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Provoke Sovereignty

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Desde há anos que insisto no potencial fascizante de uma crise financeira que acionou o mais poderoso dos aspiradores que suga dos pobres para dar aos ricos (e a que os neoliberais têm chamado “austeridade”), que, a pretexto do que se nos tem descrito como sendo as “consequências irreversíveis da globalização”, asfixia a saúde e a educação públicas de que depende 90% da população, dá cabo de pensões e remunerações, humilha trabalhadores de 40 e 50 anos e explora jovens e migrantes, a todos querendo convencer serem culpados do seu próprio desemprego, da sua pobreza, das suas doenças crónicas. Crises assim, sabemo-lo há muito, servem de instrumento de recomposição das relações sociais e de rearticulação do capital e do poder. Na vida dos Estados, abrem caminho a novos regimes. E era bom que nos lembrássemos que os novos regimes não surgem sempre, nem a maioria das vezes, por golpes ou revoluções armadas. Os de Mussolini e Hitler instalaram-se no poder por processos perfeitamente c...

Fidel a Cuba

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Enquanto possa mirar-se teu rosto destruído e sobre ele erigir-se uma lágrima forte; enquanto possa a luz, tão tua, contemplar-te iluminando o fausto derradeiro e tua fronte ainda não será toda a morte senão um pouco de morte... Nada mais que um pouco de morte! Quando levemos teu ataúde nos ombros e na casa quedem chorando as mulheres e chorem os homens a dor infinita de perder-te... ainda não será toda a morte senão um pouco de morte... Nada mais que um pouco de morte! Quando já estejas debaixo da terra em vermes e poeira convertendo-se; quando já estejas coberto de água negra imerso na sombra para sempre... ainda não será toda a morte senão um pouco de morte... Nada mais que um pouco de morte! Quando os que hoje te choram e os que, tristes calam ao ver como tem caído teus estandartes verdes amanhã não recordem tua juventude radiante nem o claro frescor de tua presença alegre... Então, sim, será toda a morte! Toda a morte! Mas se estás dec...

Hitherto

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Improvvisazione XIV (1910) - Centre Pompidou To create a work of art is to create the world.   Every work of art is the child of its age and, in many cases, the mother of our emotions. It follows that each period of culture produces an art of its own which can never be repeated.   With few exceptions, music has been for some centuries the art which has devoted itself not to the reproduction of natural phenomena, but rather to the expression of the artist's soul, in musical sound.   The sound of colors is so definite that it would be hard to find anyone who would express bright yellow with base notes, or dark lake with the treble.   A painter, who finds no satisfaction in mere representation, however artistic, in his longing to express his inner life, cannot but envy the ease with which music, the most non-material of the arts today, achieves this end. He naturally seeks to apply the methods of music to his own art.   Lend yo...

Teacher

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I met a woman long ago her hair the black that black can go, Are you a teacher of the heart? Soft she answered no. I met a girl across the sea, her hair the gold that gold can be, Are you a teacher of the heart? Yes, but not for thee. I met a man who lost his mind in some lost place I had to find, follow me the wise man said, but he walked behind. I walked into a hospital where none was sick and none was well, when at night the nurses left I could not walk at all. Morning came and then came noon, dinner time a scalpel blade lay beside my silver spoon. Some girls wander by mistake into the mess that scalpels make. Are you the teachers of my heart? We teach old hearts to break. One morning I woke up alone, the hospital and the nurses gone. Have I carved enough my Lord? Child, you are a bone. I ate and ate and ate, no I did not miss a plate, well How much do these suppers cost? We'll take it out in hate. I spent my hatred everyplace, on every work on every face, someo...

Mothers

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Quando voltar ao Alentejo as cigarras já terão morrido. Passaram o verão todo a transformar a luz em canto - não sei de destino mais glorioso. Quem lá encontraremos, pela certa, são aquelas mulheres envolvidas na sombra dos seus lutos, como se a terra lhes tivesse morrido e para todo o sempre se quedassem órfãs. Não as veremos apenas em Barrancos ou em Castro Laboreiro, elas estão em toda a parte onde nasça o sol: em Cória ou Catania, em Mistras ou Santa Clara del Cobre, em Varchats ou Beni Mellal, porque elas são as Mães. O olhar esperto ou sonolento, o corpo feito um espeto ou mal podendo com as carnes, elas são as Mães. A tua; a minha, se não tivera morrido tão cedo, sem tempo para que o rosto viesse a ser lavrado pelo vento. Provavelmente estão aí desde a primeira estrela. E como duram! Feitas de urze ressequida, parecem imortais. Se o não forem, são pelo menos incorruptíveis, como se participassem da natureza do fogo. Com mãos friáveis teceram a rede dos nossos sonhos, alim...

The Disciple

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When Narcissus died the pool of his pleasure changed from a cup of sweet waters into a cup of salt tears, and the Oreads came weeping through the woodland that they might sing to the pool and give it comfort. And when they saw that the pool had changed from a cup of sweet waters into a cup of salt tears, they loosened the green tresses of their hair and cried to the pool and said, «We do not wonder that you should mourn in this manner for Narcissus, so beautiful was he.» «But the Narcissus beautiful?», said the pool. «Who should know that better than you?» answered the Oreads. «Us did he ever pass by, but you he sought for, and would lie on your banks and look down at you, and in the mirror of your waters he would mirror his own beauty.» And the pool answered, «But I loved Narcissus because, as he lay on my banks and looked down at me, in the mirror of his eyes I saw ever my own beauty mirrored.» One should never listen. To listen is a sign of indifference to one...

Stock Town

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Comecei a não querer possuir mais coisas Suponho que a idade leva ao desprendimento E qualquer objecto inútil É uma árdua tarefa para os dias Que nos restam Um relógio por exemplo Dá-nos as horas certas E o que faremos nós Das horas certas Casas atafulhadas prateleiras Repletas de memórias E das gloriosas tardes das fotografias Das cartas de amor guardadas em caixas de sapatos Dos livros cheios de pétalas de flores Entre as páginas mais secretas Muitas manhãs passaram Mas nenhuma como esta Apegamo-nos às coisas antigas A um casaco que usamos algures A uma musica de um tempo que já não existe Trastes velhos e inúteis sem ver o que nos rodeia Tardamos em tudo Coisas (Uma casa nas nuvens) – João filipe 2010 Amor querido, por nada menos que tu Teria eu interrompido este sonho feliz:           Era um tema Para a razão, demasiado forte para fantasia. Portanto, sabiamente, me acordaste; porém O meu sonho não terminou, continuou cont...