ela e como isso ficou categorizado. Eu achava que eu era MPB, e até hoje poderia ser. Mas, na verdade, a gente descobriu que existiam cortinas, camadas onde você precisaria flertar com certo tipo de unidade. Eu mesma, mantendo a minha questão brasileira, me questionava sobre colocar um beat ou uma guitarra. É uma conversa que pode seguir até pelo lado do Tropicalismo, pela questão antropofágica. No fim das contas, não sei porque a MPB tem que ter um elemento mais tradicional, mais clássico. Aí acon...

Bendita

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Também eu já Senti não haver Lugar ou espaço Esperança para ter... Também eu sei Da raiva a nascer Por tantos gritos Ter que conter... Mas sei também que fora de nós Não há salvação Resta-nos então Dar asas ao que se inventa Finge, esquece, engana o desencanto Brinda, por ti, por hoje e por enquanto Finge, esquece, engana o desencanto Brinda, por ti... Também eu já Estive sozinha Entre tanto fel Erva daninha Mas vi também que fora de nós Não há salvação Resta-nos então Dar asas ao que se inventa Radio Macau / Margarida Pinto

Moralia Vindication

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“A amizade e a felicidade doméstica são continuamente elogiadas; no entanto, quão pouco de ambas existe no mundo, pois manter desperta a afeição, mesmo nos corações, requer mais cultivo da mente do que supõem as pessoas comuns. Além disso, poucos gostam de ser vistos como realmente são; e um grau de simplicidade e de genuína confiança, que, para observadores desinteressados, quase roçaria a fraqueza, é o encanto, ou melhor, a essência do amor ou da amizade, fazendo reaparecer todos os deliciosos sortilégios da infância. Para meramente exercitar a sensibilidade, gosto de ver juntas pessoas que nutrem afeição uma pela outra; cada sua mudança de feições me toca e permanece retratada na minha imaginação com indeléveis traços. O gosto da novidade é, no entanto, necessário para despertar as simpatias frouxas que têm sido banais no mundo; assim como é o comportamento factício, falsamente denominado boa educação, para divertir aqueles que, falhos de gosto, confiam continuamente, para ...

Sonho

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 I dream’d in a dream, I saw a city invincible to the attacks of the whole of the rest of the earth; I dream’d that was the new City of Friends; Nothing was greater there than the quality of robust love—it led the rest; It was seen every hour in the actions of the men of that city, And in all their looks and words. Walt Whitman Take this kiss upon the brow! And, in parting from you now, Thus much let me avow — You are not wrong, who deem That my days have been a dream; Yet if hope has flown away In a night, or in a day, In a vision, or in none, Is it therefore the less gone? All that we see or seem Is but a dream within a dream. I stand amid the roar Of a surf-tormented shore, And I hold within my hand Grains of the golden sand — How few! yet how they creep Through my fingers to the deep, While I weep — while I weep! O God! Can I not grasp Them with a tighter clasp? O God! can I not save One from the pitiless wave? Is all that we see or seem But a dream within a dream? Edgar Allan ...