Magis Adoratur
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| Adoration of the Magi, Gentile da Fabriano, 1423 |
Come, all ye shepherds, ye children of earth,
Come ye, bring greetings to yon heavenly birth.
For Christ the Lord to all men is given,
To be our Savior sent down from heaven:
Come, welcome Him!
Hasten then, hasten to Bethlehem’s stall,
There to see heaven descend to us all.
With holy feeling, there humbly kneeling,
We will adore Him, bow down before Him,
Worship the King.
Angels and shepherds together we go
Seeking the Savior from all earthly woe;
While angels, winging, His praise are singing,
Heaven’s echoes ringing, peace on earth bringing,
Good will to men.
Bohemian folk song (Nesem vám noviny);
translated to English by Mari Ruef Hofer, 1912
«Podemos facilmente observar, porque os seus signos são de uma enorme evidência, que a vergonha é um sentimento que desapareceu da política. E digo “da política”, e não “dos políticos”, para evitar a psicologização e apelar, antes, à referência espinosista que, refutando uma falsa antinomia entre ideia e afecto, afirma que os afectos são o material da política.
Os políticos apanhados a cometer infracções legais ou morais que os destituem tanto no aspecto político como cívico parecem ser indiferentes ao ethos social e mantêm geralmente uma atitude de realismo apático e desavergonhado. A desvergonha tornou-se mesmo um capital simbólico e um motor fundamental da acção política.
A manifestação protocolar de agradecimento pela dedicação e sentido do dever aos que se demitem (voluntária ou coercivamente) porque já não têm condições para ficar, devido a palavras ou decisões impróprias, tem de ser entendida como uma operação de branqueamento e uma contribuição para a anulação da vergonha e da culpabilidade enquanto sentimentos que a racionalidade política do nosso tempo expulsou da sua acção e até do seu horizonte. A manifestação individual de vergonha afecta todo o edifício político e afecta, portanto, até aqueles que não têm nenhuma razão para se sentirem envergonhados. A positividade ética da vergonha tornou-se uma negatividade política. [...]»
A política desavergonhada - António Guerreiro
(Continuar a ler)

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