La Luxuración


Pela noite que a antecedia, senti o frio apressar as folhas a caírem; voltei a casa e dormi, aguardando a jornada seguinte. Logo que pude, saí para desinscrever-me da fase do desemprego e enviar a carta de suspensão para a segurança social nos correios (em ambos havia um serviço mínimo de funcionários que atendia um número ainda menor de utentes). Compro o álbum sobre as judiarias nacionais de quatrocentos com suporte cartográfico_filatélico e quando regresso, recebo a chamada da mãe informando sobre o último cheque que me despacho a pedir-lhe se consegue saber como se devolve. Sigo a pé para a escola com o calor do meio_dia a aquecer-me o corpo, aceito o convite do colega para almoçar na casa com vista para este e picoto, partilhamos refeição e boleia com a sua querida e recém_esposa. Depois acompanho-o até ao departamento de recursos humanos da universidade no paço medieval para se candidatar enquanto se dá a materna resolução do caso final.



Na volta do intervalo, dirijo-me para a avenida vibrando com a aproximação do lado negro da força, da luta do bem contra o mal. Uma voz de rapariga lindíssima ecoa pelos janes acompanhada de toques na caixa e nas cordas do violão; deito uma moeda para a mala no chão da esquina. Atravesso a multidão que, ainda dispersa, permite chegar à esplanada do Viana para vos escrever. Ouço as vaias e os vivas das gentes no centro da praça, que invade as almas que passam apelando à revolta, os que transeundam ignorando ou saudando os que ganharam esta batalha. Rebento e descanso.


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