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“O Islão nasce beduíno mas em poucas décadas torna-se uma civilização citadina e cosmopolita. A peregrinação anual a Meca, berço e centro da religião, permite trocas culturais únicas e significativas – também aí se promoverá uma certa unidade na diversidade.



O Islão é um complexo geo_cultural que não apresenta a unidade que muitas vezes se tenta promover. Pelo contrário, a sua amplitude geográfica, a sua diversidade cultural e a riqueza que cada povo nele foi introduzindo, conferem-lhe um carácter de unidade na diversidade. O Alcorão e o árabe nele escrito unem povos separados geográfica e culturalmente, produzindo uma amplíssima zona de contacto, sujeita a negociações frequentes e que lhe conferiram uma inusitada capacidade de diálogo e tolerância. O território português representa uma dessas zonas de contacto: distante do centro fundador do Islão, distante dos centros de poder de Damasco ou Bagdad, as gentes daqui conviveram de forma relativamente pacífica e , também na arte, encontramos inúmeras formas dessa negociação – templos paleocristãos islamizados; estelas cristãs com motivos muçulmanos; poemas bilingues. Daí que seja bem mais fácil tratar de arte mediterrânea, persa, turca ou indiana. Falar de ‘arte islâmica’ é quase impossível.”
Rui Santos Catálogo da Exposição «Olhares cruzados sobre arte e islão»Pag. 16/7

"A Cultura não é o lugar de revelação alguma, é apenas o lugar onde todas as revelações são examinadas e discutidas sem fim. Para que cada um de nós possa viver dessa discussão infinita do mundo e de si mesmo."
Eduardo Lourenço

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