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A mostrar mensagens de julho, 2018

Corazón Desahuciao

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Hagamos una torre de minutos, apilemos los ratos que hemos podido vernos, hablarnos, sonreírnos, hacernos el amor, acariciarnos hasta el fondo del alma. Vamos a amontonar con cuidado infinito, para que no se caigan, esos segundos de alegría limpia que nos dieron la paz y las lágrimas dulces. Construyamos un frágil rascacielos que centellee al sol y resista las lluvias. La torre alcanzará las nubes. Pero nunca alzaremos a su lado otra torre con todos los minutos que no estuvimos juntos, con los días perdidos más allá de los mares y las noches pasadas abrazando otros cuerpos. Sería insoportable contemplar esa torre. Daría varias veces la vuelta al universo. La Torre Vamos a hacer limpieza general y vamos a tirar todas las cosas que no nos sirven para nada, esas cosas que ya no utilizamos, esas otras que no hacen más que coger polvo, las que evitamos encontrarnos porque nos traen los recuerdos más amargos, las que nos hacen daño, ocupan sitio o no qui...

Only Tourists

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On my desk there is a stone with the word “Amen” on it, a triangular fragment of stone from a Jewish graveyard destroyed many generations ago. The other fragments, hundreds upon hundreds, were scattered helter-skelter, and a great yearning, a longing without end, fills them all: first name in search of family name, date of death seeks dead man’s birthplace, son’s name wishes to locate name of father, date of birth seeks reunion with soul that wishes to rest in peace. And until they have found one another, they will not find a perfect rest. Only this stone lies calmly on my desk and says “Amen.” But now the fragments are gathered up in lovingkindness by a sad good man. He cleanses them of every blemish, photographs them one by one, arranges them on the floor in the great hall, makes each gravestone whole again, one again: fragment to fragment, like the resurrection of the dead, a mosaic, a jigsaw puzzle. Child’s play. The Amen Stone Visits of condolence is...

Dúbio Vagar

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Ao longo da vida vamos acumulando regras inúteis que incorporamos nas nossas vidas para reforçar a ilusão que mandamos nelas. Uma delas é: “Se estás atrasado, faz um intervalo e atrasa-te mais um bocadinho.” Se acordamos tarde e ainda é possível ter um dia normal, então está bem, vale a pena acelerar para poder cumprir o horário. Mas se já estamos irreversivelmente atrasados, mais vale tirar partido desse atraso e fazer de conta que dormimos mais uma hora para descansar essa hora a ler um livro ou observar as nuvens ou espremer umas laranjas para ter direito a um sumo imerecido. [...] O mal da pressa é que apressa tudo, incluindo o tempo que se poupa. Cultivar o vagar é mais difícil, mas a paciência recompensa. É um ansiolítico natural, assim como esperar quando se tem pressa é um enervante. É escusado fazer um esforço para se ter paciência. Ela acaba sempre por chegar, disfarçada de desistência ou derrota. Instala-se como apatia e demora a mostrar o valor. Só então se...

ladder biter

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Rompe a chorar, na súbita hostilidade do Grande Mundo; e, chorando, rola angustiadamente os olhos luminosos, na esperança de ver duas velhas mãos acolhedoras e um velho rosto benevolente — as mãos e o rosto do avô.  É uma esperança vã, pois o avô não regressa a casa tão cedo. Ainda se ele pudesse expor... Mas a língua ainda não o deixa expor satisfatoriamente. Sem poder esperar auxílio do avô e sem poder expor satisfatoriamente, resulta ficar à mercê­ daquele perigo ruivo e sardento.  E ele, o perigo, fechando‑o no seu mundo, agora tão escuro, acanhado e triste: — Aí queto! E num me olhe assim co esses holofotes acesos, seu gato bravo! Cuida que lhe tenho medo, cuida? Tadinho!... Afasta‑se garganteando fados. Ele sobe trabalhosamente para aquela grande cama, põe aquele solzinho dócil a arder no teto, e, com lágrimas nas faces, agitado por soluços, começa a folhear os livros mágicos, os tais — livros grandes, lustrosos, com belas estampas coloridas. Final d'O...

Housing Cities

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NÃO: Não quero nada. Já disse que não quero nada. Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer. Não me tragam estéticas! Não me falem em moral! Tirem-me daqui a metafísica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) — Das ciências, das artes, da civilização moderna! Que mal fiz eu aos deuses todos? Se têm a verdade, guardem-na! Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. Com todo o direito a sê-lo, ouviram? Não me macem, por amor de Deus! Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim, como sou, tenham paciência! Vão para o diabo sem mim, Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que havemos de ir juntos? Não me peguem no braço! Não gosto que me peguem no braço. Quero ser ...

Mucho Miedo

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Yo no quiero que a mi niña golondrina me la vuelvan; se hunde volando en el Cielo y no baja hasta mi estera; en el alero hace el nido y mis manos no la peinan. Yo no quiero que a mi niña golondrina me la vuelvan. Yo no quiero que a mi niña la vayan a hacer princesa. Con zapatitos de oro ¿cómo juega en las praderas? Y cuando llegue la noche a mi lado no se acuesta... Yo no quiero que a mi niña la vayan a hacer princesa. Y menos quiero que un día me la vayan a hacer reina. La subirían al trono a donde mis pies no llegan. Cuando viniese la noche yo no podría mecerla... ¡Yo no quiero que a mi niña me la vayan a hacer reina! Miedo - Gabriela Mistral

Sugar Matter

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Um dia, já eu era velha, um homem dirigiu-se-me à entrada de um lugar público. Deu-se a conhecer e disse-me: - «Conheço-a desde sempre. Toda a gente diz que você era bonita quando era nova, vim dizer-lhe que, para mim, acho-a mais bonita agora do que quando era jovem, gostava menos do seu rosto de mulher jovem do que daquele que tem agora, devastado.» Penso frequentemente nesta imagem que sou a única a ver ainda e de que nunca falei. Está sempre aí no mesmo silêncio, deslumbrante. É, de todas, a que me agrada de mim própria, onde me reconheço, onde me encanto. Muito cedo na minha vida foi tarde de mais. Aos dezoito anos era já tarde de mais. Entre os dezoito e os vinte e cinco anos o meu rosto partiu numa direcção imprevista. Aos dezoito anos envelheci. Não sei se é assim com toda a gente, nunca perguntei. Parece-me ter ouvido falar dessa aceleração do tempo que nos fere por vezes quando atravessamos as idades mais jovens, mais celebradas da vida. Este envelhecimento foi brut...

Inchoate Emerald

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Chegará sem palavras com a neve E o nome duma paz desconhecida Apenas um silêncio branco e breve A dar o ritmo de presença à vida Ritmo de estar em pé Amanhecida entre uma luz tristíssima Que deve ter nascido da água E na medida exacta que a fará voltar à neve Ritmo que levará flechas de frio aos lábios E as pernas arrefece de lenta carnação E álgido rio e terror decapasse E quando desce Me deixa o coração grande e vazio De quem tudo queimou e amanhece Qualquer coisa de paz. Talvez somente a maneira de a luz a concentrar no volume, que a deixa, inteira, assente na gravidade interior de estar. Qualquer coisa de paz. Ou, simplesmente, uma ausência de si, quase lunar, que iluminasse o peso. E a corrente de estar por dentro do peso a gravitar. Ou planalto de vento. Milenária semeadura de meditação expondo à intempérie a sua área de esquecimento. Aonde a solidão, a pesar sobre si, quase que arruína a luz da fronte onde a atenção domina. A solidão é...

Degré Zero

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«Neste mesmo esforço de libertação da linguagem literária, eis uma outra solução: criar uma escrita branca, livre de qualquer sujeição a uma ordem fixa da linguagem. Uma comparação tomada à linguística talvez esclareça melhor esta facto novo: sabemos que certos linguistas estabelecem entre os dois termos de uma polaridade (singular-plural, pretérito-presente) a existência de um terceiro termo, termo neutro ou termo-zero; assim, entre os modos conjuntivo e imperativo, o indicativo aparece-lhes como uma forma amodal. Guardadas as devidas proporções, a escrita no grau zero é no fundo uma escrita de jornalista, se o jornalismo não desenvolvesse precisamente de um modo geral formas optativas ou imperativas (ou seja patéticas). A nova escrita neutra situa-se no meio destes gritos e destes juízos, sem participar em nenhum deles; é constituída precisamente pela sua ausência; mas essa ausência é total, não implica nenhum refúgio, nenhum segredo; portanto não podemos dizer que é uma e...

Talizman Solaris

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“On the surface, I was calm: in secret, without really admitting it, I was waiting for something. Her return? How could I have been waiting for that? We all know that we are material creatures, subject to the laws of physiology and physics, and not even the power of all our feelings combined can defeat those laws. All we can do is detest them. The age-old faith of lovers and poets in the power of love, stronger than death, that finis vitae sed non amoris, is a lie, useless and not even funny. So must one be resigned to being a clock that measures the passage of time, now out of order, now repaired, and whose mechanism generates despair and love as soon as its maker sets it going? Are we to grow used to the idea that every man relives ancient torments, which are all the more profound because they grow comic with repetition? That human existence should repeat itself, well and good, but that it should repeat itself like a hackneyed tune, or a record a drunkard keeps playing as...