Oz Tsahal

“Os problemas estão a tornar-se mais complicados e muitas pessoas procuram respostas muito simples; procuram respostas de uma frase, capazes de pôr tudo na ordem; frases que nos digam quem são os maus, quem são os inimigos, quem são os perigosos. Acham que se souberem isso o paraíso pode vir.”



“Desde muito pequeno era muito curioso, tentando perguntar a mim mesmo: ‘O que sentiria eu se fosse ele? O que sentiria eu se fosse ela? O que faria, por que esperaria? Que tipo de impressão gostaria de deixar nos outros? De que me envergonharia?’ É um jogo que tenho vindo a jogar há muito muitos anos.”



Se deixar este mundo sem nunca ter recebido o Nobel, ficarei bem. Vou contar-lhe um segredo: os prémios literários são uma coisa estranha. Eu escrevo livros tal como bebo água ou respiro. Eu não posso deixar de beber água, de respirar nem de escrever. Depois, as pessoas vêm e dizem: ‘Respiras lindamente’ ou ‘Bebes água tão bem que vamos dar-te um prémio.’ Escreveria os mesmos livros, ainda que tivesse de pagar multa por cada um deles – e há pessoas que gostavam de me ver pagá-la, eu sei disso.”



Acho que uma pessoa curiosa tem um pouco mais de moral do que um não-curioso, porque por vezes coloca-se na pele do outro. Penso ainda que um curioso é também um melhor amante. Até a minha abordagem à questão palestiniana, por exemplo, nasceu da curiosidade. Não sou um especialista em Médio Oriente, nem um historiador ou um estratego. Simplesmente perguntei a mim mesmo, desde muito novo, como seria se eu fosse um deles. É o que faço – levanto-me de manhã e pergunto-me: E se? É assim que vivo e é assim que escrevo.”

Obituário no Público


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