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Fun Love

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O post abaixo é deste mundo, procura entender a relação entre 1,4 milhões de crianças subnutridas, à beira de morrerem com fome, e 1,4 milhões ou mais de páginas vindas a lume com todo o tipo de dietas, algumas inimagináveis, praticadas num mundo que teimamos em dizer civilizado. Também me fascinam as possibilidades de vida extraterrestre, comovo-me com a descoberta de novos planetas, fico a sonhar com os sete novos irmãos a 40 anos-luz de distância. Espero, porém, e muito honestamente, que em nenhum desses planetas existam 1,4 milhões de crianças à beira de morrerem com fome. Espero que só neste mundo, o meu, sejam possíveis tais contrastes e tamanha insensibilidade. Não se trata de demagogia esperar que os homens olhem um pouco mais para o que têm à frente do nariz, não pode ninguém ser acusado de demagogia por esperar que com tantas práticas saudáveis ao nosso alcance, com tantas dietas para todos os gostos, haja pelo menos uma que livre de morrerem com fome 1,4 milhões de cr...

Dissolut Rhythm

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O que eu adoro em ti, Não é a tua beleza. A beleza, é em nós que ela existe. A beleza é um conceito. E a beleza é triste. Não é triste em si, Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza. O que eu adoro em ti, Não é a tua inteligência. Não é o teu espírito sutil, Tão ágil, tão luminoso, – Ave solta no céu matinal da montanha. Nem é a tua ciência Do coração dos homens e das coisas. O que eu adoro em ti, Não é a tua graça musical, Sucessiva e renovada a cada momento, Graça aérea como o teu próprio pensamento. Graça que perturba e que satisfaz. O que eu adoro em ti, Não é a mãe que já perdi. Não é a irmã que já perdi. E meu pai. O que eu adoro em tua natureza, Não é o profundo instinto maternal Em teu flanco aberto como uma ferida. Nem a tua pureza. Nem a tua impureza. O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me! O que eu adoro em ti, é a vida.   Manuel Bandeira - Madrigal Melancólico (1920)

corps parlant

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«Pendant plus de deux siècles, ce nom a orienté les événements et organisé les représentations. Non seulement en Europe, mais dans le reste du monde, il a marqué la division qui sépare amis et ennemis. Au jugement de certains, même les guerres mondiales passaient au second rang ; accélérant ou retardant la révolution, elles lui étaient subordonnées. À proprement parler, le nom résume une croyance et un lexique; user affirmativement du mot révolution, c'est d'abord croire en la révolution; croire en la révolution requiert qu'on use affirmativement du mot révolution. Plus qu'une croyance parmi d'autres naît la croyance des croyances, celle qui rend toutes les autres possibles. Longtemps, la Révolution française y a tenu le premier rang. Elle a orienté les discours, que ceux-ci lui rendent hommage ou la rejettent. Adversaires acharnés ou partisans fidèles, de Joseph de Maistre à Victor Hugo, de Taine à Jean-Paul Sartre, nul n'est demeuré indifférent en lang...

Chose Noir

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Battement de la mer        eau en mouvement     eau               errante.    débris.     thyms.    Orties.     contre le temps       j’allais à ton odeur.       je m’allongeais sur ta ruine.    Je dormais devant ton corps.    Temps en retour       ré       volu maintenant.         rose    Photographique soufflée.    Des vents      .      rose       baie      .      rosaire    Que ta main arrête      .  ...

Sinister Quarter

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«A mental disease has swept the planet: banalization. Everyone is hypnotized by production and conveniences — sewage systems, elevators, bathrooms, washing machines. This state of affairs, arising out of a struggle against poverty, has overshot its ultimate goal — the liberation of humanity from material cares — and become an omnipresent obsessive image. Presented with the alternative of love or a garbage disposal unit, young people of all countries have chosen the garbage disposal unit. It has become essential to provoke a complete spiritual transformation by bringing to light forgotten desires and by creating entirely new ones. And by carrying out an intensive propaganda in favor of these desires.» «The Sinister Quarter, for example, would be a good replacement for those ill-reputed neighborhoods full of sordid dives and unsavory characters that many peoples once possessed in their capitals: they symbolized all the evil forces of life. The Sinister Quarter would have no ...

וואַנט פון שאָד

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“A América primeiro… A América para os americanos…” Onde é que já ouvimos isto? Os povos têm a memória curta, mas há pelo menos um povo que não pode nem deve esquecer. Esse povo, o povo judeu onde me incluo, não se pode dar a esse luxo porque a factura foi incomensurável. Devíamos lembrar-nos de que os pretensos salvadores só trazem desgraças, que a procura de bodes expiatórios só fomenta a violência, que alimentar os sentimentos de superioridade nacional, religiosa ou de pele favorece o ódio e o ressentimento. E sobretudo, não devíamos esquecer que tratar cada individuo não como tal, mas como parte de um colectivo indistinto, no qual todos são à partida suspeitos ou culpados, para além de iníquo, é perigoso porque leva a que a resposta seja também colectiva, juntando pessoas que à partida nem se identificam com o grupo onde as encerram. A retórica do “Nunca mais”, mais do que desacreditada, deveria ser substituída pela “Nós lembramo-nos”. Como judeus não podemos esquecer a...

Miopias

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Musa vã, que em ti não cabes, os guerreiros arraiais nem vituperes, nem gabes; e não te metas jamais a falar no que não sabes. Haja bloqueio, haja assédio; o sangue humano espalhado nem sempre te cause tédio; que em boa dose tomado, até o veneno é remédio. Deixa ir o mundo seu passo, e contra si mesmo armado corte c'um braço o outro braço. Põe na boca um cadeado, faze o que eu mil vezes faço. Nicolau Tolentino - Guerra (excerto) «Desde 1910 –hace cincuenta años– me dedico a la greguería, que nació aquel día de escepticismo y cansancio en que cogí todos los ingredientes de mi laboratorio, frasco por frasco, y los mezclé, surgiendo de su precipitado, depuración y disolución radical, la greguería . Desde entonces, la greguería es para mí la flor de todo lo que queda, lo que vive, lo que resiste más al descreimiento. La greguería ha sido perseguida, denigrada, y yo he llorado y reído por eso entremezcladamente, porque eso me ha dado pena y me ha hecho...