Bay Look
“O hotel e a praia, qual tapete crestado, eram um só. De manhã cedo, a imagem distante de Cannes, os tons de rosa e creme de velhas fortificações e os Alpes purpúreos que limitam a Itália reflectiam-se na água e tremeluziam na ondulação e nos círculos formados à superfície pelas algas dos baixios límpidos. Antes das oito horas, um homem de roupão azul desceu à praia e, depois de muitas aplicações prévias da água fria à sua pessoa, depois de muito resmungar e arfar, chapinhou no mar por instantes. Quando se foi embora, praia e baía ficaram em sossego durante uma hora. Navios vogavam para oeste, no horizonte; os empregados dos autocarros gritavam no átrio do hotel; o orvalho evaporava-se sobre os pinheiros. Uma hora mais tarde as buzinas dos automóveis começaram a ouvir-se da estrada sinuosa ao longo da pequena faixa dos Maures, que separa o litoral da verdadeira França provençal.”
F. Scott Fitzgerald – início de “Terna é a Noite” 2011 (da colecção Não Nobel, ed. Levoir / Público; trad. Maria Filomena Duarte)
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