Avia Divinatoria
Comecei a escrever um poema sobre ti, mas esqueci-me do teu rosto e do modo como o trazes à altura excessiva do chão. Regressei então aos meus mais comuns lugares e falei (como falo sempre) da morte que pratico sem razão à vista. Por este andar, não volto a encontrar o meu sonoro estilo adolescente, tão despido de certezas como de comércios literários, e torna-se-me difícil escrever um poema de amor apenas com os restos de quem fui e com o pouco que desse amor não tive. Hei-de voltar a ver-te, quem sabe?, traficado a imperícia sob o cronómetro dos meus ombros - e saberei então que os elétricos que se perdem conduzem invariavelmente a um poema alheio e que por isso, embora sem ser por isso, o nosso desencontro é uma estória inútil entre aspas de betão. Sessenta Quilos de Paixão E no entanto regressamos - aos becos onde o sangue insiste em não ser tocado e visto. À...