Provoke Sovereignty
Desde há anos que insisto no potencial fascizante de uma crise financeira que acionou o mais poderoso dos aspiradores que suga dos pobres para dar aos ricos (e a que os neoliberais têm chamado “austeridade”), que, a pretexto do que se nos tem descrito como sendo as “consequências irreversíveis da globalização”, asfixia a saúde e a educação públicas de que depende 90% da população, dá cabo de pensões e remunerações, humilha trabalhadores de 40 e 50 anos e explora jovens e migrantes, a todos querendo convencer serem culpados do seu próprio desemprego, da sua pobreza, das suas doenças crónicas. Crises assim, sabemo-lo há muito, servem de instrumento de recomposição das relações sociais e de rearticulação do capital e do poder. Na vida dos Estados, abrem caminho a novos regimes. E era bom que nos lembrássemos que os novos regimes não surgem sempre, nem a maioria das vezes, por golpes ou revoluções armadas. Os de Mussolini e Hitler instalaram-se no poder por processos perfeitamente c...