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A mostrar mensagens de julho, 2015

Never Moore

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Axes After whose stroke the wood rings, And the echoes! Echoes travelling Off from the center like horses. The sap Wells like tears, like the Water striving To re-establish its mirror Over the rock That drops and turns, A white skull, Eaten by weedy greens. Years later I Encounter them on the road... Words dry and riderless, The infatigable hoof-taps. While From the bottom of the pool, fixed stars Govern a life. Sylvia Plath

satisfaction

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Escrita fina quando corre ensina não dura um deserto que atravesse Pode ir sendo que demore um tempo mais tarde ou mais cedo lá me acerto Na lembrança o meu céu de criança a quem nunca se entrega um tom cinzento por momentos vem num pensamento e uma nuvem chove cá por dentro Quase nada (experimento o céu de negro que há de norte a sul) nunca me conforma (prometo-me a mim mesma mais de céu azul) a insatisfação (temo que haja pouco pra me contentar) nunca me abandona (mas nada me impede de tentar) Porque tento andar atrás no tempo e entender a chuva que acontece? Como por magia há sempre um novo dia e outra Lua Nova que anoitece Se a madrugada traz uma canção pouco importa que me insista hoje em "dia não" tomei o meu fastidio pra me atormentar pedras no meu trilho são pra me assentar Mesmo transformando o nosso que era meu seres a sorte do caminho que a vida escolheu canta que me afina, faz-nos avançar premeia-me o destino por...

Cool Aid

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O facto real da vida é que estamos de novo todos juntos sem se saber como nem porquê, é o imponderável que liga os seres e os deixa andar á deriva como pedaço de cortiça em praia batida pelo norte - o resto, se se quiser analisar, é uma babugem de relações sem eira nem beira ao deslizar da corrente que tanto vem dos outros lados do Atlântico como da disposição em cada um de nós. Os dias foram andando dentro de cada um de nós e na marcha de pormenores domésticos gastámos horas preciosas de nós mesmos. Acerca de comédias fizemos considerações pessoais e quando se tratava de analisar uma tragédia usufruíamos um gozo espiritual de dever cumprido sexualmente. Passaram-se anos, também não sei quantos. Houve uns que casaram, outros que ficaram para ornamento ímpar de jantares familiares e ainda outros que se ambulanteiam pelas esquinas do vício à procura de óleo para uma máquina donde se desprendeu já a mola real do entendimento. Afinal também não importa que o ritmo das coisas tenha sido o m...

Loup Garou

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Watchdog (40x30 inches) 1984 - George Rodrigue Negro, com os olhos em brasa, Bom, fiel e brincalhão, Era a alegria da casa O corajoso Plutão. Fortíssimo, ágil no salto, Era o terror dos caminhos, E duas vezes mais alto Do que seu dono Carlinhos. Jamais à casa chegara Nem a sombra de um ladrão; Pois fazia medo a cara Do destemido Plutão. Dormia durante o dia, Mas, quando a noite chegava, Junto à porta se estendia, Montando guarda ficava. Porém Carlinhos, rolando Com ele às tontas no chão, Nunca saía chorando Mordido pelo Plutão... Plutão velava-lhe o sono, Seguia-o quando acordado O seu pequenino dono Era todo o seu cuidado. Um dia caiu doente Carlinhos... Junto ao colchão Vivia constantemente Triste e abatido, o Plutão. Vieram muitos doutores, Em vão. Toda a casa aflita, Era uma casa de dores, Era uma casa maldita. Morreu Carlinhos... A um canto, Gania e ladrava o cão; E tinha os olhos em pranto, Como um homem, o Plutão. Depois, s...

Domination Vigilantia

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Ao atribuirmos, como faz o mau funcionalismo, os efeitos de dominação a uma vontade única e central, ficamos imposibilitados de apreender a contribuição própria que os agentes (incluindo os dominados) dão, quer queiram quer não, para o exercício da dominação por meio da relação que se estabelece entre as suas atitudes, ligadas às suas condições sociais de produção, e as expectativas e interesses inscritos nas suas posições no seio desses campos de luta, designados de forma estenográfica por palavras como Estado, Igreja ou Partido. A submissão a certos fins, significações ou interesses transcendentes, quer dizer, superiores e exteriores aos interesses individuais, raramente é efeito de uma imposição imperativa e de uma submissão consciente. É assim, porque os fins ditos objectivos, que só se revelam, no melhor dos casos, tarde demais e do exterior, nunca são apreendidos e postos como tais de modo imediato, na própria prática, por nenhum dos agentes, nem mesmo pelos mais interessado...

Family Lake

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Our love was my womb But our bond has broken My shield is gone My protection is taken I am one wound My pulsating body Suffering being My heart is enormous lake Black with potion I am blind Drowning in this ocean My soul torn apart My spirit is broken Into the fabric of all He is woven You fear my limitless emotions I am bored of your apocalyptic obsessions Did I love you too much Devotion bent me broken So I rebelled Destroyed the icon I did it for love I honoured my feelings You betrayed your own heart Corrupted that organ Family was always our sacred mutual mission Which you abandoned You have nothing to give Your heart is hollow I’m drowned in sorrows No hope in sight of ever recover Eternal pain and horrors I am a glowing shiny rocket Returning home As I enter the atmosphere I burn off layer by layer

Zwiebeln

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Digo: espaço ou uma receita qualquer que seja em vez Um espaço a sério ou terra de ninguém que não me chega o conquistado à custa de silêncios, armários e cebolas perturbantes A síncopes de mim construí um reduto mas não chega: nele definham borboletas e sonhos e as mesmas cebolas em vício se repetem Digo espaço ou receita qualquer em vez de mim Ah, quando eu escrevia de beijos que não tinha e cebolas em quase perfeição! Os beijos que eu não tinha: subentendidos, debaixo das cebolas (mas hoje penso que se não fossem os beijos que eu não tinha, não havia poema) Depois, quando os já tinha, de vez em quando cumpria uma cebola: pérola rara, diamante em sangue e riso, desentendido de razão Agora, sem contar: beijo ou cebolas? O que eu não tenho (ou tudo): diário surdo e cego: vestidos por tirar, camadas por cumprir: e mais: imperfeição Um céu e nada mais — que só um temos, como neste sistema: só um sol. Mas luzes a fingir,...

Gender Alliance

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«For politics to take place, the body must appear. I appear to others, and they appear to me, which means that some space between us allows each to appear. We are not simply visual phenomena for each other – our voices must be registered, and so we must be heard; rather, who we are, bodily, is already a way of being “for” the other, appearing in ways that we cannot see, being a body for another in a way that I cannot be for myself, and so dispossessed, perspectivally, by our very sociality. I must appear to others in ways for which I cannot give an account, and in this way my body establishes a perspective that I cannot inhabit. This is an important point because it is not the case that the body only establishes my own perspective; it is also that which displaces that perspective, and makes that displacement into a necessity. This happens most clearly when we think about bodies that act together. No one body establishes the space of appearance, but this action, this performative e...