Wander Schaft
As listas servem para tudo. Para ter presente as compras que se irão efectuar para a semana. Para se escolherem os acontecimentos e figuras que se destacaram durante o ano. Ou para hierarquizar escolhas de melhores discos, filmes, livros ou exposições. Por norma, estas últimas, tendem a ser desvalorizadas por quase todos, inclusive por quem tem a responsabilidade de as executar. O problema é que esse menosprezo, tantas vezes artificial, é apenas revelador num primeiro momento. Tantas vezes, depois de propagadas essas listas, são alvo de agastamentos, discussões infindáveis, denúncias de lacunas e também sinais de pertença. Apetece perguntar: se são assim tão indiferentes porque é que existe tanta gente a dissecá-las com minúcia? O que nos conduz a outro paradoxo. Nos últimos anos os mediadores (jornalistas, críticos ou curadores) passam o tempo a ouvir que a sua acção se tornou irrelevante no contexto dos novos ecossistemas comunicacionais. Já nestas alturas, quando não se c...