Paper Planes


Reconstruo a viagem iniciada há duas semanas através do caderninho verde roído pelo Thomas que nos acolheu tão bem, a mim e à minha esposa na casa de seus donos em bodas de flores e frutos. Depois de uma espera causada pela greve de controladores aéreos, verificámos o antecipado amanhecer nas terras anglas, as rotinas da pequena cidade da badalhoca, as planícies verdes e amarelas na viagem às universidades próximas sobre as pontes do Rio Cam. Depois toca a ir de comboio todos os dias para conhecer a capital enfeitada e em obras para receber os jogos olímpicos e, maior que tudo, o Jubileu magno; primeiro os pubs, essa ótima tradição de convívio alcoólico entre as cervejas (até sagres encontrámos com Jorge e seu Dragão, na esquina da costa da vala com a rua velha), vinhos, cidra; depois os mercados de rua pelas estradas de Camden ou Portobello, a exótica mistura de cheiros, comidas, visuais, rituais, murais, tribos e culturas, velharias e novidades ecológicas, alternativas, pelas pistas de tijolo, campos de cuspo, portas, bairros, grades e espaços ajardinados.


Filas de pessoas que sobem por tubos subterrâneos formam uma densa massa de gente que circula entre centros comerciais, inundando as calçadas da rua de Oxford, vistas do primeiro andar de um autocarro vermelho; ainda as centrais elétricas desativadas sobre as margem do tamisa ligadas por pontes deste milénio até São Paulo, o centro de negócios com crescentes redomas de cristal que isolam a alta finança e hotelaria até à antiga cadeia próxima da ponte articulada, iluminada, maravilhosa; então o percurso turístico desde o circo de Piccadilly, as praças de Leicester e Trafalgar, a via do mercado adentro pelos jardins de São Jaime feitos de lagos, aves, turistas e emigrantes, quarteirões e esquadras de hinos, guardas e palanques em frente a seu palácio, ela, aquela velha senhora que provoca o consenso na riqueza comum, agora desfeita. A rua abaixo está fechada por causa do número dez e pela branca seguimos até ao palácio e catedral da abadia do oeste, entre as suas grandes torres douradas (a com relógio e a da anterior). Obrigado Tigo, Jô , Di e Mat; até já Anuska!



Pelo meio ficaram ainda os retratos deste senhor nas paredas de uma galeria repleta de idosos a headfones:
Reflection (Self-Portrait) 1985

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