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A mostrar mensagens de maio, 2023

Ocre Gris

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Yo he sido aquella que paseó orgullosa El oro falso de unas cuantas rimas Sobre su espalda, y se creyó gloriosa, De cosechas opimas. Ten paciencia, mujer que eres oscura: Algún día, la Forma Destructora Que todo lo devora, Borrará mi figura. Se bajará a mis libros, ya amarillos, Y alzándola en sus dedos, los carrillos Ligeramente inflados, con un modo De gran señor a quien lo aburre todo, De un cansado soplido Me aventará al olvido. Peso ancestral Tú me dijiste: no lloró mi padre; Tú me dijiste: no lloró mi abuelo; No han llorado los hombres de mi raza, Eran de acero. Así diciendo te brotó una lágrima Y me cayó en la boca... más veneno: Yo no he bebido nunca en otro vaso Así pequeño. Débil mujer, pobre mujer que entiende, Dolor de siglos conocí al beberlo: Oh, el alma mía soportar no puede Todo su peso. Humildad Tristes calles derechas, agrisadas e iguales, Por donde asoma, a veces, un pedazo de cielo, Sus fachadas oscuras y el asfalto del suelo Me apagaron los tibios sueños primaveral...

Artificial Authentic

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[...] Me senté en uno de los morris, con los periódicos sobre las rodillas, a fumarme un cigarrillo. Los pájaros piaban agudamente, haciendo más amplia la extensión gris del cielo, más allá de los árboles, del tejado de Emilio, de la columna de humo, que debía de nacer donde los naranjales próximos a la aldea. Volví a leer las escasas líneas que daban noticia del hallazgo del cadáver. Por fortuna, el hecho estaba narrado de una manera torpe, sin precisos datos cronológicos ni de lugar. Nada decían de los niños. Las autoridades, naturalmente, habían empezado a investigar el misterioso suceso. Estuve con el periódico abierto, sin leer más, hasta que Leoncio vino a distraerme. —Bueno, haz lo que quieras. Llama a los albañiles, si crees que es necesario. —Yo le digo lo que he visto. Y usted puede verlo también, si se molesta en ir a la piscina. —De acuerdo, llama a los albañiles. Y vacíala antes. Decidí trabajar un rato, pero Rufi tenía abiertos los ventanales del despacho, las sillas pata...

ዝተሓላለኸ ምዃኑ’ዩ።

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As ondas indo, as ondas vindo — as ondas indo e vindo sem parar um momento. As horas atrás das horas, por mais iguais sempre outras. E ter de subir a encosta para a poder descer. E ter de vencer o vento. E ter de lutar. Um obstáculo para cada novo passo depois de cada passo. As complicações, os atritos para as coisas mais simples. E o fim sempre longe, mais longe, eternamente longe. Ah mas antes isso! Ainda bem que o mar não cessa de ir e vir constantemente. Ainda bem que tudo é infinitamente difícil. Ainda bem que temos de escalar montanhas e que elas vão sendo cada vez mais altas. Ainda bem que o vento nos oferece resistência e o fim é infinito. Ainda bem. Antes isso. 50 000 vezes isso à igualdade fútil da planície. Complicação «Àquela hora o trânsito complicava-se. As lojas, os escritórios, algumas oficinas, atiravam para a rua centenas de pessoas. E as ruas, as praças, as paragens dos eléctricos, que tinham sido planeadas quando não havia nas lojas, nos escritórios e nas oficinas t...

changing course

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«There are two suffixes in our language (and similar ones in other European languages) which suggest organized knowledge. One is the venerable, academic "ology" , that reminds one of university curricula and scholarship. The other is the energetic and somewhat mysterious "ics," which has a connotative flavor of magic. Where "ology" suggests academic isolation (ichthyology, philology) "ics" suggests a method of attack on life's problems. It contains a faint throwback to the ancient dreams of the philosopher's stone and of "keys" to the riddles of the universe. Ancient words ending in "ics" are mathematics and metaphysics. Of more recent origin are economics, statistics, semantics, and cybernetics. [...] For a general semanticist, communication is not merely words in proper order properly inflected (as for the grammarian) or assertions in proper relation to each other (as for the logician) or assertions in proper relatio...

Dialogue Development

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  A Manuel Bandeira Quando eu estiver mais triste mas triste de não ter jeito, quando atormentados morcegos — um no cérebro outro no peito — me apunhalarem de asas e me cobrirem de cinza, vem ensaiando de leve leve linguagem de flores. Traze-me a cor arroxeada daquela montanha — lembra? que cantaste num poema. Traze-me um pouco de mar ensaiando-se em acalanto na líquida ternura que tanto já me embalou. Meu velho poeta, canta um canto que me adormeça nem que seja de mentira. Caieiras, 25 de janeiro de 1954 Pedido A Walmir Ayala   Menina sublunar, afogada, que voz de prata te embala toda desfolhada? Tendo como um só adorno o anel de seus vestidos ela própria é quem se encanta numa canção de acalanto presa ainda na garganta. Água, água  in Espelho provisório, 1970 Exilada das manhãs, de noite é que me visto. Caminho só pela casa e o viajar na casa escura faz soar meus passos mudos como em floresta dormida. Me vêem, eu que não me vejo, as coisas — de corpo inteiro. O real est...

special general

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When we wake up brushed by panic in the dark  our pupils grope for the shape of things we know.  Photons loosed from slits like greyhounds at the track  reveal light’s doubleness in their cast shadows  that stripe a dimmed lab’s wall—particles no more—  and with a wave bid all certainties goodbye.  For what’s sure in a universe that dopplers  away like a siren’s midnight cry? They say  a flash seen from on and off a hurtling train  will explain why time dilates like a perfect  afternoon; predicts black holes where parallel lines  will meet, whose stark horizon even starlight,  bent in its tracks, can’t resist. If we can think  this far, might not our eyes adjust to the dark? Relativity [...] When I wrote to Stephen to let him know about the poem dedicated to him, he asked to meet. Pulling my chair closer to his, I read him the first draft of “Relativity,” accompanied by the soft, periodic beeps of his speech computer. I to...

Analepsis Episozomene

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Hay algo de nupcial en ese olor o racimo de bolas calcinadas por una luz que se drapea entre las dunas de las mejillas el lechoso cairel de las ojeras que festonean los volados rumbo al olor del baño. al paraíso del olor, que pringa las pantallas donde las cintas indiferentes rielan guerras marinas y nupciales. Los escozores de la franela sobre el zapato de pájaro pinto dan paso al anelar o pegan toques de luna creciente o de frialdad en el torcido respaldar que disimula el brinco tras un aro de fumo y baban carreteles de goma que dejan resbaloso el rayo del mirador entretenido en otra cosa. Aleve como la campanilla del lucero el iluminador los despabila y reparte polveras de esmirna en el salitre de las botamangas y en el rouge de las gasas que destrenzan las bocas esparciendo un cloqueo diminuto de pez espada atrapado en la pecera o de manatí vuelto sirena para reconocerlos. Aleve como la campanilla del lucero el iluminador los despabila y reparte polveras de esmirna en el salitre de...

Tan Leve

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Laura Knight - Self Portrait and Nude (1913)  National Portrait Gallery (London, UK) Había que chegar, había que chegar pra ser. Había que deixar o que nacera, o que iba medrando. Había que deixalo. Había que chegar. Había que deixar a cume, cume de quenturas, cume que vive baixo a ponte das loitas, baixo remos que viven no olvido do ben, baixo a cruz que nos desina o tempo, baixo a terra que apresada nos vai decindo, nos di:                "Había que chegar" De cando en cando a miña cume fala soia, volve ó seu e logra del, logra a resposta do vecín-peito enfermo, peito que se espaia recio pra aquel outro que non ten cura, peito feito dela que chega a nós, peito que volve a cume ó seu, súa infancia tecedeira, súa primeira mirada que veu luz, seu mañán en onte xa feito, seu día craro: toda a verdade das cousas.                ¡Anos poucos. Ouh! Do libro Verba que Comeza Tiven medo de bogar, tiven medo d...

For Some Days

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Adivinham-se tempos difíceis: a obsessão apoderou-se das tribos; uma vírgula pode ser um crime, a ameaça esconde-se numa frase incompleta. Os jornais encheram-se de notícias peregrinas, os editoriais ponderam. Murmura-se nas fileiras, a especulação prospera. Com um salário que é como mau tecido, depois da primeira lavagem, o funcionário público poupa na fruta, no tabaco, no queijo. Amanhã, de comboio, a História enfrentará o seu destino, ou, pelo menos, uma cópia, que levará tempo (medido em lustros) a rasurar. A Regra do Jogo in "Tentativa e Erro" Nascidos nus. Enterrados nus. Qual a azáfama? Toda a vida conduz à primeira nudez. Páladas  Eutychides, o poeta lírico, morreu. Fugi, ó moradores do Hades! – ele transporta odes e ordenou que consigo queimassem vinte liras e vinte e cinco pautas de música, que Caronte terá de transportar. Onde se poderá encontrar refúgio, agora que Eutychides canta pela eternidade? Lucilius Não esbanjem comigo o odor da mirra, nem ofereçam coroas d...

Lavra Cenobium

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Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso. É possível, porque tudo é possível, que ele seja aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo, onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém de nada haver que não seja simples e natural. Um mundo em que tudo seja permitido, conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer, o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós. E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto o que vos interesse para viver. Tudo é possível, ainda quando lutemos, como devemos lutar, por quanto nos pareça a liberdade e a justiça, ou mais que qualquer delas uma fiel dedicação à honra de estar vivo. Um dia sabereis que mais que a humanidade não tem conta o número dos que pensaram assim, amaram o seu semelhante no que ele tinha de único, de insólito, de livre, de diferente, e foram sacrificados, torturados, espancados, e entregues hipocritamente à secular justiça, para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue». Por serem fié...

desejos compulsivos

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Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo, ando debaixo da pele e sacudo os sonhos. Não desprezo nada que tenha visto, todas as coisas se gravam pra sempre na minha cachola. Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos, destelho as casas penduradas na terra, tiro os cheiros dos corpos das meninas sonhando. Desloco as consciências, a rua estala com os meus passos, e ando nos quatro cantos da vida. Consolo o herói vagabundo, glorifico o soldado vencido, não posso amar ninguém porque sou o amor, tenho me surpreendido a cumprimentar os gatos e a pedir desculpas ao mendigo. Sou o espírito que assiste à Criação e que bole em todas as almas que encontra. Múltiplo, desarticulado, longe como o diabo. nada me fixa nos caminhos do mundo. Cantiga de Malazarte    O cavalo mecânico arrebata o manequim pensativo que invade a sombra das casas no espaço elástico. Ao sinal do sonho a vida move direitinho as estátuas que retomam seu lugar na série do planeta. Os homens largam a açã...

Lend Lease

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[...] Este es el mayor peligro que hoy amenaza a la civilización: la estatifícación de la vida, el intervencionismo del Estado, la absorción de toda espontaneidad social por el Estado; es decir, la anulación de la espontaneidad histórica, que en definitiva sostiene, nutre y empuja los destinos humanos. Cuando la masa siente alguna desventura o, simplemente, algún fuerte apetito, es una gran tentación para ella esa permanente y segura posibilidad de conseguir todo — sin esfuerzo, lucha, duda, ni riesgo — sin mas que tocar el resorte y hacer funcionar la portentosa máquina. La masa se dice: "El Estado soy yo", lo cual es un perfecto error. El Estado es la masa sólo en el sentido en que puede decirse de dos hombres que son idénticos, porque ninguno de los dos se llama Juan. Estado contemporáneo y masa coinciden sólo en ser anónimos. Pero el caso es que el hombre-masa cree, en efecto, que él es el Estado, y tenderá cada vez más a hacerlo funcionar con cualquier pretexto, a aplast...

Delusional Force

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“What more do they want? She asks this seriously, as if there's a real conversion factor between information and lives. Well, strange to say, there is. Written down in the Manual, on file at the War Department. Don't forget the real business of the War is buying and selling. The murdering and violence are self-policing, and can be entrusted to non-professionals. The mass nature of wartime death is useful in many ways. It serves as a spectacle, as a diversion from the real movements of the War. It provides raw material to be recorded into History, so that children may be taught History as sequences of violence, battle after battle, and be more prepared for the adult world. Best of all, mass death's a stimulus to just ordinary folks, little fellows, to try 'n' grab a piece of that Pie while they're still here to gobble it up. The true war is a celebration of markets. Organic markets, carefully styled "black" by the professionals, spring up everywhere. Sc...

Conde Corações

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[...] Dos autores que vociferámos, Nietzsche era o mais esbelto. Crescia na paisagem entre as nossas palavras como um bonsai japonês de folhas vermelhas em sangue. O bonsai é uma miniatura que dá a ver as suas raízes, desenvolvendo-se através de troncos recurvados e de um número reduzido de galhos. O objectivo é transmitir, ao mesmo tempo, as ideias de peso e estabilidade. Falávamos de Nietzsche como quem idealiza, de fato, uma miniatura (uma semente, um grão de arroz, um simples livro) que garante que o rei vai nu. Um rei, todos os reis. Talvez por engano, ela disse "réu" em vez de "rei", mas nada podia estar mais certo. O rei representa deus na terra e o réu representa o homem diante de deus no juízo final. Representações que têm o valor do fumo e dos odores que iam saindo pelas chaminés.  Caminhávamos e víamos, sobre o ondulado das telhas, o ar interrompido por uma nuvem de casulos a sair da torrefação do café e, em baixo, o pavimento levantado nas imediações da ...