Flammable Moat
[...] Deixemos pois de nos queixar que os pais civilizados estragam os filhos com mimos. É a sua função essencial; a natureza não lhes ensinou outra na educação harmoniana. Eles mostram-se hoje perfeitamente aptos para este papel. Estragam a criança com mimos de uma dupla maneira, elogiando-a a respeito dos vícios domésticos e inculcando-lhe vícios sociais, o egoísmo e a cupidez, que, na civilização, se opõem geralmente ao bem geral. Na Harmonia, os pais poderão e deverão mimar os filhos num e noutro sentido, pois o interesse geral coincidirá com o bem público por efeito da associação geral, e os defeitos da criança serão suficientemente corrigidos por uma vintena de grupos de que ela será membro e que não a pouparão nas suas lições. E será nessa altura que o pai a consola das reprimendas e das ironias de que terá sido objecto nestas corporações: os elogios do pai constituirão tão-só uma suavização da censura, que não será menos proveitosa para a criança, forçada à destreza industrial.
Em definitivo, os educadores da criança não são os pais, demasiado cegos para ajuizar dos defeitos de um filho, nem os mestres, cujas lições se tornam estéreis, pois não inspiram à criança qualquer entusiasmo. Ela só pode ser educada pelos seus semelhantes, um pouco mais velhos, ou da mesma idade com rivalidade de funções. É este o efeito da distribuição harmoniana em coros, em grupos rivais, em séries rivais. Não se conhecem disposições semelhantes na ordem civilizada. Por isso, todos os sistemas de educação só conduzem à perpetuação da brutalidade do povo que nem sequer sabe ler nem escrever, enquanto, na Harmonia, o homem do povo acede, por simples emulação, aos conhecimentos experimentais dos nossos agrónomos, às luzes dos nossos sábios e à cortesia dos nossos sibaritas. Assim, já não é povo, mas classe pobre que tem a pretensão de superar em instrução e boas maneiras a classe rica.
Fim d'A Infância Emancipada (Vers une Infance Majeur - Textes sur l'éducation) ― Charles Fourier
Ed. Antígona (2007) Pag201/2 Trad. Luís Leitão
![]() |
| Portrait by Jean Gigoux, 1835 |
“... y Norma cerraba los ojos de pura vergüenza, para no ver la mancha oscura que de pronto aparecía sobre su bata y empapaba la sábana de la cama; para no ver las narices fruncidas por el asco de las mujeres de las camas aledañas, ni las miradas acusadoras de las enfermeras, cuando al fin se dignaban a cambiarla, sin desamarrarla ni un solo instante de la cama porque esas habían sido las instrucciones de la trabajadora social: tenerla prisionera hasta que la policía llegara, o hasta que Norma confesara y dijera lo que había hecho, porque ni siquiera bajo la anestesia que le inyectaron antes de que el doctor le metiera fierros logró la trabajadora social sacarle algo a Norma, ni siquiera cómo se llamaba, ni que edad verdaderamente tenía, ni qué era lo que se había tomado, ni quién era la persona que se lo había dado, o dónde era que lo había botado, mucho menos por qué lo había hecho, y dónde vivía, para que la policía fuera a arrestarlo, porque el muy desgraciado se había largado después de dejarla abandonada en el hospital. ¿No le daba coraje? ¿No quería que él también pagara?”
Fernanda Melchor ― Temporada de Huracanes (2017)
vence prémio correntes d'escritas

Comentários
Enviar um comentário