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Black River

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"A experiência musical transcultural na idade pós-moderna é caracterizada por meta-linguagens resultantes do desconstrutivismo e da arbitrariedade da localização. Mais do que nunca, encontra-se na essência das principais correntes musicais radicadas na sociedade de consumo. É hoje a base de diversas justaposições sonoras, descentradas, de estilos contraditórios que não são suportados por nenhuma visão ou narrativa unificada do mundo. São marcadas por uma propositada ausência de consciência histórica e de origem geográfica, pela adopção acrítica da tecnologia musical, pela superficialidade e pela rapidez da mudança. Hoje, a experiência musical é essencialmente transcultural. A sua relatividade constrói-se no espaço sónico virtual: é uma relatividade referencial cada vez mais sónica e já não espacial. Em virtude da disponibilidade democratizada dos recursos informáticos, quer no domínio da audição, quer no domínio da performação ou da produção, o espaço da alteridade j...

Reed Flow

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Just a perfect day drink Sangria in the park And then later when it gets dark, we go home Just a perfect day feed animals in the zoo Then later a movie, too, and then home Oh, it's such a perfect day I'm glad I spend it with you Oh, such a perfect day You just keep me hanging on You just keep me hanging on Just a perfect day problems all left alone Weekenders on our own it's such fun Just a perfect day you made me forget myself I thought I was someone else, someone good Oh, it's such a perfect day I'm glad I spent it with you Oh, such a perfect day You just keep me hanging on You just keep me hanging on You're going to reap just what you sow You're going to reap just what you sow You're going to reap just what you sow You're going to reap just what you sow Já Lhe contei; e ainda bem que Os passei contigo!

These Days

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Faço a pausa circunspecta para acender o cigarro, inspirado pelo ambiente da casa de escritórios alternados com escadaria antiga, detalhes práticos modernos (cada piso ou divisão de sua cor, chão funcional) e apontamentos etno-arquitectónicos minimalistas e nacionalistas. Após a saída pela porta já fechada sigo pelo largo do seminário e descendo dos bombeiros com a brisa fresca, continuo com a benfazeja sensação solitária de se estar só, dobrando pelo colinatrum e damião de góis, sentindo a tranquilidade do ar parado - nenhuma desadequação térmica, integração confirmada. Desfilo em harmonia, percorrendo a minha relação com a cidade nestes tempos de novas conquistas e conhecimentos em preia-mar. Tentei por várias vezes ligar à mãe abertura deste meio termo em que a ponte se consegue atravessar, para realizar jantares adiados e apreciar os encontros com os joões que faltam: o da pintura e desenho agregador, expansivo e analítico desta realidade, em paz e fiel na boémia procura...

Fisher Men

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«De Belinho para S. Bartolomeu já me envolve a poalha da tarde e depois uma luz violeta nas Marinhas. Tenho de um lado os montes escuros e do outro o mar verde com o resplendor do céu em cima. À beira da estrada, branca de poeira, movem-se ainda – trabalham noite e dia – alguns grupos de moinhos. E esta engenhoca seduz-me: anima a paisagem e tem alguma coisa de navio e de brinquedo de criança. Faz-se tarde. No fundo mais negro as casas, mais pálidas, embranquecem: só o milho fica loiro e o céu fica doirado. Logo adiante é o areal africano da feia Esposende, terra da beira-mar, de onde não consigo ver o mar, terra de tristes pescadores. As redes de arrasto deram cabo do peixe matando a criação. Só resta uma catraia para a pescada, alguns batéis para a raia, com redes de malha muito larga, e diferentes barquinhos para a pesca do rio, que dá o sável, a tainha e o robalo na vazante, e a solha que se fisga com a petada nos fundos de areia mais escura. Doutro lado do Cávado é ...

девојка

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Menina assenta o passo sem medo ou manha, ou muito te passa da vida. Tem que haver quem faça o que muito queira. Caminha sem falsa fascinação. O teu coração ainda pára, forçando a apatia p'lo medo de dançar. Não se avista um dia em que o ego não destrate uma mais bela parte escondida em ti. Menina sê quem passa p'ra lá da ideia. Quem muito se pensa fatiga. Nem vais ver quem são, seus olhos no chão, os que andam p'ra ver-te vencida a ti. O teu coração sem querer dispara força e simpatia ao Ser que te vê dançar. Vai chegar o dia em que o medo não faz parte e, por muito que tarde, esse dia é teu. Desfaz o Nó, destrava o pé, desmancha a traça e avança. Chocalha o chão, esquece os que estão, rasga o marasmo em ti mesma. Vê corações, na cara que pões, vira do avesso esse enguiço. Desamordaça a dança pra te convencer. O teu coração sem querer dispara força e simpatia ao Ser que te vê dançar. ...

Mean While

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After You «Há um direito que só muito poucos intelectuais cuidam de reivindicar: o direito à errância, à vagabundagem. E no entanto, a vagabundagem é a emancipação, e a vida ao longo das estradas, a liberdade. [...] Ter um domicílio, uma família, uma propriedade ou uma função pública, meios de existência definidos, eis outras tantas coisas que parecem necessárias, indispensáveis quase à imensa maioria dos homens, incluindo até mesmo os intelectuais que se crêem mais emancipados. Todavia, todas essas coisas são apenas formas variadas de escravidão [...].» Isabelle Eberhardt «Qualquer pessoa com um ofício conhecido - sapateiro, padeiro, médico, pintor, engenheiro, etc. - é uma presa para o Estado. Ter um ofício normal é perder a liberdade. Temos de exercer ofícios desconhecidos, que não tenham interferência na vida material, mas sim que produzam estados de consciência.» Alejandro Jodorowsky Citações na crónica "Salvo-conduto (II)" pelo Colectivo Eleutério |...

Deshojada

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Corpo de linho lábios de mosto meu corpo lindo meu fogo posto. Eira de milho luar de Agosto quem faz um filho fá-lo por gosto. É milho-rei milho vermelho cravo de carne bago de amor filho de um rei que sendo velho volta a nascer quando há calor. Minha palavra dita à luz do sol nascente meu madrigal de madrugada amor amor amor amor amor presente em cada espiga desfolhada. Minha raiz de pinho verde meu céu azul tocando a serra oh minha água e minha sede oh mar ao sul da minha terra. É trigo loiro é além tejo o meu país neste momento o sol o queima o vento o beija seara louca em movimento. Minha palavra dita à luz do sol nascente meu madrigal de madrugada amor amor amor amor amor presente em cada espiga desfolhada. Olhos de amêndoa cisterna escura onde se alpendra a desventura. Moira escondida moira encantada lenda perdida lenda encontrada. Oh minha terra minha aventura casca de noz desamparada. Oh minha terra minh...