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Triptych Address

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A poesia é o signo extremado. Estremecendo, plástica, a palavra rasga. Contra a opacidade dos dias, a cristalização da frase, límpida, com seus sintagmas oferecendo ao lado de lá da tela a história original de um mundo. Estremecendo, o leitor sobrevive e insiste em reler passagens que, de algum modo, o penetram por imagens, flashes. Assim, contra os actos não há argumentos – e a poesia, se construída em verdade, produz novas formas de perceber as idades de que é feita, afinal, a nossa vida: metro, verso, estrofe, cadência rítmica, corpo a corpo, combate entre vida e morte. Extremidades da linha de fogo. ARTE POÉTICA E NÃO Quando não esperas nada não esperas nada Quando não esperas nada tudo acontece Quando não esperas nada o nada é certo Quando não esperas nada das leis do verso Quando não esperas nada porque esperavas? Quando não esperas nada lembras fantasmas Quando não esperas nada o som concreto do poema cresce e tu recebes lição de um nada em tudo ...

Cold Golgotha

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E por isso pensas, naquele preciso momento, nas coisas que acontecem. À volta do idiota acontecem tantas coisas...   E gostavas de ser um demiurgo sábio para dosear ao longo do tempo uma tal avalanche de emoções.   Navegação complicada no mar agitado do palavreado infinito que abana o barco, que o reduz a barco de papel.   E queres pôr tanta coisa no sítio certo, que ocorrem demasiadas coisas num curto espaço de tempo e afogas-te, é claro que te afogas.   Em cada gota, no contorno, no perfil de cada gota, se olhares com atenção, viajam o arco-íris e o eclipse solar. [...] Continuei a opinar como se opinar fosse uma obra de alvenaria, Assumindo que tudo é composto de opiniões e que, acrescentando opiniões geramos matéria oca.   O frio manifesta-se no frio e não há palavras para essa sensação. Mas temos o silêncio como A GRANDE ACTIVIDADE: calar como o verbo. Pág.47/9 O problema quando nos emocionamos é que não nos questiona...

naturally unconfident

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A Anunciação (c. 1430-34), por Álvaro Pires de Évora. Colecção MNAA Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, — não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: — mais nada. Motivo Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: Em que espelho ficou perdida a minha face? Retrato Deixai-me nascer de novo, nunca mais em terra estranha, mas no meio do meu povo, com meu céu, minha montanha, me...

Oxalá

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Exprimo. Aprumo estética experimental              (poética)              ciência qual mimo                         cimo da paciência apetência de experiências              (várias) experimentando sem perimir não / perimétrica poesia experimental               experimento experimentando               poesia experimental. Experimentando experimento Sempre que o dia se debruça sobre a maré de bruços a escuridão invade va dia como a noite ... A aura da saudade idade do tempo envolve o vazio. No cio. O auge das sensação encoberta descobr...

круг

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Laugh, and the world laughs with you; Weep, and you weep alone; For the sad old earth must borrow its mirth, But has trouble enough of its own. Sing, and the hills will answer; Sigh, it is lost on the air; The echoes bound to a joyful sound, But shrink from voicing care. Rejoice, and men will seek you; Grieve, and they turn and go; They want full measure of all your pleasure, But they do not need your woe. Be glad, and your friends are many; Be sad, and you lose them all,— There are none to decline your nectared wine, But alone you must drink life’s gall. Feast, and your halls are crowded; Fast, and the world goes by. Succeed and give, and it helps you live, But no man can help you die. There is room in the halls of pleasure For a large and lordly train, But one by one we must all file on Through the narrow aisles of pain. Solitude by Ella Wheeler Wilcox «Mas por que há-de um homem pretender encontrar a solidão? Não andamos todos a fugir da ...

Cosmo Politics

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Vamos pela tarde à procura de deus. Depois do dia ter falhado com as suas promessas o que nos sobra é tudo o que vai daqui até ao mar. Transporto no coração a contagem dos passos e na cabeça a língua que se prende por engano ao céu da boca. Será sempre preciso navegar em terra, agarrar o que resta pela cintura e disfarçar o corpo nu entre os rochedos. Cada palavra é um remo, cada abraço perdido uma bóia a menos no costado. Os aparelhos da fala excrementos das gaivotas. A tarde recolheu os últimos sinais da divindade. Avançamos à procura da água prometida. Confundimos as ondas com os limos da garganta, as cavernas com as muitas moradas, o destino com mais um precipício antes da noite. Terra Navegável, de Armando Silva Carvalho in "A sombra do mar", Assírio & Alvim, 2015, p. 50. "O provincianismo é a doença em que se confunde o lugar onde se vive com o centro do mundo. O provincianismo é achar que o mundo tem um centro. O provincianism...

Asphalt Desire

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“Mankind’s greatest achievements have come about by talking, and its greatest failures by not talking. It doesn’t have to be like this. Our greatest hopes could become reality in the future. With the technology at our disposal, the possibilities are unbounded. All we need to do is make sure we keep talking.” “It is no good getting furious if you get stuck. What I do is keep thinking about the problem but work on something else. Sometimes it is years before I see the way forward. In the case of information loss and black holes, it was 29 years.” Stephen William Hawking (Oxford, 8 de janeiro de 1942 – Cambridge, 14 de março de 2018) “Os nossos problemas são basicamente “internos” e têm sobretudo que ver com as profundas desigualdades de rendimento — entre classes e entre homens e mulheres —, o atraso social e económico, as assimetrias regionais, a fragilidade das infra-estruturas e serviços públicos. Ao que se soma, hoje, a explosão brutal de um fenómeno, a corrupção, q...