Asphalt Desire

“Mankind’s greatest achievements have come about by talking, and its greatest failures by not talking. It doesn’t have to be like this. Our greatest hopes could become reality in the future. With the technology at our disposal, the possibilities are unbounded. All we need to do is make sure we keep talking.”



“It is no good getting furious if you get stuck. What I do is keep thinking about the problem but work on something else. Sometimes it is years before I see the way forward. In the case of information loss and black holes, it was 29 years.”

Stephen William Hawking (Oxford, 8 de janeiro de 1942 – Cambridge, 14 de março de 2018)



“Os nossos problemas são basicamente “internos” e têm sobretudo que ver com as profundas desigualdades de rendimento — entre classes e entre homens e mulheres —, o atraso social e económico, as assimetrias regionais, a fragilidade das infra-estruturas e serviços públicos. Ao que se soma, hoje, a explosão brutal de um fenómeno, a corrupção, que tendia a permanecer adormecido e de que descobrimos todos os dias as ramificações sem fim, desde o mundo financeiro ao mundo político sem esquecer, claro, o universo do futebol. Com tudo isto, não faltam razões para ficarmos seriamente preocupados. Daí o paradoxo e a interrogação: será o nosso lado “terceiro-mundista” de pequena nação periférica do Sul que, afinal, ainda nos protege das tremendas convulsões europeias, esse lado invisível ou indiferente aos olhos dos estrangeiros que, a ritmo quase frenético, nos escolhem para viver, em busca de uma doçura perdida nos seus países?



O problema é que, estando nós integrados profundamente na Europa, não poderemos escapar indefinidamente aos abalos sísmicos do edifício europeu — de que as eleições italianas foram um poderoso reflexo. E mesmo que a grande coligação CDU-SPD consiga sobreviver na Alemanha e que em Itália se concretize o cenário político menos pessimista — o de um governo do enigmático M5S com o apoio da esquerda sobrevivente do PD —, a Europa impulsionada por Macron terá de enfrentar obstáculos quase intransponíveis, enquanto não for capaz de se refundar em torno de um núcleo duro de países identificados com a sua matriz original. O que implica, entre outras coisas, construir uma nova arquitectura política e económica que, lembrava-o ontem Miguel Sousa Tavares, não poderá acolher no seu seio aqueles que recusam — como é o caso dos países do Leste — os valores essenciais da civilização europeia, incluindo o respeito pelo Estado de direito. É essa a única resposta que resta contra o europessimismo — mesmo que nós, portugueses, nos julguemos ilusoriamente imunes ao seu contágio.”

Somos uma excepção na crise europeia? - Vicente Jorge Silva


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