Chapel
Entrou na propriedade pela parte sul, através de uma abertura na cerca, e mais uma vez sentiu como aquilo estava quase ao abandono, quão inadequado para servir de modelo ou controlar o futuro, A noite aproximava-se, um pássaro chamava, animais corriam, seguiu em frente até ver o lago a brilhar, e a silhueta escura do local do encontro, e ouvir o barulho da água.
Tinha chegado, ou quase. Confiante ainda, levantou a voz e chamou Alec.
Não houve resposta.
Chamou novamente.
O silêncio e a noite que avançava. Tinha-se enganado.
«É o mais provável», pensou, e imediatamente controlou-se. Acontecesse o que acontecesse, não podia ir-se abaixo. Isso já tinha acontecido vezes demais por causa de Clive, e em vão, e ir-se abaixo neste lugar despovoado e cinzento poderia levá-lo à loucura. Manter-se forte, manter-se calmo, e confiar - eram ainda a única esperança. Mas o súbito desapontamento fê-lo ver como estava fisicamente exausto. Desde manhã cedo que não tinha parado, assolado por todo o tipo de emoções, e estava prestes a deixar-se cair. Dentro em pouco decidiria o que fazer, mas a sua cabeça estava agora a estalar, doía-lhe o corpo todo e precisava de descansar.
A casa do lago serviria bem esse propósito. Entrou e encontrou o seu amante a dormir. Alec estava deitado sobre umas almofadas, quase invisível na derradeira luz do dia. Quando acordou não pareceu excitado ou perturbado, e antes de falar acariciou o braço de Maurice. - Recebeste então o telegrama -, disse.
- Que telegrama?
- O telegrama que te mandei para casa esta manhã, dizendo... - Bocejou - desculpa, estou um pouco cansado, tanta coisa... dizendo para vires cá ter sem falta. - E como Maurice não disse nada, nem poderia, acrescentou: - E agora ja não nos vamos separar mais, e isso está decidido.
E. M. Forster - Maurice (1971)
Trad. Jorge Ayres Roza de Oliveira | Ed. Cotovia 1989
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