Measure for Measure
“E disse-lhes: Atendei ao que ides ouvir. Com a medida com que medirdes, vos medirão a vós, e ser-vos-á ainda acrescentada. Porque, ao que
tem, ser-lhe-á dado; e ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.”
Evangelho de S. Marcos (4.24-25)
Regresso das compras semanais de supermercados sem escolha nem consumidores, transporto-me por sistemas cada vez mais fechados e, a abarrotar em traçados parados, vias livres de comércio quase a serem portajadas de múltiplas fronteiras. Com a chegada da nova miséria, somos todos gregos e, a modos de pirataria, repito a porta larga e seu repasto frente à extinta sede da banda dos guises; na ausência do calor fraterno, (pre)sinto a mesma vocação do professor mattoso como um vírus a espalhar-se pelas criaturas transgressoras que se massacram e só penso na fuga pelo caminho da verdade – vou por estrada luminosa e coralina, de carne, sonho e bruma, vencendo as barreiras desta lógica partidária.
“Ao contrário do que a generalidade das religiões defende,
primeiro era o mal. O «bem» absoluto não existe, nem se encontra em oposição ao
«mal»; o «bem» impõe-se como forma de evitar, prevenir ou minimizar o «mal»,
por isso é transitório. O mundo, a natureza são adversos ao homem. Um «mal» que
obriga a combate-lo para sua autodefesa e sobrevivência, perante as quatro
«faces primitivas»: «a morte ou perda, a dor física, o sofrimento psíquico e a
escassez de bens (a fome e a sede)». Por isso somos dominados por desejos de
posse e domínio – esta é a perspetiva individual do ser, que almeja a
liberdade. Mas, enquanto ser social, essa liberdade vê-se coartada pela
existência do outro. É então que surge o «bem», conceito moral variável ao
longo dos tempos.”
Dóris Graça Dias – Páginas de Revolta (crítica a Miguel
Real) Pag. 90 Ler nº112 | abril 2012
“Ora, recuperando Lefebvre, é necessário ter em perspectiva
que o quotidiano não tem sentido divorciado do processo histórico que o
reproduz. Não há reprodução sem uma determinada produção de relações sociais. O
quotidiano é também produto do modo de produção e nele se entrecruzam o tempo
cíclico e o tempo linear, modalidades diversas do repetitivo e também
demarcadoras do ritmo dos processos sociais, da sua historicidade.
Contudo, e também no plano da historicidade, na convicção de
que a vida é movimento, que é possível vislumbrar o encontro do autor com a sua
obra, do ser humano como criador e criatura de si mesmo, na medida em que é no
fragmento do tempo do processo repetitivo que as contradições emergem e fazem
surgir o momento da criação e anúncio da História. O tempo do possível.”
Ivonaldo Leite – A vida simples na sociedade contemporânea Pag. 90 d’A Página da Educação nº196| primavera 2012
Uma peça à minha medida...
ResponderEliminarE é de ver (e pensar): no são Luís de 17 a 20 de Maio.
ResponderEliminarEm viena estão hoje 27 graus!...