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A mostrar mensagens de fevereiro, 2018

languid effort

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na tua origem está um líquido viscoso esbranquiçado e sujo invadindo o ventre de alguém transtornada de luxúria e de palavras mágicas dentro do corpo a sujidade infecciona e a carne incha como um furúnculo por longos meses de febre e luta e um dia a sujidade invade o mundo nua coberta só de sangue e plasma aos gritos sem nada e sem saber nada sequer uma palavra uma lâmina afiada confere-te individualidade lavam-te o corpo põem-te um seio na boca dão-te um nome passas então a existir tendo como futuro breve um deixar de ser no estômago destes monstros como não ver aqui o início da música o início da escrita o combate entre a resistência da matéria e a acção do espírito como é belo e terrível o final do frio por exemplo um peixe com os seus dentes na faringe ou mesmo um cavalo magro de tanto apanhar sol na vida um arraial de vulgaridades e dados científicos enfim podeis pensar que nada disto importa para uma vida boa que só o riso e a humidade q...

Brighter Wounds

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Queria erguer-te um cântico Que ressoasse entre os cânticos Noite fora persegui uma palavra Um diamante e fogo e silêncio O amor permanece uma língua bárbara. É um tempo de presságios e venenos Recolhe-te e escuta O sangue sobre as orquídeas. Não sei dizer de onde chegam as tuas mãos Mas essa luz não pertence a este mundo Só dedos assim tão finos Poderiam penetrar a espessura da noite Trazendo ainda frescas umas gotas de manhã. Ocupei o dia com pequenas tarefas Para silenciar um pedido uma súplica Pintei o velho alpendre consertei a cancela do jardim Libertei o cão para que perseguisse os pássaros pelo bosque Recusou-se a partir Persiste onde não existe caminho Ao meu lado Esperando que um vento frio Dispa de folhas todos os ramos. Sabemos que o tempo passou Que alguma coisa deveria ter sido dita (talvez depois, talvez mais tarde) Deixamos atrás de nós Uma sequência desconexa de gestos irreparáveis E, feridos, Por todas as coisas que pod...

sensalocalypse

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A vós correndo vou, braços sagrados, Nessa cruz sacrossanta descobertos Que, para receber-me, estais abertos, E, por não castigar-me, estais cravados. A vós, divinos olhos, eclipsados De tanto sangue e lágrimas abertos, Pois, para perdoar-me, estais despertos, E, por não condenar-me, estais fechados. A vós, pregados pés, por não deixar-me, A vós, sangue vertido, para ungir-me, A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me A vós, lado patente, quero unir-me, A vós, cravos preciosos, quero atar-me, Para ficar unido, atado e firme. Buscando a Cristo Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Da vossa alta clemência me despido; Antes, quanto mais tenho delinquido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: Que a mesma culpa, que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado. Se uma ovelha perdida já cobrada, Glória tal e prazer tão repentino Vos deu, como afirmais na Sacra História: ...

Venus Assembly

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   "...(Que tal a paisagem ? Se vieste para ficar, hás-de ter esses mamarrachos diante de ti, toda a vida... Esse, que está por cima do teu lugar, já eu tinha na minha frente há seis anos... Há seis anos ou há oito, Vivi?, já nem sei...)     — Estes quadros, tão pesados, tão escuros, são um tanto ou quanto soturnos para servirem de elemento decorativo num gabinete de trabalho...     ... (Um gabinete de trabalho! Ainda está com os olhos tapados, não admira. Oxalá ela não seja do género de... Não sei se pegue hoje nos púcaros , para «fazer ver», ou se... se comece já a... Ela esteve lá fora uns poucos de anos, tem coisas publicadas... Bom, mas, segundo consta, não são da especialidade, ela é de Biológicas. Em todo caso, cá tudo conta, e na nossa santa terrinha, ter estado no estrangeiro é um título de primeira ordem. Bem, por agora, calminha, Vivi. Aguardemos. Porque ao fim e ao cabo, «o que é doce nunca amargou»...)    — De facto, é um...

Instant Gram

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A necessidade de nos imiscuirmos na paisagem, na geografia, no mundo, de impor assim a nossa imagem, de rasgar o tronco de uma árvore com o nosso nome, é prevalecente em todas as culturas e é uma atitude de resistência à morte e à indiferença, ao olvido. Nem sempre as fotografias que tiramos sujam a paisagem com a vaidade, porque não é somente de vaidade que normalmente se trata, há buracos profundos numa atitude destas. Aparecer e ser testemunhado é fundamental para existir, para garantir uma assiduidade no mundo real e virtual, como quem pica o ponto e assim assegura uma presença no trabalho, mas devemos acrescentar que o cenário muda tudo, dá-nos alguma importância e dignidade, amplia a nossa dimensão. Não só existimos, como existimos em lugares imponentes, fazemos parte da mesma paisagem, pisamo-la com a nossa cara, com um sorriso, deixamos pegadas. E, para isso, corremos riscos, os riscos necessários para garantir uma existência que vai além da rotina e da banalidade, que não...

consolatio plagium

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«We have seen that much reading and learning is prejudicial to thinking for oneself; and, in the same way, through much writing and teaching, a man loses the habit of being quite clear, and therefore thorough, in regard to the things he knows and understands; simply because he has left himself no time to acquire clearness or thoroughness. And so, when clear knowledge fails him in his utterances, he is forced to fill out the gaps with words and phrases. It is this, and not the dryness of the subject-matter, that makes most books such tedious reading. There is a saying that a good cook can make a palatable dish even out of an old shoe; and a good writer can make the dryest things interesting. With by far the largest number of learned men, knowledge is a means, not an end. That is why they will never achieve any great work; because, to do that, he who pursues knowledge must pursue it as an end, and treat everything else, even existence itself, as only a means. For everything which ...

Nazajutrz

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[...]A lot of the cruelty we do to one another, the real savage, rotten terrible things we do to one another, are in fact because we recognize the humanity of the other person. We see other people as blameworthy, as morally responsible, as themselves cruel, as not giving us what we deserve, as taking more than they deserve. And so we treat them horribly precisely because we see them as moral human beings. [...]We’re all sensitive to social hierarchies and to a desire for approval and esteem. So we often fold to the social pressures of our environment. That’s not necessarily evil. I come into my job as a professor and I want to do well, I want the respect of my peers. There’s nothing wrong about that. But our desire to do well socially can have an ugly side. If you can earn respect by helping people, that’s great. If you can earn respect by physically dominating people with aggression and violence, that’s destructive. So a lot depends on our social environment and whether i...

white hijab

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The wind blew away your house And, you still worry about the wind blowing in my hair?! The myth of which cave’s sleepers has you intoxicated so? Why are you sleeping? A hundred tribes go to ruins while you sleep The scandal about the kingdom’s thieves is everywhere But, with your two hands, you still hold on to the two ends of my shawl You are asleep behind this worn out curtain, and I, with this same ‘forbidden’ hair of mine will weave a ladder as tall as the sunrise to bring out the sun And you are asleep and water passes over you And you never saw how in the forest, pine trees were cut down, night after night, in place of poplar trees And there were no tigers when mythological Damavand Mountain was hanged from the loin And for every grain of rice that had come to our table through hard labor, in the rice paddies, they planted iron, bricks, and walls And you are sleeping, and water thirsted for Hamoon Lake, blood of Zayandeh River clotted, and the br...