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A mostrar mensagens de setembro, 2017

Lying Radar I

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- Meu caro Vivian, não fiques engaiolado na biblioteca todo o dia. Está uma tarde absolutamente adorável. O ar é belíssimo. Há uma neblina sobre o bosque que é como a floração roxa da ameixa. Vamos deitar-nos na relva, fumar cigarros e gozar a Natureza. - Gozar a Natureza! Fico contente por poder dizer-te que perdi por completo a capacidade de o fazer. As pessoas dizem-nos que a Arte nos leva a amar a Natureza mais do que antes a amávamos, que nos revela os seus segredos, e que, depois se um estudo cuidadoso de Corot e de Constable, nos faz ver coisas nela que antes haviam escapado à nossa atenção. A minha experiência pessoal é que, quanto mais estudamos a Arte, menos nos interessamos pela Natureza. O que a Arte realmente nos revela é a ausência de ordem na Natureza, as suas cruezas bizarras, a sua extraordinária monotonia, o seu estado irreparavelmente inacabado. A Natureza está cheia de boas intenções, é claro, mas, como disse uma vez Aristóteles, é incapaz de as pôr em prátic...

주체

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[...] Que importa um nome a esta hora do anoitecer em São Luís do Maranhão à mesa do jantar sob uma luz de febre entre irmãos e pais dentro de um enigma? mas que importa um nome debaixo deste teto de telhas encardidas vigas à mostra entre cadeiras e mesa entre uma cristaleira e um armário diante de garfos e facas e pratos de louças que se quebraram já um prato de louça ordinária não dura tanto e as facas se perdem e os garfos se perdem pela vida caem pelas falhas do assoalho e vão conviver com ratos e baratas ou enferrujam no quintal esquecidos entre os pés de erva-cidreira e as grossas orelhas de hortelã quanta coisa se perde nesta vida Como se perdeu o que eles falavam ali mastigando misturando feijão com farinha e nacos de carne assada e diziam coisas tão reais como a toalha bordada ou a tosse da tia no quarto e o clarão do sol morrendo na platibanda em frente à nossa janela tão reais que se apagaram para sempre Ou não? Não sei de que tecido é fei...

desideratum

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[...] A necessidade de uma existência universal ou infinita admitindo a realização dos com-possíveis supõe no fundo do eu a paz realizada, quer dizer, a aceitação do ser. A evasão pelo contrário, põe em questão precisamente esta pretendida paz consigo, pois que ela aspira a romper o encadeamento do eu a si. Ela evade-se do ser mesmo, do «si mesmo», e de forma alguma a sua limitação. Na evasão o eu evade-se não enquanto oposto ao infinito daquilo que ele não é ou daquilo que ele não virá a ser, mas ao facto mesmo que ele é ou que ele devém. As suas preocupações vão para lá da distinção do finito e do infinito, noções que aliás, não poderiam aplicar-se ao facto mesmo do ser, mas unicamente aos seus poderes e propriedades. O ser nada tem em vista a  não ser a brutalidade da sua existência que não coloca a questão do infinito. [...] O peso de ser esmagado por si mesmo que revelámos no fenómeno do desassossego, esta condenação a ser si mesmo anuncia-se também na impossibil...

Color Storm

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“The true aspiration of art should be to reduce the need for it. It is not that we should one day lose our devotion to the things that art addresses: beauty, depth of meaning, good relationships, the appreciation of nature, recognition of the shortness of life, empathy, compassion, and so on. Rather, having imbibed the ideals that art displays, we should fight to attain in reality the things art merely symbolises, however graciously and intently. The ultimate goal of the art lover should be to build a world where works of art have become a little less necessary.” “Growth occurs when we discover how to remain authentically ourselves in the presence of potentially threatening things. Maturity is the possession of coping skills: we can take in our stride things that previously would have knocked us off course. We are less fragile, less easily shocked and hence more capable of engaging with situations as they really are. [...] When you feel sad, you are participating in a venera...

Exaltation

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Yes, they are alive and can have those colors, But I, in my soul, am alive too. I feel I must sing and dance, to tell Of this in a way, that knowing you may be drawn to me. And I sing amid despair and isolation Of the chance to know you, to sing of me Which are you. You see, You hold me up to the light in a way I should never have expected, or suspected, perhaps Because you always tell me I am you, And right. The great spruces loom. I am yours to die with, to desire. I cannot ever think of me, I desire you For a room in which the chairs ever Have their backs turned to the light Inflicted on the stone and paths, the real trees That seem to shine at me through a lattice toward you. If the wild light of this January day is true I pledge me to be truthful unto you Whom I cannot ever stop remembering. Remembering to forgive. Remember to pass beyond you into the day On the wings of the secret you will never know. Taking me from myself, in the path Which the ...

Sipho Naptera

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De sílabas de letras de fonemas se faz a escrita. Não se faz um verso. Tem de correr no corpo dos poemas o sangue das artérias do universo. Cada palavra há-de ser um grito. Um murmúrio um gemido uma erecção que transporte do humano ao infinito a dor o fogo a flor a vibração. A poesia é de mel ou de cicuta? Quando um poeta se interroga e escuta ouve ternura luta espanto ou espasmo? Ouve como quiser seja o que for fazer poemas é escrever amor a poesia o que tem de ser é orgasmo. Poesia-Orgasmo É por dentro de um homem que se ouve o tom mais alto que tiver a vida a glória de cantar que tudo move a força de viver enraivecida. Num palácio de sons erguem-se as traves que seguram o tecto da alegria pedras que são ao mesmo tempo as aves mais livres que voaram na poesia. Para o alto se voltam as volutas hieráticas sagradas impolutas dos sons que surgem rangem e se somem. Mas de baixo é que irrompem absolutas as humanas palavras resolutas. Por de...