baluarte grimório

Autorretrato con bandera – Fernando Botero



“Y creo que te quiero de verdad:

porque no te necesito

y aún asi no quiero que te vayas,

porque eres verdad sobre toda mi vida

y tu cara parece un logro sobre esta losa que me arrastra,

un beso a la flor marchita de mi lápida,

porque meciste mi mano para escribir mis temores

de una forma tan suave que pareció una caricia

y ya no tengo miedo más allá de mi misma,

porque me has hecho amar

aquello en lo que dejé de creer

y meciéndote un cielo y un nombre de diosa,

te quedas en mi tierra.”




“Si pudiera,

mi amor,

convertiría todo lo que ahora es singular

en plural.


Pero no puedo,

así que has de conformarte

con lo único que puedo hacer:

quererte

-no el doble, ni por dos, ni al cuadrado,

sino con la fuerza de un ejército

de tres mil latidos y doscientos litros de sangre

que queriéndote dar más de lo que tiene

te da todo lo que es-.”


in Baluarte (2014) - Elvira Sastre



"Imortal, eterno, inefável e santo Pai de todas as coisas, que carro rodante caminha sem cessar por esses mundos que giram sempre na imensidão do espaço; dominador dos vastos e imensos campos do éter, onde ergueste o teu poderoso trono, que despende luz e luz, e de cima da qual os teus tremendos olhos descobrem tudo, e os teus largos ouvidos tudo ouvem! Protege os filhos que amaste, desde o nascimento dos séculos, porque longa e eterna é a duração. Tua majestade resplandece acima do mundo e do céu de estrelas. Tu te elevas acima delas, ó fogo cintilante, e te alumias e conservas a ti mesmo pelo teu próprio resplendor, saindo de tua essência, correntes inesgotáveis de luz, que alimentam teu Espírito Infinito! 



Este Espírito Infinito produz as coisas, e constitui esse tesouro imorredouro, de matéria, que não pode faltar à geração de cada coisa e com a qual é revestida e cheia desde o começo ela rodeia pelas mil formas de que se acha acordada. Deste espírito tiram também sua origem esses santíssimos reis que se acham de pé ao redor do teu trono, e que compõem a tua corte, ó Pai dos bem-aventurados mortais e imortais! Tu tens em particular poderes que são maravilhosamente iguais ao teu ai teu eterno pensamento e à tua adorável essência, tu os estabelecestes superiores aos anjos, que anunciam ao mundo tuas vontades. Finalmente, tu criaste mais uma terceira ordem de soberanos, nos elementos.

A nossa prática de todos os dias é louvar-te e adorar as tuas vontades. Ardemos em desejos de possuir-te. Ó Pai! Ó Mãe. Ó forma de todas as formas! Alma, espírito, harmonia, nomes e números de todas as coisas, conserva-nos, e sê-nos propício. Amém!"

Oração para enxotar o demónio - O Livro de São Cipriano




[...] Não adiantam os gritos de alarme lançados por António Guterres ao apelar para a necessidade de alterar rapidamente a relação da humanidade com o mundo natural. Até agora, temos apenas assistido a um “simplex ambiental”, com indiferença perante os ecossistemas e o território, porque tudo se transplanta e se adapta. Esquecem rapidamente o efeito que a pandemia teve na sociedade e os constantes avisos que os investigadores continuam a dar sobre o facto de poderem surgir novas situações pandémicas com a simplificação dos sistemas vivos e o aumento da promiscuidade entre os sistemas sociais e naturais.

A classe política deveria ficar cada vez mais sensível a este problema, já que os contínuos avisos dos cientistas e apelos do secretário-geral das Nações Unidas pressupõem a necessidade de uma transição energética, mas também de uma transição ecológica. Para isso, é necessário investimento financeiro para a investigação transdisciplinar (investigadores, técnicos, sociedade em geral) de longo prazo e para a formação de recursos humanos.

O que têm que ver estes assuntos com o Dia da Ecologia? Porque é neste dia, ou neste período, que os investigadores se disponibilizam a dialogar com a sociedade, aumentar a sua sensibilidade para todos estes problemas e mostrar-lhes um pouco a necessidade de uma visão integrada do ecossistema e da interacção do homem com o mundo natural. Os ecossistemas não são sistemas estáticos, alteram-se progressivamente, ajustam-se a novas adições, refazem-se para manter a sua resiliência. No fundo, é análogo ao que fazemos de tempos a tempos com a actualização do sistema nos nossos computadores. Ficamos com novas funcionalidades, mas, muitas vezes, mais lentos e complexos, com comportamentos imprevisíveis.



No Dia da Ecologia em especial, cabe aos ecólogos mostrar o que sabem e de como esse saber pode contribuir para o desenvolvimento socioeconómico. Tem sido difícil pedir este esforço voluntário de serviço público quando necessitam de tempo para redigir um projecto, uma bolsa e, até, artigos pelos quais são avaliados. Enquanto ecólogos de especialização, não podemos continuar inconformados e fechados perante a insensibilidade pública dos verdadeiros riscos globais. Mas também, enquanto ecólogos académicos, devemos rapidamente agir e seguir o exemplo das universidades alemãs apelando e contribuindo para uma maior formação ecológica. A ecologia é muito mais do que uma simples avaliação da biodiversidade, é uma compreensão de todo o sistema vivo, uma integração de saberes que valoriza e tira partido da interdisciplinaridade.

Seria importante que o esforço que tem sido realizado por todos estes profissionais possa ser alvo de divulgação nos media (www.ecologyday.eu), discussão pública e até debates acesos na sociedade. A transição ecológica é tão necessária quanto a transição energética, já que urge disponibilizar mais conhecimento para saber actuar e minimizar os riscos que podem pôr em perigo a sobrevivência da humanidade.


O Dia da Ecologia e a transição ecológica - MªAmélia Martins-Loução


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