Vilancete Deglupto
Seguramente não sei o que vai mudar mas não foi isso que me fez ganhar a cabeça pelo casaco de pele que trouxe para a escola onde descobri outro igual - foi pré_estreado no passeio com café e sombrinha, à noite despido na pista suada do mavy. Há dez dias fizemos o quarto jantar do outro lado da ribeira, por cima da de gaia, a mirar o porto e o vale das caves assinaladas em largos letreiros, por onde passeamos desde o pilar sentido, por entre ruelas a pique e subterrâneas; entro assim nas memórias da violência íntima (primeiro uma década, mais meia antes, ambas marcantes), regrido às estações da família originária e seus episódios formativos, e busco aí as referências da vontade de paternidade precoce em confronto com as expectativas actuais de um futuro clã em fuga. Desastres à parte, encontro pela ordem de defesa os maravilha no currículo do orientador, ficam duas amigas, vários casais e alguns bebés a caminho: poderia ser perfeito como os números mas tenho as glosas no sangue e vinco feito coro, a moral final.
Antes da chuva no rio
Antes de ser primavera
Antes do corpo vazio
Nunca estive à tua espera
Antes da areia quebrar
Nas ondas da maré alta
Senti o cheiro do mar
Não senti a tua falta
Antes do mal que passei
Antes do bem que vivi
Nunca de ti me lembrei
Nem nunca pensei em ti
Antes da estrela cadente
Riscar o céu doutras luas
Antes do quarto-crescente
Não tive saudades tuas
Não sei como, nem porquê
Antes não sei de que instantes
Meu amor antes de quê
Antes fosse como antes
Duas músicas tão diferentes, dois estilos tão desligados um do outro, mas que casam maravilhosamente.
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