Tormenta Sinuosa
[...] Estava perplexo ao fundo do povo quando apareceu o professor Mário, sempre muito bem posto para a profissão e a localidade. Depois que se inteirou do que havia, meteu o braço no de Dedê e conduziu-o para sua casa. Para ele, era o ideal. Continuava a esvoaçar no seu horizonte o lenço vermelho. A casa era fraca, mas sempre tinha um quarto disponível. A mãe do professor, uma mulherzinha seca, mirrada, minuciosa, sabendo quanto ele era mãos rotas, tratou logo de lhe preparar a cama: – Vossa Senhoria, senhor Comendador, terá de perdoar. A casa é de pobres, mas limpa. Olhe que o não mordem pulgas nem percevejos! À noite vieram sucessivamente saudá-lo a família do Nagalho, depois a família do Aleixo, inclusive o moço de Canabrás, que andava a ajudar-lhes às ceifas, e o próprio Aleixo, reconciliado mercê dos bons serviços do novo escravo e dos dez contos, de que afinal se arvorara tesoureiro. Diamantino teve artes de dizer a Águeda: Você amanhã não vá às ceifas. E não foi. Do ...