Sin Mordaza



Albert Camus associa a moral, que considera “ciência do bem e do mal”, a uma teoria da ação que fixa os deveres de quem age e impõe uma preocupação com a sua conduta. Conferia-lhe uma profunda dimensão política, uma vez que quem se confronta com o problema da escolha o faz em sociedade, funcionando as suas atitudes como exemplo tendo repercussões no coletivo e no modo como este avalia o que está certo e o que está errado. É neste sentido que penso existir neste caso uma dupla questão de moral a considerar. A primeira a propósito do episódio em si, e a segunda sobre o modo como a polémica suscitada é exemplo de uma prática do trabalho jornalístico que se tem vindo a instalar e merece ser encarada de forma crítica.

Rui Bebiano



O uso de rótulos geracionais comporta riscos desnecessários. Cria uma ilusão de homogeneidade onde ela não existe. Obscurece processos de exclusão social que não devemos perder de vista.
O baptismo de gerações é muito comum. Vive de generalizações abusivas e de imprecisões estatísticas. E acarreta efeitos sociais indesejados. De baptismo em baptismo, fica a saber-se mais sobre a história de certos campos de saber do que das gerações propriamente ditas. Pior, perde-se uma compreensão mais fina das circunstâncias e desigualdades sociais a que uma dada camada etária está sujeita. Deste modo, contribui-se pouco para evitar que estas desigualdades perdurem para a vida adulta.

Magda Nico



É difícil não me sentir ladrão. Num dos meus pesadelos recorrentes só posso ler o equivalente do que escrevi. Para ler um livro que me ocupa 6 horas tenho de escrever um livro que me leva 6 anos a acabar. Não há livro que mereça tal preço.
Tudo favorece o leitor. A única consolação do escritor é que um livro, uma vez acabado, pode ser lido milhões de vezes sem esforço adicional por parte de quem o escreveu. Idealmente o autor até já morreu e tudo, não podendo ser contactado para promoções e entrevistas. O livro continua a poder ser lido, ad infinitum. Outra vantagem maravilhosa é a acumulação do que se escreve. Cresce. O que se escreve fica escrito e já não se pode desescrever.

MEC






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