Emergent Kindness
o olhar saboreia o morno vinho
envolve teus cabelos, bebe no teu rosto, adormece
dormente onde tu e as aves vêm pernoitar
aqui sentado, neste restaurante de praia
mosquitos, árvores reclinadas, talvez palmeiras envelhecidas como eu
pregos ferrugentos, madeiras soltas, a boca rente às areias
resíduos calcários de passos pelas ervas altas
águias, soberbas e lentas
(o puto move-se, apertado nas calças finas, como se tivesse o corpo
e os movimentos forrados por uma película em matéria finíssima, transparente, deixando
contudo aperceber as modulações de seu corpo-rebuçado)
bebo, apetece-me gritar no horizonte do meu filme mudo
embriagado e desfeito, olho
aves irradiando luz, cordas encerradas pela transpiração das mãos
as vozes dos homens numa rebentação distante da ressaca
as vozes dos homens puxando os barcos: só o mar das outras terras é que é belo
em grande plano
ocupando-me por completo o écran desfocado dos olhos
o algodão pobre de tua camisa, as unhas roídas
os dedos duros engordurados, o buço macio
despontando num desafio que eu aceito
espero que a noite venha com os seus ínfimos, e solte transparentes
borboletas cobertas de mel
parece que só assim, dizia Lucrécio
tua imagem permanecerá perto de mim, e a doçura do teu nome insinuar-se-á
gota a gota, junto ao coração
Parece que Lucrécio dizia - Al Berto
Então, como evitar as fake news e esta vertiginosa onda de desinformação? As notícias falsas ou incorretas sempre existiram e continuarão a existir. Ao longo dos tempos, tal foi usado no que se chamava propaganda de regime. E a imprensa tradicional muitas vezes se engana e acaba por publicar desmentidos. Mas isso faz parte de um sistema que já todos conhecemos e aprendemos a lidar ao longo de dezenas de anos. A partir do momento em que qualquer cidadão é um potencial jornalista, torna-se urgente separar o trigo do joio.Por isso, a mais eficaz forma de combater a desinformação é a educação ou literacia mediática (que talvez ainda seja mais necessária para adultos do que para jovens).
Um dos pontos principais é, sem dúvida, a observação das fontes. Faz toda a diferença se a notícia é oriunda do New York Times ou de um site desconhecido. Não é possível passar os olhos pelo feed do facebook como quem está a ler um matutino de referência. É necessário estar alerta, questionar-se: Será isto verdade? Quem é que o diz? Porque o diz? A informação sustenta-se em quê? Muitas vezes, cruzar informações torna-se útil. Trate-se de a morte de um escritor ou de uma nova medida do governo, nunca são publicadas em apenas um lugar. E não se iluda porque, apesar dos casos mais flagrantes serem oriundos da extrema direita populista, há notícias falsas para todo o espectro político.
Manuel Halpern - Todos os dias é 1 de Abril no JL1259
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