Capsule Clinique



(...)

Admire também a sua fidelidade.

Porque suponho-o fiel.

Saiba que a fidelidade dele tem mais méritos do que pensa.

Lembre-se que perante o amor o homem e a mulher não reagem da mesma maneira.

Exagerando só um pouco diria: por natureza a mulher é monógama ao passo que o homem, por natureza, é polígamo.


A mulher monógama?

O homem polígamo?


A mulher que ama com sinceridade, não sente nenhuma dificuldade em rejeitar os atrevimentos de qualquer outro homem, mesmo que fosse um Adónis, acrescido de um génio de delicadeza.

O homem ao contrário, pode amar uma mulher com amor sincero, profundo, veemente e contudo continuar a interessar-se por outras mulheres.



Este facto, as mulheres têm muita dificuldade em o admitir.

A senhora, pelo menos, reconheça a existência desta realidade, mesmo que ela lhe desagrade tremendamente.

Reconheça-a para melhor admirar o seu marido.

Tanto mais que a civilização actual parece organizada para o fazer estrebuchar.

Não está ele submetido a uma solicitação constante, pelo facto das mini-saias, bikinis, anúncios atrevidos, filmes sugestivos?

Difìcilmente cairá na conta desta situação, porque o mesmo clima erótico não a excita como a ele.

Saiba contudo que o seu marido - um homem - tem que lutar mais que a senhora para não ceder às tentações da infidelidade.

Admire-o.

Ajude-o também.






(...)

Em 1944, os meus superiores pediram-me para ir para o Brasil como missionário. Devia ser para sempre.

Nem meu pai nem minha mãe procuraram dissuadir-me de seguir o apelo do Senhor. Eram demasiado crentes para isso.

Na altura do meu primeiro Natal, decidiram oferecer-me como presente uma chamada inter-urbana, ou melhor inter-continental. 

Eu sabia a que ponto estávamos longe uns dos outros. Necessitava de 40 horas de voo para chegar ao meu posto.

Uma vez estabelecida a comunicação, os primeiros a falar foram os meus irmãos e as minhas irmãs. Deram-me notícias. Gracejaram utilizando expressões de folclore familiar.



Vieram o papá e a mamã.

Um silêncio. Depois, o meu pai, com uma voz trémula de comoção, disse-me:

- Meu rapaz... Coragem!

Logo depois ouvi minha mãe suspirar entre dois soluços:

- Meu rico tesouro.

Cada um tinha-me dito sòmente três palavras.

Três palavras que ainda ressoam no meu coração.

Como nos sentimos fortes para enfrentar a vida quando sabemos que somos amados!


Optimismo e Vida (1965) - Desmarais

Do original Le Bonheur à Portée de la Main / Capsules of Optimism

Pe. Marcel-Marie Desmarais, o.p. 1908-1994


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Palavra

Átimo Sempre

Herbarium Amoris