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Risen Annihilation

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Ignudo , fresco painted by Michelangelo | Sistine Chapel Ceiling (1508-1512) Rome, Vaticano Let us go then, you and I, When the evening is spread out against the sky Like a patient etherized upon a table; Let us go, through certain half-deserted streets, The muttering retreats Of restless nights in one-night cheap hotels And sawdust restaurants with oyster-shells: Streets that follow like a tedious argument Of insidious intent To lead you to an overwhelming question. . . . Oh, do not ask, "What is it?" Let us go and make our visit. In the room the women come and go Talking of Michelangelo. The yellow fog that rubs its back upon the window-panes, The yellow smoke that rubs its muzzle on the window-panes, Licked its tongue into the corners of the evening, Lingered upon the pools that stand in drains, Let fall upon its back the soot that falls from chimneys, Slipped by the terrace, made a sudden leap, And seeing that it was a soft October night, C...

Lying Radar II

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[...] Tais coisas são menos do que o trompete amarelo de um asfódelo do campo, muito menos do que a mais ínfima das artes visuais; porque assim como a Natureza é matéria aspirando a tornar-se espírito,  a Arte é espírito exprimindo-se a si mesmo sob condições impostas pela matéria, e, por isso, até mesmo nas mais humildes das suas manifestações, ela se dirige, de modo idêntico, aos sentidos e à alma. Para um temperamento estético, o vago é sempre repulsivo. Os gregos eram uma nação de artistas porque passaram ao lado da noção de infinito. Como Aristóteles , como Goethe depois de ter lido Kant , aspiramos ao concreto, e nada senão o concreto nos poderá satisfazer. - O que propões então? -Quer-me parecer que, com o desenvolvimento do espírito crítico, seremos capazes de realizar não apenas as nossas próprias vidas, mas a vida colectiva da raça, tornando-nos, desse modo, absolutamente modernos, no verdadeiro sentido da palavra modernidade. Porque aquele para quem o presente...

conflagration garden

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ouve-me que o dia te seja limpo e a cada esquina de luz possas recolher alimento suficiente para a tua morte vai até onde ninguém te possa falar ou reconhecer – vai por esse campo de crateras extintas – vai por essa porta de água tão vasta quanto a noite deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te e as loucas aveias que o ácido enferrujou erguerem-se na vertigem do voo – deixa que o outono traga os pássaros e as abelhas para pernoitarem na doçura do teu breve coração – ouve-me que o dia te seja limpo e para lá da pele constrói o arco de sal a morada eterna – o mar por onde fugirá o etéreo visitante desta noite não esqueças o navio carregado de lumes de desejos em poeira – não esqueças o ouro o marfim – os sessenta comprimidos letais ao pequeno-almoço RECADO The Great Fire of London 5th Sept. 1666 (by unknown painter | 1700) deus tem que ser substituído rapidamente por poemas, sílabas sibilantes, lâmpadas acesas, corpos palpáveis, vivos e limpos...

שאול

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Grava-me como um selo em teu coração, como uma marca indelével em teu braço; pois o amor é tão forte quanto a morte e a paixão é tão inflexível quanto a própria sepultura. Tuas brasas são fogo ardente, são como as labaredas do Eterno! Nem mesmo as muitas águas conseguem apagar o amor; os rios não conseguem arrastá-lo correnteza abaixo. Quisesse alguém dar tudo o que possui para comprar o amor, qualquer valor seria absolutamente desprezado. Cântico dos Cânticos VIII 6/7 Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança: Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança: Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto. E afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como...

smooth burning

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«Neste mundo dos media, afirma o investigador francês Patrick Charaudeau , assiste-se “à aproximação entre a esfera política e a esfera civil. O discurso político passa a englobar o discurso da vida privada”. O dirigente neo-populista tenta apresentar-se como uma réplica do homem comum. Como um de nós. Com os mesmos problemas. Com igual forma de viver. De se divertir. É vê-los em talk-shows. É vê-los em programas humorísticos, procurando desenvencilhar-se, o melhor possível, do incómodo entrevistador. É o dirigente político envolvido num espectáculo, enquanto actor desse mesmo espectáculo. [...] Tal individuação da representação política, enquanto nova lógica mediática, agrada muito especialmente à televisão que lida melhor com a imagem do homem ou da mulher que fala. Que diz. Que desafia. Que ousa. Agrada mais à televisão que explora, assim, o sensacional, o insólito, na procura incessante das mais elevadas audiências. A campanha para as eleições presidenciais de Marcelo ...

وجود‎‎

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March the 21st, 1788 To the QUEEN's Most Excellent Majesty. Madam Your Majesty's well known benevolence and humanity embolden me to approach your royal presence, trusting that the obscurity of my situation will not prevent your Majesty from attending to the sufferings for which I plead. Yet I do not solicit your royal pity for my own distress: my sufferings, although numerous, are in a measure forgotton. I supplicate your Majesty's campassion for millions of my African countrymen, who groan under the lash of tyranny in the West Indies. The oppression and cruelty exercised to the unhappy negroes there, have at length reached the British legislature, and they are now deliberating on its redress; even several persons of property in slaves in the West Indies have petitioned parliament against its continuance, sensible that it is as impolitic as it is unjust and what is inhuman must ever be unwise. Your majesty's reign has been hitherto distinguished by priv...

Relative Disaster

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País por conhecer, por escrever, por ler... País purista a prosear bonito, a versejar tão chique e tão pudico, enquanto a língua portuguesa se vai rindo, galhofeira, comigo. País que me pede livros andejantes com o dedo, hirto, a correr as estantes. País engravatado todo o ano e a assoar-se na gravata por engano. País onde qualquer palerma diz, a afastar do busílis o nariz: -Não, não é para mim este país! mas quem é que bàquestica sem lavar o sovaco que lhe dá o ar? Entrecheiram-se, hostis, os mil narizes que há neste país. País do cibinho mastigado devagarinho. País amador do rapapé, do meter butes e do parlapié, que se espaneja, cobertas as miúdas, e as desleixa quando já ventrudas. O incrível país da minha tia, trémulo de bondade e de aletria. Moroso país da surda cólera, de repente que se quer feliz. Já sabemos, país, que és um homenzinho... País tunante que diz que passa a vida a meter entre parêntesis a cedilha. A damisela passeia ...