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Laundry Climate

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Não há mistério há corpos com entradas e saídas que se encontram e articulam o serem divididos não há não há mistério e só assim conheço a minha imagem onde mais me desconheço no teu corpo minha imagem verdadeira como quis sempre não saber há corpos corpos apenas que não são embrulhos de alma nem morte redimida pela vida sossega meu amor não há mistério[...] há corpos há corpos que se encontram e se sondam até que os corpos parem de morrer Suponho ter chegado onde comecei. Saio de ti húmido de vida e a morte é onde estou porque morrer é ser um corpo dividido e ter nascido é começar a morte que com a morte finda como um lago seco pelo sol que o aqueceu Suponho ter chegado onde terminei. Saio de ti húmido da morte que em ti depositei no teu corpo construído para dar corpo à minha ausência de mim luz opaca da minha escuridão meu silêncio e meu nome meu amor meu amor e meu nome e meu silêncio que me chama sempre das rochas livres para o...

síntesis

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Khaled Alkhani - Acrylic on Canvas nº51 115x50cm (2015) «Diz-se que Nietzsche, depois da rotura com Lou Salomé , entrado numa solidão definitiva, esmagado e, ao mesmo tempo, exaltado pela perspectiva da obra imensa que devia conduzir sem qualquer ajuda, passeava de noite pelos montes que dominam o golfo de Génova e acendia ali grandes fogueiras de folhas e de ramos que olhava a consumirem-se. Muitas vezes meditei nessas fogueiras e aconteceu pôr-me em pensamento diante delas, para pô-los à prova, certos homens e certas obras. Pois bem, a nossa época é uma dessas fogueiras cuja insustentável queimadura reduzirá, sem dúvida, muitas obras a cinzas! Mas quanto àquelas que ficarem, o seu metal estará intacto e poderemos a propósito delas dar-nos sem peias àquela alegria suprema da inteligência cujo nome é admiração . Pode-se desejar, sem dúvida, e desejo-o também, uma chama mais doce, uma trégua, o descanso propício ao devaneio. Mas talvez não haja outra paz para o artista senão a q...

Hard Adoption

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“Killing, raping and looting have been common practices in religious societies, and often carried out with clerical sanction. The catalogue of notorious barbarities – wars and massacres, acts of terrorism, the Inquisition, the Crusades, the chopping off of thieves’ hands, the slicing off of clitorises and labia majora, the use of gang rape as punishment, and manifold other savageries committed in the name of one faith or another — attests to religion’s longstanding propensity to induce barbarity, or at the very least to give it free rein. The Bible and the Quran have served to justify these atrocities and more, with women and gay people suffering disproportionately. There is a reason the Middle Ages in Europe were long referred to as the Dark Ages; the millennium of theocratic rule that ended only with the Renaissance (that is, with Europe’s turn away from God toward humankind) was a violent time. Morality arises out of our innate desire for safety, stability and order, without whic...

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«Onde está o político que nos diga alguma coisa sobre o modo como vivemos a difícil arte de viver ? Onde está o deputado que ponha na agenda (do parlamento e da sociedade) a reflexão sobre a informação que temos, a televisão que vemos, as relações sociais que, com ou sem redes, nos fazem dialogar com o outro ? Onde está uma visão política que se defina, não de forma instrumental, mas visceralmente , como um programa cultural?» Políticos Portugueses - Que cultura? «Acontece que o jornalismo contemporâneo vive parasitado por uma ingenuidade (?) perigosa: o que existe como imagem tende a ser imediatamente tratado como "reprodutível", dando origem a uma proliferação do mesmo que, pelo seu efeito de repetição, acaba por favorecer uma banalização sem pensamento, tecida de uma indiferença visceral em relação àquilo que se vê e dá a ver. Tudo pode ser imagem? Sem dúvida, porventura até o silêncio indizível da morte — mas a imagem não é tudo.» A imagem da b...

metal complex

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Amo o teu túmido candor de astro a tua pura integridade delicada a tua permanente adolescência de segredo a tua fragilidade acesa sempre altiva Por ti eu sou a leve segurança de um peito que pulsa e canta a sua chama que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro ou à chuva das tuas pétalas de prata Se guardo algum tesouro não o prendo porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto que dure e flua nas tuas veias lentas e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva para que sintas a verde frescura de um pomar de brancas cortesias porque é por ti que vivo é por ti que nasço porque amo o ouro vivo do teu rosto António Ramos Rosa, in 'O Teu Rosto'

Fatigue Society

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«Hyperspace is a completely hybrid and promiscuous space where everything is intermingled and networked with everything else, a space where cultural and territorial markers have been deleted, a space marked by a total lack of distance. Hyperculturality is hence different from inter- and multiculturality, which is still infused with the negativity of cultural tensions, and varies as well as from transculturality, which still preserves cultural markers and spatial scope. Of course, the internet certainly has elements of hyperspace and speeds up global hyperculturization. Culture in a classic sense disappears in what is, so to speak, more cultural than culture, namely in hyperculture and in reality: as Baudrillard would put it, it disappears in what is more real than real, namely in hyper-reality.» The Terror of Positivity - An Interview with Byung-Chul Han When the child was a child It walked with its arms swinging, wanted the brook to be a river, the river to be a torren...

Embarca Disso

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Finjo que sou mas não sou. Eu nem sei o que é ser. Pra' qui estou. Até ver. Finjo que estou mas não estou. Eu nem sei como se está. E por aqui me vou. Até já. Só quando fnjo que finjo Sou afinal quem pareço. Esta não atinjo. Esqueço. Como se alguém arrancasse a cabeça e a escondesse no bolso das calças de forma a que a luz esquecesse depressa ter entrado sempre por janelas falsas Como se alguém sem o saber dissesse adeus muito antes da hora da verdade e ficasse à esquina de tudo o que acontece e a peste estourasse na cidade Vítor Silva Tavares in "Púsias"