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Whore Carrier

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Colored version of the 'Whore of Babylon' - illustration from Martin Luther's 1534 translation of the Bible « Observou de imediato: "Pensar Portugal é pensá-lo no que ele é e não iludirmo-nos sobre o que ele é. Ora o que ele é a inconsciência, um infantilismo orgânico, o repentismo, o desequilíbrio emotivo que vai da abjeção e lágrima fácil aos atos grandiosos e heroicos, a credulidade, o embasbacamento, a difícil assunção da própria liberdade e a paralela e cómoda entrega do próprio destino às mãos dos outros, o mesquinho espírito de intriga, o entendimento e valorização de tudo numa dimensão curta, a zanga fácil e a reconciliação fácil como se tudo fossem rixas de família, a tendência para fazermos sempre da nossa vida um teatro, o berro, o espalhafato, a desinibição tumultuosa, o despudor com que exibimos facilmente o que devia ficar de portas adentro, a grosseria de um novo-rico sem riqueza, o egoísmo feroz e indiscreto balanceado com o altruísmo, se houv...

Roads

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Miguel D’Alte   'ESPECTROS' Óleo s/ Tela 150 x 200 cm ( 1986) Vidraças que me separam Do vento fresco da tarde Num casulo de silêncio Onde os segredos e o ar São as traves duma ponte Que não paro de lançar Fica-se a ponte no espaço À espera de quem lá passe Que o motivo de ser ponte Se não pára a construção Vai muito mais a vontade De estarem onde não estão Vem a noite e o seu recado Sua negra natureza talvez a lua não falte Ou venha a chuva de estrelas Basta que o sono consinta A confiança de vê-las Amanhã o novo dia Se o merecer e me for dado Um outro pilar da ponte Cravado no fundo do mar Torna mais breve a distância Do que falta caminhar Nadir Afonso 'VILA NOVA DE GAIA' Óleo sobre tela. 51,5 x 48,8 cm ( c. 1942)  Há sempre um ponto de mira O mais comum horizonte Nunca as pontes lá chegaram Porque acaba o construtor Antes que a ponte se entronque Onde se acaba o transpor Sobre o va...

Luft Titan

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"Depois do último tremor de terra as casas encostaram-se aos novos montes e começaram a alastrar outra vez. Não parecia que fosse para se viver nelas: dava mais ideia que era para haver mais ruas. Inóspitas, acanhadas, exibiam soluções absurdas na reconquista dos solos que o terramoto desconfigurara. Vistas da colina ou das séries de pátios que se abriam ao vento, as casas, realmente, interessavam pouco. Isto na zona velha, que é a que constitui propriamente a cidade. Os bairros erigidos na periferia pouco ou nada apresentavam de ontológico. Certo que ainda não fora a eles a mão do terramoto. Mais uns anos, certas confirmações, e dariam também a sensação de vácuo aglomerado que se sentia na parte velha da urbe. Do remoto passado da cidade contavam-se histórias fabulosas, inverificáveis (devido às destruições) mas logicamente ligadas ao elemento Água. Procópio's Town erguera-se da água, não como os povos dos Países Baixos, que se opõem ao mar como a um campo de mor...

μανδραγόρας

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Farbstudie: Quadrate mit konzentrischen Ringen - Wassily Kandinsky (1913) Stasis in darkness. Then the substanceless blue Pour of tor and distances. God's lioness, How one we grow, Pivot of heels and knees! -- The furrow Splits and passes, sister to The brown arc Of the neck I cannot catch, Nigger-eye Berries cast dark Hooks -- Black sweet blood mouthfuls, Shadows. Something else Hauls methrough air -- Thighs, hair; Flakes from my heels. White Godiva, I unpeel -- Dead hands, dead stringencies. And now I Foam to wheat, a glitter of seas. The child's cry Melts in the wall. And I Am the arrow, The dew that flies Suicidal, at one with the drive Into the red Eye, the cauldron of morning. Sylvia Plath - Ariel (1965) «In the days of wheat harvest Reuben went and found mandrake s in the field and brought them to his mother Leah. Then Rachel said to Leah, “Please give me some of your son's mandrakes.” But she said to ...

Flat State

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"Nada, porém, traduzia este presente sem saída e sem repouso como a frase antiga que integralmente dá a volta sobre si mesma, por ser construída letra a letra como um labirinto de que não se pode sair, de modo que tão perfeitamente harmoniza a forma e o conteúdo da perdição: In girum imus nocte et consumimur igni . Movemo-nos na noite sem saída, e somos devorados pelo fogo. «Uma geração passa, e outra lhe sucede, mas a terra permanece sempre. O sol levanta-se e põe-se, e volta de onde tinha partido… Todos os rios entram no mar, e o mar nunca transborda. Os rios regressam ao mesmo lugar de onde tinham partido, para voltar a correr… Todas as coisas têm o seu tempo, e tudo passa debaixo do céu, depois do prazo que lhe foi prescrito… Há tempo de matar e tempo de curar, tempo de abater e tempo de construir… Há tempo de dilacerar e tempo de voltar a unir, tempo de calar e tempo de falar… Mais vale ver o que se quer, que desejar o que se ignora; mas até isso é uma vaidade e uma pres...

Balanide

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Gland point suprême de l’être De mon maître, De mon amant adoré Qu’accueille avec joie et crainte, Ton étreinte Mon heureux cul, perforé Tant et tant par ce gros membre Qui se cambre, Se gonfle et, tout glorieux De ses hauts faits et prouesses, Dans les fesses Fonce en élans furieux. — Nourricier de ma fressure, Source sûre Où ma bouche aussi suça, Gland, ma grande friandise, Quoi qu’on en dise Quelque fausse honte, or, çà, Gland, mes délices, viens, dresse Ta caresse De chaud satin violet Qui dans ma main se harnache En panache Soudain d’opale et de lait. Ce n’est que pour une douce Sur le pouce Que je t’invoque aujourd’hui Mais quoi ton ardeur se fâche... Ô moi lâche ! Va, tout à toi, tout à lui, Ton caprice, règle unique. Je rapplique Pour la bouche et pour le cu Les voici tout prêts, en selle, D’humeur telle Qui te faut, maître invaincu. Puis, gland, nectar et...

Time Passage

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Nada me prende, a nada me ligo, a nada pertenço. Todas as sensações me tomam e nenhuma fica. Sou mais variado que uma multidão de acaso, Sou mais diverso que o universo espontâneo, Todas as épocas me pertencem um momento, Todas as almas um momento tiveram seu lugar em mim. Fluido de intuições, rio de supor-mas, Sempre ondas sucessivas, Sempre o mar — agora desconhecendo-se Sempre separando-se de mim, indefinidamente. Ó cais onde eu embarque definitivamente para a Verdade, Ó barco com capitão e marinheiros, visível no símbolo, Ó águas plácidas, como as de um rio que há, no crepúsculo Em que me sonho possível — Onde estais que seja um lugar, quando sois que seja uma hora? Quero partir e encontrar-me, Quero voltar a saber de onde, Como quem volta ao lar, como quem torna a ser social, Como quem ainda é amado na aldeia antiga, Como quem roça pela infância morta em cada pedra de muro, E vê abertos em frente os eternos campos de outrora E a saudade como uma canção...