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"Mas essencialmente o que perspectivam é a empregabilidade, não tanto o empreendedorismo, apesar do rótulo da educação que favorecem. Não se vê bem se o que mais conta: a educação para a «empregabilidade» (dando uma grande ênfase às aptidões práticas, em vez das aptidões académicas), ou a educação para o empreendedorismo. No entanto, as aptidões na língua materna e em matemática, não são «práticas» no mesmo sentido, embora, de facto, sejam eminentemente práticas para os empregadores. Há uma certa tensão entre a necessidade de bons empregados, a quem não se irão necessariamente exigir grandes capacidades de iniciativa e de imaginação para as empresas, e a incentivação do empreendedorismo em geral. Mas como a «flexibilidade» ou a perspectiva de que ninguém vai ter emprego estável que possa desfrutar por muito tempo parece irreversível, também poder-se-ia esperar que as escolas formassem pessoas «flexíveis», embora este desiderato não apareça em qualquer lista publicada pelas associações de propaganda empresarial tão activas em anos recentes. Para os licenciados no Reino Unido, a estimativa mais citada há alguns anos era de que teriam de sofrer em média cinco mudanças significativas de profissão durante a sua vida, talvez como serial entrepreneurs com os seus altos e baixos(como nas suas vidas pessoais poderão mudar de localidade, de parceiros, de género, de sexualidade, de identidade, de nacionalidade, de religião, etc., mais do que uma vez, portanto a «serialidade» representa uma forma comum)."
"As nossas vidas podem ser filmadas/audio-vídeo gravadas na sua totalidade, 24/7, minuto a minuto: a tecnologia está disponível, e já há quem se disponibilizasse para o efeito. Estes testemunhos, recordações e outros actos memoriais no grupo podem prolongar-se através dos anos, sem as limitações do espaço físico, das ocasiões breves, liminais, dos rituais funerários e piaculares que ainda se observam e da memória colectiva. Uma espécie de quase-imortalidade, senão do corpo, ou da consciência, pelo menos da «alma virtual», uma versão electrónica da «imortalidade subjectiva» comteana, assegurada através de uma grande rede social digital, mas provavelmente também, mais cedo ou mais tarde. através de outras. Para os que forem objecto de algum grupo memorial—potencialmente todos os mortos (humanos) poderiam gozar deste tipo de tratamento—o mais provável será uma estratificação de status e prestígio dos defuntos, com os seus ratings e rankings, tanto depois como antes da morte, pois a reputação póstuma pode variar imenso. A imensa maioria ficará no limbo póstumo virtual. Haverá, no entanto, oportunidades de mercado com respeito a este assunto, e também para empresários inovadores."
Empresas, Mercados, Tecnologia - Uma perspectiva biográfica (ponto 6 e 35) Hermínio Martins publicado na NADA
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