Eagle Kiss

Vita Goldstein (1869-1949)


É bem fácil perceber em mim

A tristeza aos poucos se alastrando

Estou me acabando

Qual o fim de um dia

Que se entrega à noite de toda agonia

Você fez o que bem quis de mim

Destruiu enfim minha ilusão

Eu que cantava amor

Em seus braços sentia alegria e prazer

Hoje só aprendi a sofrer



O tempo passa e aumenta na alma

O tormento e a dor da saudade

Só tenho agora meu samba

Que é livre e me cobre de tranquilidade

Me diz que o mundo dá volta

E que o meu padecer há de se acabar

Hei de lhe ver implorando

Aquilo que um dia eu quis lhe ofertar



(É bem fácil)

É bem fácil perceber em mim

A tristeza aos poucos se alastrando

Estou me acabando

Qual o fim de um dia

Que se entrega à noite de toda agonia

Você fez o que bem quis de mim

Destruiu enfim minha ilusão

Eu que cantava amor

Em seus braços sentia alegria e prazer

Hoje só aprendi a sofrer


E é bem fácil perceber em mim



Dona Ivone Lara
(13 abril 1922 - 16 abril 2018)



Abra, ouça, veja e lembre o Hit


[...] Interessa sistematizar alguns dos aspetos que distinguem o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas de outras formas de escravatura no continente africano. Numa prevaleceu o uso da mão-de-obra escravizada para trabalho doméstico, exploração sexual e demonstração de prestígio; noutra a forma de exploração predominante é o sistema de plantação, em que a força de trabalho é explorada numa lógica de “proto-industrialização” que daria origem ao capitalismo. Numa, a sujeição à condição de escravizado está mais associada a disputas entre grupos rivais, à conquista, a diferenças religiosas e étnico-culturais, enquanto noutra o que está em causa é a pertença racial. Ser negro transforma-se em sinónimo de escravo e escravo em sinónimo de negro não só em localizações específicas, mas numa escala global. Numa, existe um estatuto de inferioridade social e sujeição à violência extrema, mas a pessoa escravizada tende a ser considerada humana, socialmente inferior, mas humana; em outra, a legitimação da escravatura é feita através da institucionalização, também a uma escala global, de que as pessoas escravizadas, as pessoas negras, não são totalmente humanas, nem cultural, nem biologicamente. Reconhecer estas distinções significa dizer que existe escravatura “boa” e outra que é “má”? Claro que não. Significa reconhecer apenas que uma é mais estruturante das relações étnico-raciais e da antinegritude que vivemos hoje a nível global.



Cristina Roldão hoje no público



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