Oxalá





Exprimo.
Aprumo estética experimental
             (poética)
             ciência qual mimo
                        cimo da paciência
apetência de experiências
             (várias)

experimentando sem perimir
não / perimétrica poesia experimental

              experimento experimentando
              poesia experimental.

Experimentando experimento





Sempre que o dia
se debruça sobre a maré
de bruços a escuridão invade
va dia como a noite ...

A aura da saudade
idade do tempo
envolve o vazio. No cio.

O auge das sensação encoberta
descobre no drama do destino

o pino de uma andorinha
piando poesia!

Piando poesia





(intervalo o tempo como palavras IN CULTAS génese de saber

OCULTO, cultivo amor (com/sem) culpa formal, forma-se a

alma, desespiritualiza-se a matéria - oxalá cresçam pitangas

no papel!)

Intervalo com jindungu kabombo





construir um poema
como se constrói uma cubata
com barro e água da CACIMBA

vê-lo engordar com o adobe vermelho da terra

(vestí-lo como se veste uma MUMHUILA)

na cabeça como DIZAMBA
o colmo acastanhado

capim seco em feixes como JINGINGA

com janelas de MABAIA
p'ra espreitar o dito "mundo civilizado"
ou vê-lo passar pelas PORTAS DA AFRICANIDADE

construir um poema
com MUAMBA de dém-dém
e SACA-FOLHAS p'ra variar ...

Adobe Vermelho da Terra

Ao som de „MUADIAKIMI“
de Bonga e Teta Lando



António Domingos Gonçalves - Buscando o Homem (2004)



«Os poetas odeiam trabalhar em escritórios. Vestem-se mal e acreditam em tudo o que lhes dizem. Puxa-lhes o pé para a metáfora. Se os poetas fossem controladores aéreos, haveria tráfego de andorinhas. O ideal para um poeta é estar desempregado. Em nome da segurança pública.»

Pelos Leitores de Poesia - Filipa Leal
Ed. Abysmo Edição #36 | Colecção Fósforo #02 | Lisboa, Agosto 2015


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