A Sibila é mais do que um personagem. Tem sido estudada à luz do materialismo histórico e do feminismo mais obstinado; foi vista como iluminada, como Nemésis vingativa, como complexada, como histérica, como simples mulher descarnada dos seus afectos e tardiamente reconciliada com o amor, o sexo e o drama que tudo isso envolve. Mas o que não foi dito é que a Sibila é uma experiência viva e, portanto, um mito. Ela vive a sua própria experiência, e para isso tem de romper todos os seus laços, excepto os que a ligam ao seu povo. Não cede à razão, ao tempo privado que significa um amigo ou um amante; que significa mesmo a majestosa e doce sombra paterna. Ela está preparada para a experiência, que é uma purificação através do elemento mítico: o laço com a terra.
Nunca é oportuno falar de nós. Penso muitas vezes que adiamos continuamente as nossas contas com a própria vida; adiamos o nosso retrato, e só raramente damos uma pincelada mais, em geral para nos embelezarmos e mentirmos um pouco mais. Penso que recordar é mentir com sentimento. Excepto agir, tudo é mentir mais ou menos cegamente. O que fazemos é construir um claustro em volta desse jardim abandonado que é a infância de cada um. Um claustro onde andamos cautelosamente e sem fazer barulho, dando boa impressão de nós próprios e das boas intenções.
Hearts of the Revolutionaries: Passage of the Planets of the Future (1955) - Joseph Beuys Alto estou a teu lado no verão deitado Alto no esplendor de possuir-te e trocarmos silenciosamente os frutos mais fundos da morte Como se navegasse um rio por dentro e na tua fragilidade encontrasse a minha força Um caminho rigoroso de silêncio Fuga in 'Mesa do Amor' (1970) Peço a paz e o silêncio A paz dos frutos e a música de suas sementes abertas ao vento Peço a paz e meus pulsos traçam na chuva um rosto e um pão Peço a paz silenciosamente a paz a madrugada em cada ovo aberto aos passos leves da morte A paz peço a paz apenas o repouso da luta no barro das mãos uma língua sensível ao sabor do vinho a paz clara a paz quotidiana dos actos que nos cobrem de lama e sol Peço a paz e o silêncio in "Jardins de Guerra" (1966) O problema não é meter o mundo no poema; alimentá-lo de luz, planetas, vegetação. Nem tão-po...
O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu na noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta lá. José Saramago - Viagem a Portugal (1984) Mais do que saber, isto é o que pressinto: que entre o nevoeiro algo se oculta e que apenas o pode ver quem sabe exactamente ao que vem; que é preciso estar vigilante para surpreender o momento instantâneo em que, entre a nuvem espessa, todas as coisas ocultas se fazem visíveis, apenas um átimo antes que tudo se dissolva e o sol toque, enfim, as águas. Aqui venho,pois, um dia atrás do outro e aqui me deixo estar à espera que o túnel branco se instale sobre ...
Young Lady with Gloves, 1930 Tamara de Lempicka O Álvaro gosta muito de levar no cu O Alberto nem por isso O Ricardo dá-lhe mais para ir O Fernando emociona-se e não consegue acabar. O Campos Em podendo fazia-o mais de uma vez por dia Ficavam-lhe os olhos brancos E não falava, mordia. O Alberto É mais por causa da fotografia Das árvores altas nos montes perto Quando passam rapazes O que nem sempre sucedia. O Fernando o seu maior desejo desde adulto (Mas já na tenra idade lhe provia) Era ver os hètèros a foder uns com os outros Pela seguinte ordem e teoria: O Ricardo no chão, debaixo de todos (era molengão Em não se tratando de anacreônticas) introduzia- -Se no Alberto até à base E com algum incómodo o Alberto erguia Nos pulsos a ordem da kabalia Tentando passá-la ao Álvaro Que enroscado no Search mordia mordia E a mais não dava atenção. O Search tentava Apanhar o membro do Bernardo Que crescia sem parança direcção espaço E era o que mais avultava na...
Comentários
Enviar um comentário