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हरिजन

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Yatra (2004) Anjolie Ela Menon , oil on masonite board. Gift of Gallery ArtsIndia, New York "- O senhor aceita, com certeza - observou Gandhi em tom grave. - com certeza - respondeu lord Louis sem reflectir.- De facto, a minha decisão estava tomada há já algum tempo, e... - Não duvido sequer por um instante, excelência - sorriu Gandhi.- Pois bem - continuou ele inesperadamente -, já que o assunto está encerrado, gostaria de lhe falar de duas ou três coisinhas. Lord Louis ficou preocupado: quando o Mahatma evocava «coisinhas», tratava-se sempre das ideias mais extravagantes. Mas qual! Seria conhecê-lo mal imaginar que seria portador de um único pedido; que iria ele tirar da caixinha das surpresas? - Primeiro desejo falar-lhe da pessoa que imaginei para desempenhar a função que o senhor acaba de aceitar - começou Gandhi. - Perdão? - indagou Mountbatten, estupefacto. - Os tempos actuais não o permitem - continuou Gandhi sem se perturbar. - Mas talvez um dia a ...

Sem_Fim

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Convivo há alguns dias com a senhora P., a porca que escapuliu do quintal de algum. Abri a porta e ela entrou numa corrida guinchada, bambolando. Lá fora o estriduloso da vizinhança, depois silêncio, depois algumas chalaças gritadas mas nem tanto. Depois algum lapuz berrou: vá vá Dominico, deixa a porca prà louca, tu nem tantas, porca e louca se entendem. Ficou num esquinado ao lado da cozinha, achei uns guardados de milho, dei água, umas verduras velhas arrancadas do que foi horta um dia no quintal. Olhei a macieira de maçãs azedinhas, disse que não tocaria mais coisa tão viva mas toquei, vivas nem tanto, são pequenas maçã, esboçam o vermelho, tímidas em redondez, mais desengonço que redondo, não me queimam as mãos.  Tento sair da minha pulverescência, e olho longamente a senhora P. me olha. É parda, soturna, medrosa, no lombo uma lastimadura, um rombo sanguinolento. Hoje pude aproximar-me muito lenta, e como diria o sóbrio: pensei-lhe os ferimentos. Roxo-encarna...

Yearning

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Saut du Lapin ( Salto do coelho ), 1911, óleo sobre tela, 50,2 x 61,6 cm “Se o Universo é a infinita lembrança da esperança, ele é, por isso mesmo, a expressão cósmica da Saudade. Também a consciência humana resulta de um movimento reflexo do espírito criador sobre as suas formas já criadas, da esperança espiritual sobre a lembrança espiritual, da imaginação revolucionária sobre a memória conservadora. E, por isso, a alma, como síntese daquelas duas forças, é a expressão transcendente da Saudade.” Teixeira de Pascoaes in “Os Poetas Lusíadas” “São raros os que teimam em viver, sob a excomunhão do Maior Número, que os crisma de malucos, poetas, criminosos, mágicos! Mas que admirável espectáculo, o do homem que vive, até à hora da sua morte! Eu vos abençoo, malucos, lunáticos, mágicos, criminosos, poetas! e os que saem para a rua, sem chapéu, por divino esquecimento! e os que vão a falar só, pelos caminhos... e os que olham a lua, latindo intimamente.... e os que ...

Attent Room

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In Worcester, Massachusetts, I went with Aunt Consuelo to keep her dentist’s appointment and sat and waited for her in the dentist’s waiting room. It was winter. It got dark early. The waiting room was full of grown-up people, arctics and overcoats, lamps and magazines. My aunt was inside what seemed like a long time and while I waited I read the National Geographic (I could read) and carefully studied the photographs: the inside of a volcano, black, and full of ashes; then it was spilling over in rivulets of fire. Osa and Martin Johnson dressed in riding breeches, laced boots, and pith helmets. A dead man slung on a pole --“Long Pig," the caption said. Babies with pointed heads wound round and round with string; black, naked women with necks wound round and round with wire like the necks of light bulbs. Their breasts were horrifying. I read it right straight through. I was too shy to stop. And then I looked at the cover: the yellow margins, ...

résumé

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Ojos Primitivos      En donde el miedo no cuenta cuentos y poemas, no forma figuras de terror y de gloria.      Vacio grís es mi nombre, mi pronombre.      Conozco la gama de los miedos y ese comenzar a cantar despacito en el desfiladero que reconduce hacia mi desconocida que soy, mi emigrante de si.      Escribo contra el miedo. Contra el viento con garras que se aloja en mi respiración.      Y cuando por la mañana temes encontrarte muerta (y que no haya más imágenes): el silencio de la compresión, el silencio del mero estar, en esto se van los años, en esto se fue una bella alegría animal. Los Pequeños Cantos I nadie mo conoce yo hablo la noche nadie me conoce yo hablo mi cuerpo nadie me conoce yo hablo la lluvia nadie me conoce yo hablo los muertos II sólo palabras las de la infância las de la muerte las de la noche de los cuerpos A Pablo Azcona yVíctor Richini Alejandra Pizar...

Nacht Wacht

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Rembrandt van Rijn - De Nachtwacht (1642) Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão, puxaste-me para os teus olhos transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua, ainda apanhámos o crepúsculo. As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar diferente inundava a cidade. Sentei-me nos degraus do cais, em silêncio. Lembro-me do som dos teus passos, uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas, e a tua figura luminosa atravessando a praça até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é, o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali, continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha essa doente sensação que me deixaste como amada recordação.   in "A Partilha dos Mitos" Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a manhã da minha noite. É verdade que te podia dizer: «Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem, sermos o que sempre fomos, mudar...

Átimo Sempre

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O fim de uma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu na noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta lá. José Saramago - Viagem a Portugal (1984) Mais do que saber, isto é o que pressinto: que entre o nevoeiro algo se oculta e que apenas o pode ver quem sabe exactamente ao que vem; que é preciso estar vigilante para surpreender o momento instantâneo em que, entre a nuvem espessa, todas as coisas ocultas se fazem visíveis, apenas um átimo antes que tudo se dissolva e o sol toque, enfim, as águas. Aqui venho,pois, um dia atrás do outro e aqui me deixo estar à espera que o túnel branco se instale sobre ...