O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu na noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta lá. José Saramago - Viagem a Portugal (1984) Mais do que saber, isto é o que pressinto: que entre o nevoeiro algo se oculta e que apenas o pode ver quem sabe exactamente ao que vem; que é preciso estar vigilante para surpreender o momento instantâneo em que, entre a nuvem espessa, todas as coisas ocultas se fazem visíveis, apenas um átimo antes que tudo se dissolva e o sol toque, enfim, as águas. Aqui venho,pois, um dia atrás do outro e aqui me deixo estar à espera que o túnel branco se instale sobre ...