Five o'Logy


City of Glass: The Graphic Novel Adapted by David Mazzucchelli and Paul Karasik


“Quase todos os dias, chovesse ou fizesse sol, estivesse quente ou frio, saía para dar um passeio pela cidade – sempre sem destino, simplesmente indo até onde as suas pernas o levassem. […] Nova Iorque era um espaço inesgotável, um labirinto de passos intermináveis; mas independentemente de se ter familiarizado com as vizinhanças e ruas, ficava sempre com a sensação de estar perdido. Perdido não apenas na cidade, mas também dentro de si. Sempre que dava um passeio, sentia-se como se se deixasse a si próprio para trás e, entregando-se ao movimento das ruas, reduzido a um olho que vê, conseguia escapar à obrigação de pensar, e isto, mais de qualquer outra coisa, trazia-lhe uma certa paz, um salutar vazio interior. […]


Ao caminhar sem destino, todos os lugares se tornavam semelhantes, deixando de ter importância o sítio onde se encontrava. Nos seus melhores passeios, conseguia atingir o sentimento de que não estava em sítio algum. Nova Iorque era esse nenhures que havia construído à sua volta, e apercebeu-se de que não tencionava abandonar aquela cidade, nunca.”

A Cidade de Vidro (1985) – Paul Auster



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