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A mostrar mensagens de outubro, 2016

War Haus

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Babe you got it wrong This isn't me at all You're hitting on the wrong man Ain't that so Be true to what you are And to everything you swore Be true to me until I ask you for more Got down I'll never see your love Got down I'll never see your love Got down Enough of you Cause it's true if you believe It's not if you're not sure I'm sticking to the good lie Till I know more The best illusions that we make Got a warmth that we don't fake I'm sticking to the good lie That you can't shake Got down I'll never see your love Got down I'll never see your love Got down Enough of you You tell them got ... Got down I'll never see your love Got down I'll never see your love Got down Enough of you You want magic, count me in You want Jesus, well I’m not him You’re an angel or a whore Tell me who you’re working for Loving you isn’t easy you know But it’s a motherfucker not to do so   We Fuc...

Idade

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Self Portrait - Louise Bourgeois (1990) Drypoint, etching, and aquatint. «A meu parecer, que ponho aqui mais como poesia do que como matemática - mas qual é a diferença? - a viragem decisiva para a entrada em nova fase do mundo se deu com a constitução política de uma Península diversa e una; a qual, embora pensada e debatida nos séculos XIX e XX, só teve forma a partir dos fins do XXI todas as regiões ou nacionalidades ou etnias, como se queira, tiveram uma inteira autonomia sem que, no entanto, se desirmanassem; se puseram de acordo quanto às bases da economia, passando da noção de propriedade colectiva para a de não-propriedade, o que bem difícil seria de entender para homens de tempos anteriores, esses mais que passados e enterrados: o que significou que ninguém foi nunca mais dono disto ou daquilo, excepto naturalmente o que era de uso pessoal de cada um, inclusive as casas com seus jardins e campos de recreio: a trra não foi mais nem sequer de Portugal; Portugal e a...

Struwwel Peter

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Der Struwwelpeter (Zeichnung von Heinrich Hoffmann) Sou professor de instrução primária. Há dez anos que sou professor na Escola Primária de Tenancingo, Zac. Inúmeras crianças passaram pelas carteiras da minha aula. creio ser um bom mestre. Pensava-o até chegar esse tal Pancho Contreras. Não me ligava nenhuma e não aprendia nada, porque não queria. Os castigos, morais ou corporais, não surtiam o mínimo efeito. Olhava para mim com insolência. Eu suplicava. Punha-o fora da aula. Nada feito. Os outros miúdos começaram a fazer pouco de mim. Perdi toda a autoridade e o sono e o apetite, até ao dia em que, não aguentando mais, o enforquei na árvore do pátio, para servir de exemplo. Max Aub - Crimes Exemplares (1991) Cabaret Berlinn - FIMP

Generational Hug

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Helena Almeida - O Abraço, 2007 «Não temos alternativas fora da Europa (e, tanto quanto é possível presumir, fora do euro). Mas até onde será possível influenciar o curso dos acontecimentos — e chegar até ao objectivo indispensável da reestruturação da dívida, essa expressão ainda proibida — sem um eixo de aliados do Sul, da França à Itália, decididos a remar contra a maré? Em Itália, a estrela de Renzi está em queda e ameaça apagar-se no referendo de Dezembro, enquanto a França entrou em plena turbulência pré-eleitoral (para onde caminha também a Alemanha) com uma esquerda em agonia e uma direita acossada pelas sereias do extremismo (à excepção de Alain Juppé, o único candidato respeitável da direita às presidenciais de 2017). Pessimismo da razão, optimismo da vontade, preconizava Gramsci . Mas o optimismo da vontade será insuficiente se não tivermos a consciência do mundo próximo — e também longínquo — que nos envolve. Remar contra a maré, sempre, mas sem o pro...

Pilgrim

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«Billy Pilgrim detivera-se na floresta. Estava encostado a uma árvore de olhos fechados. Tinha a cabeça inclinada para trás e as narinas dilatadas. Parecia um poeta no Pártenon. Foi esta a primeira vez que Billy ficou volúvel no tempo. A sua atenção começou a oscilar extraordinariamente pelo arco completo que era a sua vida, passando para a morte, que era uma luz violeta. Não havia lá mais ninguém, nem mais nada. Havia apenas uma luz violeta - e um zumbido. Billy passou então novamente à vida, recuou até ao momento antes de nascer, que era uma luz vermelha e barulhos borbulhantes. E depois deslizou novamente até à vida e parou. Era menino e estava a tomar banho com o pai peludo em Ilium, na Associação Cristã da Mocidade. Sentia o cheiro a cloro da piscina na porta ao lado, ouvia o ressoar da prancha. O pequeno Billy estava aterrorizado, porque o pai tinha dito que ele ia aprender a nadar segundo o método do "afoga-te ou nada". O pai ia atirá-lo para a parte funda, e Billy i...

Wild Nights

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Jan Saudek  - The Story of Flowers, 1986–1988 Dos dias, sim, mas das noites quem pergunta pelo nome essas flores selvagens (seriam flores?) trazidas pelo teu assobio A beleza nunca é clara no modo em que se aproxima Somos com certas coisas um mundo ainda terrível incapaz de explicações sem nenhuma das certezas mesmo aquelas, ínfimas, que sustentam uma palavra, um olhar ou um grito Só nos resta a maneira mais pura: de igual para igual tão desconhecidos José Tolentino Mendonça

Roseau

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«Em 1975 já não se construía em Lourenço Marques. Tudo parou. Já não havia obras por onde enfiar cabos de electricidade, e, mesmo que as houvesse, seriam entregues aos cooperantes soviéticos, cubanos, do Báltico, não a um colono malvisto, com má fama, um passado manchado, preso por um fio. A pouco e pouco, os negros do meu pai desapareceram no caniço, porque já não havia trabalho. Não restou um. Nunca mais vi os pretos do meu pai. Na escola, o professor de Francês, era preto. Il était du Sénégal. Noir. Le français au noir! A História era a dos reinados anteriores a Gungunhana, essa etnia, e as outras, que eram muitas. E das guerras que travavam. Os bantu, os shona, os de Monomotapa. Os nguni, depois os zulus. Os brancos riam-se. Aquilo era a história dos pretos! Os pretos julgavam que tinham história! "A história dos macacos!" Em português escrevíamos poemas sobre o colonialismo, a explorção do homem pelo homem, a luta armada, o fim do lobolo, da religião...

助けて

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A chávena de chá  - Columbano Bordalo Pinheiro (1898) Óleo sobre madeira, 26 × 34 cm «Existe uma única diferença importante e profunda entre o modo como os Japoneses e os Ocidentais tratam o tempo: o tempo é imposto do exterior para os ocidentais. E mesmo que os horários e os valores como a pontualidade sejam interiorizados , o nosso sistema fundamental tem a sua origem no exterior do indivíduo. No Japão,é o contrário que é verdade: as origens do tempo estão no interior do indivíduo. Os homens de negócios estrangeiros, que visitam pela primeira vez o Japão, têm provavelmente a impressão que tudo se desenvolve segundo um programa rígido; mas eu não pude deixar de perceber aquilo que via nesse país como um artefacto da nossa civilização - uma caricatura técnica que se pediu emprestada para receber os Europeus e os Americanos. No Japão tudo muda em função de cada nova situação; por isso,o acento posto sobre o "situacional", característico da cultura japonesa, apres...

Tied Milk

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«Com efeito, uma determinada foto não se distingue nunca do seu referente (daquilo que representa), ou, pelo menos, não se distingue dele imediatamente ou para toda a gente (o que sucede com qualquer outra imagem, carregada à partida e por estatuto do modo como o objecto é simulado); perceber o significado fotográfico não é impossível (os profissionais conseguem-no), mas requer um segundo acto de saber ou de reflexão. Por natureza, a Fotografia (é necessário, por comodidade, aceitar este universal que, de momento, apenas remete para a repetição infatigável da contingência) tem qualquer coisa de tautológico: nela, um cachimbo é sempre um cachimbo, infalivelmente. La trahison des images - René Magritte (1928/9)  Oil on canvas 63.5 cm × 93.98 cm Dir-se-ia que a Fotografia traz sempre consigo o seu referente, ambos atingidos pela mesma imobilidade amorosa ou fúnebre, no próprio seio do mundo em movimento: eles estão colados um ao outro, membro a membro, como o condena...

unison integral

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The Black Art A woman who writes feels too much, those trances and portents! As if cycles and children and islands weren't enough; as if mourners and gossips and vegetables were never enough. She thinks she can warn the stars. A writer is essencially a spy. Dear love, I am that girl. A man who writes knows too much, such spells and fetiches! As if erections and congresses and products weren't enough; as if machines and galleons and wars were never enough. With used furniture he makes a tree. A writer is essencially a crook. Dear love, you are that man. Never loving ourselves, hating even our shoes and our hats, we love each other,  precious, precious . Our hands are light blue and gentle. Our eyes are full of terrible confessions. But when we marry, the children leave in disgust. There is too much food and no one left over to eat up all the weird abundance. From the Garden Come, my beloved, consider the lilies. We are of little faith....

Reckless Poetic

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«Anotava tudo num caderno, quando finalmente se levantava. Disse-me que era a primeira coisa que fazia, antes que os sonhos desaparecessem. Se demorasse mais ia esquecê-los, e isso não podia aceitar. Imaginei-a a escrevê-los, em camisa de noite, sentada na beira da cama, à luz do candeeiro porque ainda não abrira as janelas. Enquanto os anotava a noite prolongava-se, e aquela escrita minuciosa, numa caligrafia milimétrica que eu não conseguiria decifrar sem esforço. seria o ponto mais alto do seu dia. Uma nova página para cada sonho, começando sempre pela data. Uma espécie de calendário alternativo, em que só as noites contavam.E ler-me os sonhos tornara-se com o tempo o seu modo de partilhar a vida comigo.» Teolinda Gersão - Prantos, amores e outros desvarios (2016) «Era comum que suspeitasse ser adoptado. Um filho por caridade. Embora maturasse  pelo rosto do meu avô materno até estabilizar numa versão mais alongada do rosto do meu pai. Também me disse um amigo, a...