perdre précieux
"Mas uma coisa é iluminar o passado ou reactivá-lo, fazendo-o dialogar com o presente. Outra é a simulação. A replicação. A estilização superficial. De todas as áreas criativas, aquela onde existe maior consciência da emergência de uma verdadeira indústria da nostalgia talvez seja a da música popular, pela sua força disseminadora e pela velocidade com que apreende o que se passa à volta, ao mesmo tempo reflectindo e impulsionando o sentir premente dos tempos actuais.[...] É isso que Simon Reynolds, jornalista e ensaísta inglês a viver em Los Angeles, proclama em Retromania: pop culture's addiction to its own past, obra em que explora a obsessão actual pela história da cultura popular. "Graças à Internet, o passado está disponível para todos. No caso da música popular é fácil escutar tudo, ou quase tudo, o que foi gravado, o que contribui para que nunca deixemos verdadeiramente de lado o passado", dizia-nos aquando do lançamento do livro."Dessa forma é difícil formar-se uma identidade, uma direcção, algo de que a maior parte das bandas dos últimos dez anos carece. Ou seja, não é possível dar uma resposta imaginativa a tantos estímulos à nossa volta."
Ao pai, que hoje faria oitenta e cinco.
"Houve um dia um país que se fez à sombra de um rei que nunca regressou. Podia ser a linha inicial de um bailado se não fosse a história real de um país à espera, um país de pessoas ansiosas por uma ordem, mais fiéis à lenda publicada do que à verdade escrita lá longe, em Alcácer Quibir. [...] "Arrastares-te o tempo todo à espera de uma ordem é das coisas mais trágicas que existem", explica [André e. Teodósio]. O que os bailarinos entregam naquela que será a segunda parte da coreografia, morto o rei, dispersas as tropas, perdido o país (numa espécie de transe, entre a histeria e o autismo) é de uma violência latente - "uma acção interior", diz Lopes Graça - que esconde outra coisa: a possibilidade de novos arquétipos, hipóteses de reformulação de um corpo."
Vitor Belanciano e Tiago b. Costa, no ípsilon de ontem "O doce odor do passado"
Um abraço pela data afectiva.
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